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A mostrar mensagens de fevereiro, 2008
«Mervedev…Medrevev…Merdrvdev…uatever» (*) E hoje estou bastante inclinado a revelar-vos segredos avulsos da natureza humana. Geralmente a insatisfação sexual leva os humanos a falarem em excesso sobre sexo (o meu caso) ou a não falar nada (o meu caso), estando o famoso meio-termo apenas reservado àqueles que conseguem alegremente pinocar assobiando ao mesmo tempo (o meu caso). No entanto, o tema que neste momento está na ordem do dia no meu reduto familiar é mesmo a interpretação do 1º mandamento. Pois então, o piolho mais novo cá de casa há coisa de duas semanas introduziu esta improvavel temática na agenda doméstica com a solene, convicta e enfática afirmação: «eu não posso cumprir o mandamento de amar a Deus porque não sou gay». A partir de aí, toda a família, depois de olhar para mim com um sinal explicito e irónico de censura – sim, que 'rica educação' – tenta rentabilizar esta habilidade hermenêutica em estado bruto, no intuito de pôr à prova a minha capacidade (má fama) ...
every thing that grows When I consider every thing that grows Holds in perfection but a little moment, That this huge stage presenteth nought but shows Whereon the stars in secret influence comment; When I perceive that men as plants increase, Cheered and checked even by the self-same sky, Vaunt in their youthful sap, at height decrease, And wear their brave state out of memory; Then the conceit of this inconstant stay Sets you most rich in youth before my sight, Where wasteful Time debateth with decay To change your day of youth to sullied night, And all in war with Time for love of you, As he takes from you, I engraft you new. William Shakespeare, Sonnet XV
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Alta Competição #n Hoje, aquele instrumento de medição que nos reduz a um número, e que normalmente responde pelo nome de balança, pede-me para não fazer qualquer comentário sob pena de dar com a língua nos dentes. A, digamos, cobertura da exuberância dinâmica do gluteus medius aconselha-me igualmente a máxima discrição. Nós somos não só a nossa circunstância como a nossa circunferência.
The man in is own bubble #6 Hoje aquele jornal que Belmiro tem para lixar a carola ao Sócrates apresenta na capa uma dupla maravilha: o papo-seco e o prozac. Parece uma dupla de palhaços do circo chen, mas não, é a pura actualidade. Apenas lhe falta uma notícia sobre os efeitos secundários do viagra, e aí sim, teríamos o ramalhete totalmente composto. Efectivamente, não vale a pena rodear a questão, é de pila feita, relaxado e bem alimentado que o homem se realiza e está em paz com a sua natureza. Assim, se a uma crise no preço da tosta, acrescida duma crise no milagroso tranquilizador que nem se precisa de levar com um dardo no cu nem nada, ainda se somasse uma crise no segredo para prolongar a tesão para lá da idade em que Abraão deixou de ter forças para levantar a saia à dona Sara enquanto ela apanhava salsa nas margens do Eufrates, teríamos verdadeiramente uma bolha depressiva. A chamada Blue Bubble, como é designada pela nobre ciência da bubblítica, onde cumpre o mesmo papel que ...
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axé & déjà vu

Ministro de Substituição

Empolgado com o sucesso das suas medidas higiénicas no Ministério do nosso Educantamento, Sócrates instituiu o pacote: ‘ministro de substituição’. Seja um líder da oposição, um professor de religião e moral ou um traumatizado de Anadia, se por acaso se sentir na privação de aliviar a tensão na cara dalgum ministro, o simplex fornece um funcionário da lista de disponíveis do ministério da agricultura para efeitos de receber o profiláctico arreio na fronha, em nome do ministro visado. Haverá pois uma escala de disponíveis afixada em todas as farmácias de serviço, dando-se prioridade a quem já tenha sido apanhado a contar anedotas sobre marquises beirãs em ladrilho sépia. Garante-se o máximo sigilo, subsidio de alimentação e muda de roupa. Assim, todo o cidadão que verifique não ter nenhum membro do governo a jeito para um piqueno insulto técnico, aperto de genitália, ou mesmo uma calúnia que envolva vícios de índole sexual, poderá dirigir-se ao SAP mais próximo e solicitar ao médico de ...
