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A mostrar mensagens de julho, 2008

divergência

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Xec xec de caranguejo

8 peitos de caranguejo do Índico (médios, também conhecido por caranguejo azul) 8 colheres de sopa de coco ralado 10 piri-piris (pimenta ou malagueta vermelha) 2 colheres de sopa de sementes de coentro 10 grãos de pimenta branca 4 cravinhos 2 colheres de sopa de óleo (ou ghee) 2 cebolas (cortadas em lâminas) 1/2 colher de pasta de gengibre e alho (pode ser comercial) 1/4 de colher de sopa de curcuma em pó (kunyit ou açafrão indiano) 1/4 de copo de sumo de tamarindo 2 malaguetas verdes (picadas) sal q.b. Limpe os caranguejos. Toste ligeiramente o coco. Limpe o recipiente (recomendo uma frigideira funda e anti-aderente). Torre os piri-piris e depois as restantes especiarias. Moa todos os ingredientes tostados até formarem uma pasta muito fina, usando um pouco de água. Aqueça o óleo, aloure a cebola, adicione e mexa a pasta de gengibre e alho e o pó de açafrão. Deixe fritar alguns segundos, adiccione os peitos de caranguejo, misture bem e borrife com o sumo de tamarindo. Junte meio copo e...

O Espírito

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«O vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito» (Jo 3,8) ‘ Quadriculado de crabbes sem pinças sobre areia de canson’ , aguarela e tinta-da-china, 1998/2008

É dentro desta perplexidade, verdadeiramente dialéctica, que nos atrevemos a especular (*)

Considerando que no último livro do G. Steiner (vide uns posts abaixo) o capítulo sobre os judeus, onde ele diz que estes foram «escolhidos por Deus como pára-raios», é mais fraquito do que o das gajas, sou forçado a ter de voltar a uma temática praticamente de fusão. E vou já directo ao assunto: também existem os homens possuidores de particulares atributos para afagos de índole meramente passageira - que toda a mulher sofisticada valoriza, quando não exige. São os príncipes de passagem. Aqui vai a meia dúzia deles, igualmente. Homens Bomba d’Ar – Insuflam muito benzinho, repõem fôlegos, regularizam ritmos pneumáticos, relembram que a hidráulica é que é a verdadeira ciência do espírito e não a teologia. Homens Tubo d’Escape – Essenciais para qualquer mulher que seja de forte combustão. Ao não servirem para pistons, e também não estando dispostos a fazer de semi-eixos, fornecem o serviço de eleição para aliviar e desenjoar dos restos dos verdadeiros êxtases. Homens Vileda – Espécimes c...

animais d'estimação

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Franco Gentilini (1929). Nudo disteso . Óleo s/ tela, 80 x 97,5 cm.

Super cola 6

A rejeição amorosa representa para qualquer homem um verdadeiro renascimento. A uns aparecerá decorada como uma exuberante capela sistina, noutros parecerá um ecce homo carregadinho de chagas, mas para todos representará o seu primeiro contacto com o famoso síndrome/processo da ‘Capacidade de Retenção de Mulher’, fenómeno ainda desconhecido na época de Freud, que teve assim de se ficar pelo sensaborão Édipo em formato de complexo - nem sequer havia ainda em supositório; suponho. A ‘Capacidade de Retenção de Mulher’ é bastante diferente da capacidade de engate, ou de sedução, ou mesmo de mero interessamento erótico conjuntural; a C.R.M, como é designada nos modernos compêndios de psicologia criativa, é um processo de índole carismático-mistico que se dá no âmago da personalidade do homem e que lhe fixa o seu grau de pegajosidade com o género oposto; Formaram-se assim 6 tipos de homens que ocupam o topo da escala neste critério de permanência da adesividade feminina: Homens Ventosa – são...

