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A mostrar mensagens de maio, 2006
Ponto por ponto Os reflexos da cabeça e do cérebro encontram-se nas polpas dos dedos grandes, desde a ponta, por baixo da unha, até ao osso metatársico (o ponto nº 1) pelo que considero de duvidoso efeito a reincidência na pressão sobre o ponto nº 44 ( como solução para editar no blogger, claro e apenas, o que se pode comprovar pelo facto de me ser possível fazê-lo ). { am }
Impotências: ponto da situação Estou há largos minutos a carregar no ponto nº 44 mas nada de significativo acontece, a não ser vir-me parar às mãos esta frase: ‘se ensinas aos ignorantes uma sabedoria nova eles não dizem que és sábio, dizem que és inútil’. Será de algum erudito de turno? Não, não é. {antónio} neste momento só se consegue editar neste blog pelo seu lado feminino. Sinceramente não sei que ilações deva tirar disto. Nunca pensei que as repercussões chegassem a este ponto.
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O bazar ( Ou o chão que se pisa ) Ao contrário da Alexandra e do Alexandre o que me vejo a trazer da Feira do Livro não são manuais práticos mas livros de esoterismo senso lato. Confesso o apelo: ele são os nomes com vagas (a bem dizer às vezes são apenas ondas ou nem isso) reminiscências científicas, os desenhos de fadas etéreas enredadas em borboletas polícromas e a ânsia e o cuidado postos na intenção de me ajudarem a cuidar de mim o que me fascina. À momentos, quando procurava inutilmente um desgraçado manual em que devia ter um esquema estapafúrdio sobre uma série de reacções metabólicas e respectiva localização anatómica com que me arrisco a provocar síncopes nos pobres corações de uns tantos humanos quando tentar que me respondam ao que quer que seja sobre aquilo, encontrei um livro decente, em cuja folha de rosto se podia ver ter sido comprado em 1999 e de seu nome "Reflexologia". Abri-o ao acaso e a epifania aconteceu bem mais com a imagem que se segue do que com e...
É por todos sabido que Jesus (pelo menos aparentemente) nada escreveu, que aquilo que vem escrito nos evangelhos canónicos foi o que alguns acharam por bem relatar por escrito, (e outros conservar e difundir) num grego arredondado, pelos mais diversos motivos, (excluindo-se aqui talvez a publicação em rubricas de frases da semana e as canções do Roberto Leal) , incluindo o nobre de cativar, que os textos definitivos foram sendo fixados ao longo dos primeiros tempos com as previsíveis hesitações, mas certamente com oração, sobriedade e um cestinho das boas intenções que por vezes até enchem um local que não vem aqui ao caso. A vida e a figura de Jesus não são algo de definitivo ou fechado, sem que isto queira dizer forçosamente problemático ou controverso, mas antes algo que se coaduna com o simples facto d’Ele ser Deus, e inesperadamente, tão Deus quanto homem - coisa que nem Homero sacou da imaginação entre duas drunfadas à beira mar - e vir dizer para amarmos como Ele nos amou (algo...
Mais alternativas (inside blogging dirigido ao sempre renovado gineceu residente) Para além das óbvias idas ao cabeleireiro, ao ginecologista, e às lojas de chanatas , mas já muito testadas pelas mais diversas paragens femininas, recomendaria ( mas sem qualquer traço coercivo, entenda-se) o afastamento de temas demasiado eruditos como a lima de unhas, o papel dos sais de fruto no ego masculino e as paixões à primeira vista. A entrada pela política séria e responsável, pela ópera bufa ou não, pela nova prosa americana, e pelos problemas com a canalização do gás, dando a tal visão feminina (sempre bafejada daquela intuição proverbial fornecida certamente por hormonas em êxtase calórico) será sempre bem vinda, e poderá ser assim deixado ao meu cuidado todo o universo religioso que, como se sabe, é de fundação e natureza falocêntrica, sem prejuízo das igrejas estarem é cheias de gajas.
O calor, os mosquitos, as águas com sabores, os gatos... Ainda não sei bem sobre o que é que vou escrever. Tenho um bom repertório de conversas com taxistas. Um melhor ainda de conversas que ouço (quase) sem querer nos cafés. Mas ainda não sei bem.
smsantologia "Desisti agora todos da guerra, ó homens de Ítaca, para que sem derrame de sangue vos separeis!" Homero, "Odisseia" (531-532)
A questão religiosa ( com uns pozinhos pessoais} {1} Independentemente da fantochada que possa significar este folclore danbrowniano, o que é uma facto é que a Igreja e a fé-crença cristã-católica foram apanhadas algo ‘desprevenidas’ (vou tentar não abusar da cobardia das aspas) nesta esquina do tempo céptico-mediático-pseudo-informado. {2} A Igreja na sua conhecida guerra contra os deficientes subjectivismos e relativismos procurou fomentar nos seus fiéis – e bem, e muito bem- o espírito de caridade, o respeito pela vida e pelo próximo, pela verdade Revelada, e a participação dos sacramentos, mas foi deixando desvalorizar – fora dos circuitos mais especialistas e ‘eruditos’ – o real e abrangente aprofundamento sistemático das bases históricas da sua religião. {3} Preparada para as dúvidas pascalianas, preparada para os reformismos bíblicos, preparada para alguns anticlericalismos bacocos, preparada para os racionalismos e para as teologias mais libertárias, preparada para os desafios ...