Canónicas #11 «Marx mostrou que um sistema social pode, como tal, ser injusto; que, se o sistema for mau, então toda a integridade dos indivíduos que se aproveitam dele é mera integridade simulada, mera hipocrisia. Porque a nossa responsabilidade se estende ao sistema e às instituições que permitimos que persistam» de Karl Popper em ‘ A sociedade aberta e os seus inimigos’ , no capítulo sobre a Ética de Marx, ‘A Teoria Moral do Historicismo’… Nesse mesmo capítulo onde escreve que «se deve à influência de Marx, a Igreja ter ouvido a voz de Kirkegaard, que no seu ‘ Book of the Judge’ , assim descreveu a sua actividade: ‘aquele cuja tarefa é produzir uma ideia correctiva terá apenas de estudar, precisa e profundamente, as partes decadentes da ordem existente – e, então, do modo mais parcial possível, acentuar o seu oposto’»… Livro esse de Kirkegaard, onde – conforme regista uma nota na edição portuguesa da ‘ed. Fragmentos’, 1993 - ele também terá escrito que «a ideia correctiva de Lutero…...
Luna Park "You have come to listen to my thoughts about great subjects, and not my feelings about myself.", de Andrew Cecil Bradley (1851–1935)
Acreditares imaginados em roda livre (V) Um dia sugeriram-lhe que para rejuvenescer a sua fé teria de passar de vez em quando uma temporada sem Deus. Para lhe vir a sentir a falta, supunha-se, testando assim na fé as técnicas mais básicas do amor humano, para conferir se a falsa leveza afinal poderia pesar como chumbo. Mas quais seriam as condições para aceitar aquela prova, sabendo ele que nem todas as excursões fornecem percursos de regresso. Uma coisa era certa, a fé em Deus prega mais partidas do que a indiferença, é muito mais exigente do que qualquer moral ou ética pública ou privada, e pede mais freios e contrapesos à alma e ao corpo do que um liberal encartado a um governo de iluminados. Quando numa primeira fase clássica de aproximação táctica se decidiu a pôr Deus no scrabble, entregando-o ao destino traçado por vogais e consoantes tiradas do saco, viu que o seu Deus se safava bem no desafio dos jogos de paleio e, ao cardápio das omniências , ainda teve de acrescentar a prerr...
Mas o Moutinho parece que se deita a horas Procuram-se subsídios para aforismos que incluam as palavras Farnerud, Celsinho e Caralhos os Fodam.
Luna Park (work in progress...) 4. «O excesso só tem um problema: nunca compensa decentemente uma falta.» 3. «A «excessividade» como 'forma de viver'... só de gajos doentes.» 2. «Todos temos os nossos 'excessos', nem que seja excesso de comedimento, o equilíbrio é um número de circo!» 1. «A 'excessividade' não é um desperdício... é apenas uma forma artística da magnanimidade.» Guy "le crayon ikea" Bruyère
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Linguadismo Morris Louis, 'Omega IV' , 1960, résine syntetique sur toile, Louiseana Museum of Modern Art, Humlebaek
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Ortopedismo 'Sem Título #3', Guy de Bruyère, tinta da china e pastel, Rouen, Fevereiro 08
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Ortopedismo 'sem título #2', Guy de Bruyère, lápis ikea e tinta da china, Rouen, Fevereiro 08
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Ortopedismo 'sem título #1', Guy de Bruyère, lápis ikea e tinta da china, Rouen, Fevereiro 08
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Hemmungslos ? © Guy Bourdin
Correntes de Tinta Guy de Bruyere era, desde sempre, um rapaz bastante organizado e agora chegara o momento de decidir a sua carreira de pintor figurativo. Solenemente convocou a sua amiga e primeira cópula técnica Isabelle Viallat, e comunicou-lhe que numa primeira fase recuperaria o action painting aplicado a coxas, conas e costas, no que seria o período dos 3C’s; posteriormente passaria a uma fase em que o corpo se ladrilharia expressionisticamente numa espécie de nicolas de stael para rabos flácidos e mamas descaídas, o período carnes frias, e atingiria a maturidade com dorsos masculinos em linhas soulageanas numa depuração de formas que caracterizariam o seu período mais rabeta. Tratava-se agora de decidir que forma apresentaria o seu primeiro período de decadência pictórica e formal. O seu amigo e rabejador residente da praça de Coruche, o berlinense Karl Pinoche, tinha-lhe sugerido uma espécie de revisitação Otto Dixeana, mas sem forçar tanto a pintura dos olhos para não levant...