Sobrou a música and the Commotions

«…quando confessou gostar de mim apenas 70% (sic) do que seria necessário para que fossemos namorados. Hoje dá para sorrir, mas na altura doeu. Sobrou a música, como aliás sobra sempre. E um beijo para ti, Ana Luísa, onde quer que estejas. A atravessar a mesma crise de meia-idade. Que esta não te atinja mais de 70%, são os sinceros votos de um personagem secundário na tua vida » In Devaneios de Ricardo Gross. Boa. Um grande beijo para ti também, Ana Luísa, quem quer que sejas.

animais d'estimação

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Franco Gentilini (1956). Gatto . Esferográfica ("biro"), 22 cm x 15,6 cm.

sínteses

«Deixaria de lado 95 por cento do que fiz» (Beck em entrevista, ' Sound + Vision ')

Aqui já aconselhava mais uns toblerones

Seguramente que o leitor curioso ao abordar o novo livro de George Steiner traduzido para português (*) começará logo por aquele capítulo onde ele escreve que já deu belas quecas em quatro línguas diferentes. Pois eu fui lá direitinho e sem passar pela casa da partida, retendo-me logo na frase inspiradora de que «o donjuanismo semântico continua a ser uma terra incógnita à espera de ser percorrida e explorada». Que Deus nosso Senhor me proteja, dê forças e paleio, aguenta-te Jerusalém que eu vou a caminho da Terra Santa. Bem, mas entre referências eruditas e bibliófilas que transformarão para sempre qualquer foda num acto cultural, - seja ela pelo lado mais cul, seja pelo lado mais ural – tive forçosamente de me reter em dois pormenores, que deixo à consideração expressa dos senhores ouvintes (se encostarem bem o ouvido algum som sairá, já se sabe). O primeiro tem a ver com a exaltação da riqueza da mulher (italiana, no caso) na utilização de todo o potencial erótico do «Cappuccino» na...

prato do dia?

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Na falta podem ser sugus

Dostoievski é um daqueles escritores que todos temos direito a ter um próprio: ‘o nosso dostoievski’; mesmo que nem o tivéssemos lido (hoje existe uma forma consagrada de conhecimento que é o ‘ter ouvido falar de’) demos-lhe direito a entrar nos nossos melhores pesadelos. E os nossos piores pesadelos são os que aparecem num sono de tarde, de siesta: um homem levanta-se, motivado exclusivamente pelos desígnios dum inconsciente em formato bomba injectora, por sorte não dá de frente com nenhum ser humano com relações de sangue ou de registo civil e que tenha adquirido o direito de lhe pedir explicações sobre o seu estado psicomotor, e vai directo à prateleira sacar dos Irmãos Karamanzov , como se procurasse queijo manchego. É fodido ser movido em causa próxima pelos sonhos, pois nesses casos nem se distingue bem o papel impresso do leite fermentado. Felizmente o livro já estava muito sublinhado pela raiva adolescente, e Ivan dizia a Aliocha no início do ‘ grande inquisidor’ que ‘estás tã...

na cozinha, com ela

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Varinha mágica ou colher de pau? Quick-witted Mercury deve querer dizer «varinha mágica», atendendo às sugestões: Matthew Broderick, John Cusack, Edward Norton e Ben Stiller. Vou elucubrar sobre o assunto. Paul Newman, Liam Neeson, Ralph Fiennes e Brad Pitt têm a agenda muito cheia por estes dias.

Calma, estou só nos últimos aquecimentos para o Leonardo

Penso que devia tornar isto um pouco mais intimista. Doseava o renhaunhau com o cuchicuchi sem esquecer o ronron e apresentava um íntimo que, acreditem, seria uma categoria. Pena ter descoberto há uns tempos que não tenho íntimo de jeito. Foi um momento doloroso, pois estava a escrever um poema que me tinha sido inspirado pela ida da minha vizinha de baixo em combinação à conduta do lixo, e eis quando, de repente, se pedia um daqueles apertos de peito que só estão ao alcance de seres com verdadeira nobreza íntima, (ou de hipertensos de alto gabarito em busca de comprimido debaixo da língua) mas o mais que consegui foi o aspergir dum espirro; e dos fraquitos. Descubro assim que o meu órgão mais íntimo são mesmo as fossas nasais, o que obviamente me impede de aqui parir documentação de decente valor sentimental. Face a esta fragilidade romântica e à compulsão para a parvoíce como elemento estruturante, perdeu-se inclusive um patrocínio do Trifene que muito poderia ter ajudado a compor ...