Vidas à la carte Nunca consegui ter um sacana dum amor platónico. Passei anos a fio a preparar-me para ele, fiz investigações de carácter filosófico, estudei a estrutura das hormonas que nem um jardineiro, reli a cena da caverna dezenas de vezes, acompanhada de massagens, de música erudita, de gambas al ajillo, procurei analogias com os mais diversos mitos literários incluindo príncipes encantados, arrisquei a desenhar ninfas de cócoras com lápis nº3, fiz com que me contassem histórias reais de amores obsessivos e doentios, de traições violentas motivadas pela luxúria da desgovernada posse carnal, treinei sonhos e batimentos de coração, afastei-me criteriosamente da leitura de revistas pornográficas, fiz de tudo para que quando chegasse o momento eu estivesse convenientemente preparado para esse amor, e não o comprometesse com afãs desmedidos de fornicação, ou estabelecimento de laços logistico-familiares ou mesmo de idas ao cinema. Mas o cabrão (palavra d’honra que é o ultimo palavrão...
Assuesce unus esse but Delectat varietas
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smsantologia "Não jurarei que qualquer deus exista. Só sei que é grosseiro viver sem deuses. Porque mais importante que os deuses existirem é acreditarmos neles." Natália Correia, "Exórdio" - I, in O Armistício (1985)
Ponto de ordem à mesa. O regresso à política pura. Somos governados por um 1º ministro banal mas esforçado, irritante apenas quanto baste mas sem chegar a pingar do nariz, previsível mas sem cansar demasiado (tirando as gravatas, claro) e que lá vai gerindo como pode e sabe o equilíbrio difícil entre a demagogia, os chamados tempos difíceis e o Lacão no governo; temos um presidente banal mas de primeira dama discreta com os netinhos, umas forças armadas banais mas com as fardas limpinhas e os bigodes aparados, o trotskismo está confinado apenas a algumas almoçaradas, mantivemos uma colónia atrevida ( madeira) e uma outra deliciosamente ruminante (açores), já temos os nossos casos públicos de pedofilia, corrupção, violência doméstica, e um ou outro escândalo sexual, com um ou outro pormenor picante, que já não nos envergonham perante ninguém, o estado é oficial e protocolarmente laico, apesar de N. Srª de Fátima ainda manter um estatuto ligeiramente superior ao da padeira de Aljubarrota...
Monólogos sem vaqueiro Leio que a responsabilidade pessoal é um conceito pretensioso, lembro-me duma gaja que me quis levar para outros caminhos em Seul, dói-me uma zona entre o umbigo e o apêndice, penso numa mentira que nunca cheguei a dizer, rio-me com algumas atitudes de Anna K. e do próprio Tolstoi, falo ao telefone com a minha filha, remoo coisas que me disseram, ponho-me na cabeça dos outros por breves instantes, mas irei repeti-lo, claro, está-me no sangue, que expressão gira, semeio alguma dúvida a quem me faz uma pergunta, inesperadamente passa-me a imagem duma mulher deitada, ali de raspão algures por entre o inconsciente e a zona onde actuam alguns analgésicos, hesito em telefonar-lhe, ela está longe e pode-me querer vir visitar, e ela estará numa fase menos atraente, inesperadamente, agora, agorinha mesmo, estou sem decisões difíceis para tomar, não me lembro de nenhuma pintura em particular, seria mesmo incapaz de escolher uma cor preferida neste momento, nem sinto o inte...
Conto das fadas descalças Sempre que se descalçavam, os feitiços saíam-lhes mais rápidos e perfeitos, mesmo que depois corressem o risco de perder o controlo à dimensão dos efeitos. Eram fadas de imprevisto, tinham bom jogo de pernas, benziam com a planta dos pés, punham os joãos a sentirem-se que nem josés, faziam desenhos no céu com as varinhas entrelaçadas nas falangetas, punham os anjos a gritar olés e os centauros a tocar cornetas, e saltavam ao eixo com homens de peito feito transformados em anões a preceito. Gostavam de caminhar por cima da serrilha medular dos seus melhores enfeitiçados, brincavam aos pêlos eriçados, rodopiavam com o calcanhar naquela zona em que as epidurais entram ao serviço, faziam as concorrentes tailandesas parecerem-se com varinas de pregão lamuriado, e, sendo preciso, casavam princesas em qualquer lado. Mas cada nova magia era diferente como da noite para o dia. Dispensavam os cheirinhos, bastava-lhes aquele suave pisar, dispensavam música ambiente, bast...