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Plus les moyens sont limités, plus l'expression est forte (*) Soulages, P. (1956). Painting . Óleo s/ tela, 195 x 130 cm. Canberra: National Gallery of Australia. Sobre este seu quadro escreveu Soulages: "Painting" [1956] foi totalmente pintado numa única cor - negro. A variação tonal na superfície depende do grau de opacidade ou transparência do negro. É o contraste entre a transparência e a opacidade que cria o efeito de iluminação (uma iluminação que tem um carácter particular, um sentido particular)." [(*) Pierre Soulages em entrevista a Jean Pierrard, Le Point , 31 mars 2003, n° 1585. ]
Desmaker Corner Escrita Molotoff Acho que o Mário de Carvalho vai editar outro livro. ‘A Sala Magenta’. (É festa garantida neste blogue: desde julio verne - e descontando o caso patológico do nabokov - não há escritor que me irrite mais; a Inês Pedrosa comparada com este gajo até me parece uma Melvilla Faulkneriada). O enredo parece que é «sobre a relação sobremaneira equivocada e frustrante entre homens e mulheres» diz o próprio (?) ao ‘diário digital’. Poderá aproveitar-se como livro de boas sobremaneiras. Mário de Carvalho é aquele escritor previsível (semi-fetichado pelos humoristas profissionais e pelos críticos amadores na falta de bonecas insufláveis ) que está sempre a bater as claras e a açucará-las, mas nunca chega a tê-las em castelo. Por mais caramelo que lhe meta por cima, não compensa. Mas isto, com a torta de laranja que já está no frigorífico, amanhã passa-me.
Agora é só o tribunal da contas não me aceitar este post porque não está bem fundamentado A entrada de Aznavour – cantor que associo sempre a bolachas Maria molhadas em chá de tília, mas não tenho nada de científico que me subvencione esta associação - aqui no estabelecimento leva-me a ter de introduzir algum empopamento temático para compensar. Ora, tendo tomado conhecimento da vinda cá a Portugal dos The National, precisamente 2 dias antes do dia de nossa Senhora de Fátima, afigura-se-me apropriado descrever sinteticamente a épica madrugada em que os vi este verão no Sudoeste; note-se que há muito que tudo o que se passe depois da meia noite já entra na categoria épica da minha pacata existência, seja gamar bolo de laranja no frigorífico, seja ver o Prós e contras ( ouvir dondocas a contar idas ao ski é que já não consigo ouvir desde os tempos em que o Narciso Miranda foi secretário de estado, um homem que nesta altura podia perfeitamente estar à frente dum petroleira, se não mesmo d...
iútubingue
Fdp’s Hoje para descansar um pouco a pele de tanta bolha vou voltar a um tema que já aqui tinha abordado em tempos [Outubro de 2006] num tríptico de abstracto efeito: os ‘Factores Decisivos de Progresso’ - fdp’s. Na ocasião tinham sido bafejados pelo meu poder de síntese e diamantada análise a ‘iluminação & obstinação dos predestinados’, o ‘abuso de confiança’ e o ‘abuso da posição dominante’. Ora nesta Socratistia onde estamos gerundicamente vivendo, mais paramento menos paramento, [e onde o Timshel até descobriu, via Vitorino, também António, que a ‘sociedade portuguesa está a ficar mais igualitária’ – conceito, no mínimo, de fama duvidosa, note-se] tem vindo a instalar-se a - para mim já um clássico da ciência política e da gastroenterologia pediátrica - técnica do ‘fazer-o-que-tem-de-ser-feito’. Poderia dizer que se trata dum neo pragmatismo beirão, uma espécie de Williams-Jamesmismo enxertado a bolota, caracterizado por ‘quem sabe qual vai dar o melhor presunto não são os porc...
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'sheeping' news Sir John Everett Millais (1864). Parables of Our Lord - The Lost Sheep . Impressão em papel, único. Ilustrações a "The Parables of Our Lord" (London: Routledge), gravadas pelos irmãos Dalziel (140x108 mm). Londres: Tate Britain.
Luna Park «Um rebanho é considerado perdido até ao momento em que encontra uma ovelha tresmalhada» de Dimiter Anguelov, in 'Código Evidente' , ed. & etc, 1989
Fala proeminente «Virgem Maria! Estão aqui uma majestade e uma braguilha; ou seja, uma sábia e um tolo», o Bobo, em ' Rei Lear ', cena 2 , acto 3.