pimiento morrón #2

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gorra style

Sai uma gran cruz da ordem do bambino d’oiro

Sócrates, temendo que a conjuntura internacional ainda desemboque numa conjuntivite, decidiu tratar de garantir desde logo que o seu nome ficava definitivamente na história. Assim, pediu uma audiência ao Provedor dos Leitores de Livros de História, procurando fazer valer já a sua obra de grande estadista que, inclusive, fala com zapatero ao telefone: Sócrates – Sr Provedor julgo que ficávamos todos mais sossegados se o meu nome pudesse já entrar para a história, estou a ver a coisa preta e não tarda o meu lugar ainda é ocupado pela Maddie ou pelo Cristiano Ronaldo. Provedor dos leitores de livros de história – Sr Sócrates, para uma primeira análise, quais são as suas principais realizações , algo que o distinga mais que o Mário Crespo, ou o Nuno Rogeiro, ou o Nicolau Breyner, por exemplo? Sócrates – Bem, em primeiro lugar eu consegui manter o Manuel Pinho mais tempo em ministro do que 10 períodos máximos para interrupções voluntárias da gravidez e sem ter de o pôr num frasquinho de liq...

tudo o que sempre quis saber

sobre as mulheres , err... o Vista, e teve receio de perguntar

pimiento morrón #1

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bufanda style ©

love, ain't no cure for

I walked into this empty church I had no place else to go When the sweetest voice I ever heard, whispered to my soul I don't need to be forgiven for loving you so much It's written in the scriptures It's written there in blood I even heard the angels declare it from above There ain't no cure, There ain't no cure, There ain't no cure for love Leonard Cohen, Álbum 'I'm your man'

'waiting for the miracle'

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(só faltam uns dias)

na cozinha, com ela

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Asceta ou hedonista? 69. Por cento. Enfim. Podia ser pior. Ou melhor .

Só que o apelo da camomila foi mais forte (*)

A verdadeira instituição de que ainda haveremos de sentir falta é da velha-beata. Isto sim pode perfeitamente desaparecer, e não estamos a produzir substituto à altura. Se hoje os números, por exemplo, apontam para 3 mil padres para 2 milhões praticantes em Portugal, daqui a vinte anos nada sequer semelhante a isso teremos ao nível de velhas-beatas, nem mesmo recorrendo ao terço trangénico. Refira-se desde já que a ‘nova-beata’ não é uma categoria sociológica, pois apenas poderá ser caracterizada ou como uma doença psicológica (está em lista de espera na OMS atrás do heterosexual sem borbulhas nas costas), ou assistente-social-guitarrista no desemprego. A velha-beata consistiu durante o último século aquele reduto do catolicismo que servia para canalizar todos as acusações de excessos de piedade hipócrita e zelotismo anedótico, constituindo-se assim como uma reserva oficiosa da doença religiosa, género a ejaculação precoce para a perturbação sexual masculina. Com a extinção deste núcle...

Mas agora, tenho de confessar, já teve de marchar um hoyo de monterrey

Uma das características típicas dos nossos tempos no que diz respeito à experiência religiosa (dentro dum ‘ambiente cristão’) é que ela tem tido tendência em se polarizar em 3 extremos. 1) Os tais « espiritualoidismos », que invocam a bondade duma relação desintermediante entre o homem e Deus, fugindo (e/ou relativizando) o mais possível às tenebrosas limitações doutrinárias e paramentárias; 2) Os « congregacionismos » que procuram a eficiência duma experiência de fé comunitária, num espírito de reserva ecológica misturado com churrasquismo apostólico, capitalizando o ritual, o sorriso fraternal e o arame farpado à volta. 3) Os « racionaloidismos » motivados pela alergia ao suposto enganador e alienante lado da fé-emoção, e que afirmam a pés juntos apenas com o pensamento Lá podemos chegar asseadinhos e sem gazes. Cada um destes vértices tem angariado bons padrinhos ideológicos, gente de fé e inteligência tocante, inclusivamente, e, no limite, todos levarão ao Deus que se revelou nas n...