Dos princípios empírico-categorizáveis Tal como a certeza, assim deve ser tratada a dúvida existencial masculina, sendo que da cuidada, sensível e inteligente abordagem feminina derivam a tranquilidade e o progresso da humanidade. Jamais aflorando sequer Lisistrata, o método é simples e o mesmo aplicável a todos quantos crêem que "quem cala consente": uma simples exegese equidistante.
Um dos mais prosaicos e simultaneamente misteriosos enunciados da nossa sofisticada condição é o: ‘ cá se fazem cá se pagam’ . É um conceito de certa forma vazio de moralidade mas prenhe dum equilíbrio ontológico ( e até de síntese fenomenologico-existencialista pelo mesmo preço) e ao certo não sabemos bem a sua origem, apresentando-se repleto duma transversalidade que arrepia: passa pelo amor, pelos negócios, pela família e pelos mais diversos vícios de boca e espinha, e restantes binómios de corpo & alma. Hoje teremos a companhia da engenharia financeira básica ao serviço da alta mística no regresso do dicionário não ilustrado , a dedicar-se às diversas 'moradas da alma' que, no fundo, vive sitiada num ser em eterno e inexorável pagamento. A blogosfera já tinha direito a este tratado de mística renovadora e alternativa nas entradas 1173 a 1178 , que vão fazer parecer aquela outra excursão do Ulisses uma promoção da Halcon viagens em regime de meia pensão. (Alma em) dívid...
Isto agora já só lá vai com um panegírico encharcado nas trombas Julgo estar a chegar atrasado à coisa; mas. Eu gosto do Carrilho. Estou quase a sentir-me como uma minoria étnica, mas tenho de admitir: eu aprecio a figura. Não consigo distinguir por entre as brumas do inconsciente qual será o motivo, se será a sua vitoriana popa, se será o sorriso de contornos sacanóides, se será o maravilhoso tique de ombros, se será aquele seu bucólico amor à verdade verdadinha, não consigo descortinar, mas na realidade há ali algo que me faz aderir quase incondicionalmente (a meio caminho entre o efeito epidural e a massagem do couro cabeludo). Mas julgo que será até algo de objectivo, de índole racional, elaborado mesmo, arriscaria. Avancemos em formato avulso mas sem maçar com a exaustividade; o vídeo. Não vejo como é possível não se admirar alguém que conseguiu pôr o filho a dizer para a televisão sem se babar que adoraria ter o papá como presidente da câmara; pessoal! eu acho isto o máximo; por ...
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" Spellbound " (*) Ou variações em torno de dívidas e afins: Notas de pé-de-página: 1) o kitsch nublado é brinde; 2) os juros de mora acordar-se-ão a prazo. (*) Título de um poema de Emily Brontë
smsantologia [hors-série] Já uma volta déramos aos montes E em seu caminho o sol andara mais Do que julgara minha mente absorta. No meio do nosso caminho aceso Outra gente ao encontro desta vinha E suspenso pus nela meu olhar. Ali vi apressar-se dos dois lados Cada sombra e beijarem-se uma a uma Alegres, sem parar, na breve festa. Assim nas filas negras as formigas Uma com a outra juntam os focinhos Talvez pra perguntar qual o caminho. "Ó minha força, porque assim te afastas?" Comigo disse, pois eu já sentia A potência das pernas pedir tréguas. Nós estávamos onde não subia Mais a escada, estávamos parados Como uma nave quando chega à praia. Depois, quando essas sombras se afastaram Tanto de nós, que já não se avistavam, Surgiu dentro de mim novo pensar, Do qual outros diversos derivaram, E tanto entre uns e outros divaguei Que os olhos de tão vagos se fecharam E os pensamentos sonhos se tornaram. Dante, A. (1981). "Purgatório". In A divina comédia . Lisboa: Círculo ...
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Perdão?!?! Fonte: www.perles.tv
Arejando, à falta de problemas com celulite, casca de laranja e excessivo arredondamento de formas Um dos grandes contributos da teologia é ensinar-nos que é preferível andar com as calças na mão do que com o diabo à perna. A nossa condição comporta efectivamente alguns riscos, desde o mais óbvio de podermos chegar a não distinguir a existência de Deus no intervalo dos pingos da chuva, até ao limite de sermos levados ao encanto lírico-intelectual com alguma parvoeira que alguém tenha escrito em ‘letra botada em carreirinha’. Aliás, a literatura (nos seus mais variados e decadentes sortidos) tem-se comportado como uma evidência da degradação da espécie, senão vejamos como meros exemplos: enquanto aquela xaropada da Odisseia andava apenas de boca em boca ninguém desgastava o aparelho digestivo a elevar a mito os problemas hormonais da Penélope, e até antes dos evangelhos passarem a escrito, os primeiros cristãos ora eram comidos pelos leões, ora crucificados, ora feitos em churrasquinho,...
Teleonomias A arte do óbvio ululante (*) : insistir sem saber, sempre. (*) Nelson Rodrigues (1968)