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teoria e prática da arte de bem pintar toda a gruta [©] Pintura da iconografia olmeca, gruta de Juxtlahuaca, estado mexicano de Guerrero. Período Epi-Olmeca, Pré-Clássico Médio. (1) [©] Precolumbian Art of Mexico, Prof. Elizabeth Newsome, UCSanDiego Libraries (1) A figura representa a cópula entre um humano do sexo masculino, de falo proeminente, e uma fêmea de jaguar.
The man in his own bubble #5 Outros dos fenómenos insuflativos que a realidade ciclicamente produz e rebobina é a ‘bolha clássica’, assim designada pois reflecte aqueles momentos em que, duma forma desproporcionada e elástica, se crê que tudo o que é realmente importante já foi pensado e revisto por aquelas civilizações das termas e da estatueta que bronzeavam o lombo no mediterrâneo oriental. Esta pustula pervetustus, como é conhecida no mundo restrito da bubblística, entranha-se por algumas franjas da sociedade e chega a não deixar um gajo mijar em condições pois está sempre a pensar como é que o Séneca ou o Platão sacudiriam a pila, ou como Afrodite se agacharia na mata. Poder-se-ia julgar que se trata duma bubble mainstreamica, uma espécie de hipe cíclica como umas sabrinas com malmequeres ou uma vaselina com sabores em spray, mas não, ela reflecte, em primeira instância, uma reacção tipificada de espíritos desiludidos com a monótona pendularidade entre o bacalhau à Brás e à Gomes ...
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you'll always have «sweet yolk»
The man in is own bubble #4 Quando se está no rescaldo de uma bolha especulativa, e se vivem momentos de incerteza, dá-se uma corrida aos chamados activos de refúgio, cujo exemplo mais representativo é o ouro, ou, mais recentemente, os fundos imobiliários baseados em vivendas de Rapoulas. A macrobubblítica também estuda este fenómeno, e já está bastante bem identificado o mecanismo de refúgio denominado de ‘bulle gourmet’, que se pode traduzir para a linguagem comum como ‘bolha gastronómica’, evitando, inclusive e saudavelmente, fazer boquinha-de-quem-chupa-pela-palhinha. A ‘bulle gourmet’ é um mecanismo que se desencadeia geralmente quando a love bubble entra em pré-colapso, seja por esvaziamento, seja por rebentamento, e consubstancia um processo de transferência de aplicações da luxúria para a gula, ou, para utilizar uma imagem mais didáctica: desinvestir na pila e investir na papila. A antropologia moderna revelou-nos que o homem é um animal que hierarquiza e gere as suas necessida...
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Alta Competição 5 O Gluteus Maximus avisa que agora não pode atender. Está com a bolha.
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com desconto dos dez tostões ( ® )
The man in is own bubble #3 Hoje por razões que as leis da previsibilidade humana explicam vou tratar da bolha que funciona em contra-ciclo com a bolha especulativa; trata-se da bolha romântica, ou 'love bubble', como é denominado esse fenómeno, no corpo científico, que eu em boa hora autonomizei da economia dos fluidos: a bubblística. Ora este fenómeno assemelha-se ao love boat mas com o mecanismo pneumático activado, ou seja, cumpre os desideratos do embeiçamento mas amortece melhor os choques do engate de proa. Quando se está perante um fenómeno de bolha romântica, o mundo transforma-se num grande pericárdio insuflado, indiferente às regras da oferta e da procura, como se vivêssemos numa espécie paradoxo de giffen permanente, ou seja, damos cada vez mais valor sempre à mesma coisa, chegando, nos casos mais polidos e extremos, à situação em que a membrana da bolha faz de espelhinho para dentro. O fenómeno bruni-sarko é o típico caso duma love bubble em formação, mas, neste ca...