E tudinho drugs free, juro (*)

Um Credo não esgota uma fé, uma teologia não esgota um Deus, uma tábua da lei não esgota uma moral. É este o maior buraco no estômago que o Cristianismo deixa para cada pessoa resolver na sua alma. Daí que a pedra de toque da espiritualidade cristã seja a natureza e a riqueza do diálogo íntimo do homem com Deus. Os ‘novos’ mercantilismos folclórico-espiritualistas descendem de facto deste património ‘cultural’ do Cristianismo: pôs o homem a falar com Deus como seu ‘semelhante’, como que entregue à intermediação ‘psicológica’, em forte concorrência com a intermediação institucional. O maior risco do excesso de espiritualização da ‘experiência religiosa’ está precisamente em menosprezar o facto de o ‘Mistério de Deus’ se ter querido revelar duma forma histórica, (inclusivamente banal, salve-se a expressão) e altamente apelativa para a razão, a dúvida e os mecanismos angustiantes da fé. A transformação progressiva do movimento da reforma protestante numa espécie de world-music-evangélico ...

na cozinha, com ela

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Are you British in Bed? 65% Brazilian: 1/2 lata de leite condensado, 1/2 colher de sopa de manteiga e 1 e 1/2 colher de sopa de cacau em pó. De brigadeiro, a receita.

Jungle belles III

Mas ainda hoje, no mesmo Público e sobre a mesma Carla, a jornalista Teresa de Sousa chama-lhe ‘trunfo de transição’ para a França sarkoficada. Eu cá se fosse à Bruni pedia para a raptarem para a selva. Não faltariam Tarzans. E o mundo quer ver Sarkozy agarrado à liana.

Jungle bells II

Contudo, Carla, ciente dos riscos de ser peluche de companhia de animais de cérebro duplo, pegou no violão, na blusinha d’alças e na calça justa, e atirou-se à ‘nostalgia afectuosa e voluptuosa’ como diz o bom do Belanciano no Público . A mulher da passerelle sabe que o mundo é uma selva.

Jungle bell

Carla Bruni desde que casou e acolita esteticamente Sarkozy - que vem progressivamente dando ares de Berlusconi com mais cabelo – parece, evidentemente, muito mais burra. E então quando ficou ao lado de Ingrid Betancourt tornou-se flagrante: uma mulher vinda da passerelle nunca consegue competir com uma vinda da selva.

Paróquia de Penacova, ano da graça de 2038

Reverenda Gracinda acaba de ser nomeada priora da paróquia de Penacova. Não só foi a primeira mulher portuguesa a ser consagrada com o sacramento da Ordem, como inclusivamente é a primeira a ser casada, neste caso com um moço chamado Inocêncio, que é dono duma rede de talhos que vai da Lousã a Oliveira do Hospital, e que, dizem, ajoelha melhor que duas carmelitas depois de quinze dias de jejum rigoroso. Transcrevo aqui o seu primeiro sermão-convívio com os paroquianos. «Queridos paroquianos, hoje é um dia muito importante para a Igreja em geral e para o baixo Mondego em particular, pois é nas suas franjas que o Senhor veio colocar a graça da sua generosidade. Eu, mais o meu Inocêncio, que também reza por todos vós, mas que hoje não pode estar aqui presente pois foi a um matadouro em Arganil escolher 10 bezerros numa promoção da febre aftosa, quero ser a primeira e mais humilde serva desta terra bendita, e inclusivamente já me fiz sócia do clube de vídeo.» «Dona Priora, saiba de antemão...
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(9*4) 'nine windows in a row' x 4, cidade universitária, julho 08

Espartilhos & Crinolinas (II)

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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria política para mulheres curiosas 5º capitulo - A almotolia de bomba Poderia o leitor apressado e displicente, no seu legítimo direito embora, pensar que este pequeno estudo se limitaria a ser um exercício ligeiro de misoginia recreativa, mas efectivamente aqui pretende-se apenas desenhar um contributo, humilde que seja, de natureza técnica sobre a forma de melhor incluir a mulher numa actividade que lhe é agreste e para a qual se deve preparar não apenas perseguindo os clichés típicos de ser ‘uma gaja tesa’. A mulher que sinta o apelo da coisa pública, não se contentando assim com o poder que lhe é conferido pela natureza e que possui – irresistivelmente - na coisa privada, tem que saber de antemão que o mundo, por estar consciente disso, parte desconfiado com ela: «ela vem para aqui fazer o que não consegue em casa» Já aflorámos aqui o papel que as assessorias desempenham no refrescamento e fortalecimento do corp...

Espartilhos & Crinolinas (I)

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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 4º capitulo - Limas murças e bastardas Uma das paragens obrigatórias neste percurso analítico em torno das miudezas mais íntimas da mulher enquanto animal político é o estudo do papel do humor. A sociedade ocidental, por razões de sociologia reprodutiva certamente, sedimentou bem a ideia de que o humor utilizado pelo macho-político é sinal de inteligência, perspicácia e alguma irreverência, mas se for utilizado pela mulher pode ser sinal de badalhoquice e ligeireza de raciocínio. Assim, a utilização do humor por parte da fêmea-política deve respeitar algumas regras que impeçam o suicídio da sua imagem e a recambiem para as instituições de beneficência, casamento incluído. Comecemos pela auto-comiseração lúdica. Este elemento estruturante do humor masculino está completamente vedado à mulher; ou seja, a mulher não se pode colocar em zonas de fronteira, de dúvida, onde a verdade e a ...

Structural Constellation, Transformation of a Scheme No.23

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Josef Albers (1951)
[serve o presente para deixar devidamente registado que hoje se desenvolveu sobre as gramíneas de wimbledon um dos melhores jogos de sempre dum desporto denominado ténis; desporto esse também praticado por meninas, e inclusive senhoras, mas isso é outro departamento]
As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 3º capitulo - Chave de grifo Se no que dizia respeito ao penteado da mulher-política esta devia escolher modelos colocados na mediana do espectro decorativo e evitar as zonas da periferia estética, já no que concerne à personalidade a desenvolver passa-se precisamente o contrário; a mulher que se entregue às mesmas actividades de lellos, narcisos & jerónimos deverá colocar-se na extremidades do estereótipo feminino: ou mulher-sacana, ou mulher-santa. Evitei para já a utilização dos termos bruxa-puta-cabra no primeiro caso e de mamã-avozinha-fada-madrinha no segundo, por estarem demasiado colados a desabafos de teor ero-intimista e peri-freudiano que poderiam desviar-nos do verdadeiro teor científico-experimental deste compêndio. A primeira e principal razão para esta regra do extremos prende-se com o sentimento comum do cidadão indefeso: «se era para ser uma pessoa normal prefe...

Man

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Oskar Schlemmer (1928)
As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 2º capitulo - Joelho femea Uma das questões cruciais para o sucesso da mulher-política é a organização e qualificação do seu assessoramento (*). A mulher quer-se assessorada em condições e para tal precisa de assessores competentes e dum local conveniente para se assessorar; como um bom assessoramento nunca é de mais, poderia mesmo dizer-se que para a mulher o assessuro morreu de velho, não fosse o caso de, geralmente, ela dar cabo dele antes. Para o assessoramento da mulher-política o elemento essencial é o famoso ‘Gabinete de Estudos’. A escolha do local e da decoração do Gabinete de Estudos representam um momento chave na carreira de qualquer mulher-política. A mulher empossada, antes de definir qualquer política que seja, deve, em primeiro lugar, escolher os cortinados do ‘gabinete de estudos’. O cortinado estará para a mulher-política como o chauffeur está para o homem: é um c...