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how much more than enough for both of us (*) (*) e.e. cummings, hate blows a bubble of despair into (Complete poems, p. 531 ® )
The man in his own bubble #2 Uma das bolhas por onde o homem pode ter de passar uma temporada ciclicamente é na bolha metafísica. Deve ir bem ataviado, avisa-se, farnel criterioso e roupas largas por causa das azias e dos suores. A bolha metafísica insufla geralmente nos momentos em que há um crescimento galopante da potência do ser e que não é acompanhada pelo acto. Eu desrodriguinho a coisa: ponhamos um homem que esteja a pensar que não foi feito para aquilo em que o mundo se está a tornar, que ele é bom demais para isto, que a realidade não o acompanha como deve de ser e, no limite, não o merece. Assim algo entre o [renúncia quaresmal] e o [renúncia quaresmal]. A primeira fase da bolha dá-se ainda no seio dum processo de socialização normal; geralmente o mercado incorpora sem problemas de maior os primeiros indícios de arrogância calimérica, mas a insuflação torna-se irreversível quando aparecem os sintomas de desafio à divina providência e às lei da gravidade psíquica; é nesses mom...
The chewing gum world (ou the man in is own bubble #1) (Se bem que eu e o Neanderthal sejamos autênticos enclaves na história da evolução) Hoje a minha mioleira equipara-se praticamente uma posta joaomirandeza, ou seja, estou com tantas e tão cristalinas ideias sobre todos os assuntos, que o mundo, com ou sem mão invisível, parece que se me insufla que nem um soprador da marinha grande depois duma injecção de cortisona adrenalinada. Na impossibilidade de promover a invasão dum país vizinho, ou mesmo de inaugurar um novo programa espacial, em ambos os casos porque já tenho um almoço marcado, serei forçado a adiar uma nova revolução francesa para depois do lanche. Queria no entanto deixar já devidamente salientado que estamos a viver entre bolhas, ou seja, nuns dias temos a bolha imobiliária, noutros a bolha especulativa, noutros a bolha chinesa, noutros a bolha de ozono, noutros a bolha extremista, noutros o que der na bolha de um gajo mais iluminado do que a média dos descendentes do ...
Com mais verba faziam-se uns alexandrinos com epanadiploses Editorialmente isto hoje pedia uma assertiva deambulação sobre os desígnios de dona inês, mulher apessoada e toda pedrosa, nova merchandizadora da tshirt do desassossego. Mas, acabei de decidir há poucochinho - se bem que com uns dias de litúrgico atraso - a minha renúncia quaresmal vai ser à má língua e ao despudor, o que relegará este tasco para o bas fond da escrita fina e encaracolada. Estou efectivamente bastante talhado para enxovalhar cirurgicamente certos exemplares do género humano, alcançando mesmo nalguns dias produzir mais recalcamentos do que certos libidos de casquinha, e, por isso, não me vai ser fácil elaborar considerações decentes sem produzir um mínimo de efeitos colaterais em terceiros devidamente seleccionados. Sempre considerei o direito ao bom nome uma manifesta inferioridade da nossa condição, certamente um legislalismo de homo sapiens com problemas de dicção, e a devassa – sistemática ou esporádica - d...
Um sistema judicial a criar excêntricos « Eu tenho um código de processo que é um livro de palpites ». Desta vez foi um tal de juiz em Évora. Orlando, parece-me, mas não virgínio no que concerne. (Infelizmente está a dar-me o sono e já não consigo dissertar em termos sobre o olhar cândido que Mizé Morgado acabou de lançar sobre Bexiga. Se me olhassem assim até me enfiava numa próstata)
Canónicas #10 «Pois, somos como troncos de árvores na neve. Aparentemente jazem lisos, e com um pequeno empurrão conseguiríamos movê-los. Não, não se consegue fazê-lo, pois estão firmemente ligados ao solo. Mas, vejam, até isto é aparente.» F. Kafka, in ‘ Reflexões ’, 1912
mas se quiserem considerar este blog um guarda-fatos, disponham « não se pode transformar uma frase num cabide » de Maria José Morgado, agorinha mesmo. (essa mulher de quem eu me habituei a gostar ao mesmo tempo que iniciei a minha degustação de uns queijos de proveniência dúbia que comprei no lidl - que é uma espécie de laborinho lúcio, mas em forma de discount - que abriu ali no alvaláxia e que comprei no intervalo daquele filme em que a menina chaves, enfim, fazia de soraia, se bem que os pistachios também não estavam mal; se bem que, note-se)
Primárias no Estado de Robbialac Obama vai cada vez mais apanhando o jeito de Kennedy com viochene, Hillary parece cada vez mais loira para se afastar do paradigma lewinskico, e McCaine, que tem cabelos brancos desde o doze anos, notam-se-lhe muito os dentes amarelos.