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Oskar Schlemmer (1920/21)
As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 1º capitulo - Tarraxa A política é coisa para homens, à semelhança do berlinde e dos pêlos nas orelhas, mas certas mulheres com empenho, afã de colaborar, pouco jeito para o entrelaçamento de fibras naturais e algum cuidado com as articulações podem esporadicamente exercê-la com sucesso e até com algum benefício para a sociedade em geral e os cabeleireiros em particular. O primeiro aspecto técnico que a mulher-política deve controlar obrigatoriamente é precisamente o penteado. Aqui, a regra básica nº1 é: nunca armar nem soltar demasiado. A mulher de cabelo muito armado tem tendências despóticas e, já se sabe, mulher muito despotada acaba por se prejudicar. O cabelo com muita soltura também pode indicar problemas de continência, o que, para além de dar sinais duvidosos para as forças armadas, revelará um inconveniente deslumbramento hormonal, perdão, orçamental. Consensualizados em...

Figure Design

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Oskar Schlemmer (1922)

Intermezzo Técnico

Um dos ateus da corrente hemorroidal (*) , D. Dennett, numa entrevista que deu ao Der Spiegel há uns anos, entre outras iluminações haloageneirou estas (**) : «É preciso que se entenda que o papel de Deus foi diminuindo no decorrer dos anos. Primeiramente tínhamos Deus, como você disse, fazendo Adão e todas as criaturas com as próprias mãos, arrancando a costela de Adão e fazendo Eva a partir dessa costela. A seguir trocamos esse Deus pelo Deus que coloca a evolução em movimento. E depois dizemos que nem sequer precisamos deste Deus -o decretador da lei -, já que se levarmos as ideias da cosmologia a sério, concluímos que existem outros locais, e outras leis, e que a vida surge onde pode surgir. Então, agora não temos mais o Deus criador descobridor de leis, nem o Deus decretador de leis, mas apenas o Deus mestre-de-cerimónias. E quando Deus é o mestre-de-cerimónias e, na verdade, não desempenha mais papel algum no universo, ele ficou diminuído, e não interfere mais de forma alguma» E...

Listonosz Cheval

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Max Ernst, 1932
As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 7º capitulo - Girândola de foguetes & salva de morteiros Existe também a questão fóbica. A mulher tem receio que o amor lhe estrague a pele, o homem tem receio que o amor lhe estrague a carteira. Por isso a mulher é epidermicamente esquiva e o homem trabalha por investidas que preservem o valor residual. O não feminino é diplomático e vem sempre acompanhado de muito creme hidratante, o não masculino é bruto como uma saída de bolsa em pleno crash. Sendo o espécime feminino um falso passivo e um estratega simulado serve-se do amor-sentimento como o defesa preguiçoso se serve da regra do fora de jogo: dá um passo em frente para deixar o homem com cara de parvo a olhar para a bandeirola. O homem de tendência bondosa, como o são quase todos, é um eterno atacante a tentar iludir o fora de jogo, e é incapaz de assumir que pouco mais capacidade tem do que jogar pelas laterais como um galg...

Design In Nature

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Max Ernst, 1947
As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 6º capitulo - Vulcão de estrelas A noção pós romântica de que o homem é um ser geneticamente impreparado às mãos do ser hormonalmente superior que é a mulher faz ciclicamente algum sucesso estético, no entanto, este pequeno compêndio em capítulos não pretende abusar de nenhum efeito de miserabilismo lírico. Para a mulher, o sentimento-amor vem programado como sendo um resíduo tóxico, algo como o subproduto duma parafilia que o espécime masculino não conseguiu estripar da sua cadeia artesanal de sentimentos avulsos. Ciente deste defeito de fabrico do homo sapiens, - versão com pendentes na zona púbica - a mulher fez, desde há muito, correr a ideia generalizada de que está sempre em suspenso duma grande paixão que a apazigúe que nem uma canção do José Pedro Pais, dando, por isso, azo a que o homem desenvolva aquela lúbrica convicção de que se pode constituir no objecto essencial para a ...

Men Shall Know Nothing of This

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Max Ernst, 1923