Vulgatas & Pentateucas Tirando s. joão baptista o novo testamento não apresenta personagens com biografias que possam ombrear com os grandes figurões do antigo testamento. Aqui quase todos poderiam ser capa de revista, mas ali praticamente tudo se passa entre enjeitados e mal afamados, gente que sem Jesus não se destacaria sequer num livro do êxodo em banda desenhada. O cristianismo é por isso desde o início pensado para desbiografados e não cumpre os requisitos mínimos para interessar personalidades cravejadas pela singularidade e pelo deslumbramento, e muito menos pela brilho da razão iluminada, tirando o seu parabolismo literário de belíssima serventia para salões de chá ou de wisqui. Sendo igualmente mais sóbrio em sentimentologia e grandes caminhadas, o novo testamento pouco inspirou sequer as ciências mais dadas ao coração, seja na sua vertente mais vascular, seja na mais colorida, mas, por outro lado, especializou-se a descrever as irracionalidades dum carpinteiro-protoanarq...
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Warm up 'Há ainda imensas coisas para dizer' (*) 'In the Tepidarium' , Sir Lawrence Alma-Tadema, The Lady Lever Art Gallery, Liverpool (*) in 'Em Carne Viva', de David Grossman, pg 137
cara ou coroa Em Descartes e Atlan encontra-se o conceito de moralidade provisória , em Sartre a prática da moralidade temporária .
Vulgatas & Pentateucas, sa O Antigo Testamento tem tendência a ser bastante sobrevalorizado, tanto literária como teologicamente, mas, definitivamente, nunca conseguiu, de forma genuína e estável, nem aproximar ninguém decentemente de Deus nem, muito menos, engatar uma miúda – em condições. Regra geral um cristão gosta do Antigo Testamento depois de ter cometido um pecado de venial intensidade à luz do catecismo e simultaneamente tem pouca pachorra e vocabulário para o confessar a intermediários vestidos de saiote comprido e sibiladores de consoantes. Ou seja, o Antigo Testamento é uma espécie de reserva ecológica para cristãos com problemas de articulações nos joelhos e pila curiosa. No entanto, quero relevá-lo aqui nesta singular instância, esse seu papel de refúgio teológico deve ser bem preservado, pois nenhuma alma saudável aguenta uma fé que não possua uns escapes oficiais de consciência. Jesus disse que «não veio trazer a paz», e, já se sabe, como diz o povo, em tempo de gue...
Canónicas #9 «nos nossos dias, tudo parece estar prenhe do seu contrário», K. Marx, num discurso para o ' People's Paper ', Londres 1856
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Assim como quem não quer a coisa ( * ) porque, na verdade, tenho bem mais que fazer.
Secção Lucas «Trata bem dele e o que gastares a mais pagar-to-ei quando voltar» Sobre a entrevista infrapostada do tal de Finkielkraut, ( desconheço qual é a erva que o gajo fuma) e que aqui foi colocada pela secção culta - e inclusivamente com pergaminhos científicos - deste estabelecimento, gostaria apenas de reflectir que para o barbotement dans la bassesse, sem prejuízo de já haver umas maquinetas para o seu desbaste, continuo a recomendar uma mistura de lãzinha com 10% de fibras artificiais, género acrílico, para evitar esse flagelo do borboto, seja ele mais na bassesse, seja mais na zona do decote. No que concerne à l’obscénité tranquille não me pronuncio, pois praticamente só digo palavrões quando me enervo, ou me trilham as virilhas, mas já em relação à connivence régressive é algo que se resolve perfeitamente com um daqueles connivences suiços que até se vendem no rossio, coisa que, por sinal, nem foi necessária ao bom samaritano; bastou-lhe azeite e vinho. Todos nós, por ...
"Et il y a du nouveau sous le soleil." "L’écran, qui envahit tout, est lui-même envahi par une nouvelle caste dominante qui se croit libérée des préjugés bourgeois, alors qu’elle s’est affranchie de tout scrupule et dont les goûts, la langue, la connivence régressive, l’hilarité perpétuelle, l’obscénité tranquille et le barbotement dans la bassesse témoignent d’un mépris souverain pour l’expérience des belles choses [...]." Alain Finkielkraut, em entrevista a Catherine Calvet e Béatrice Vallaey, Libération , 26 Janeiro 2008
Este blog ‘enquanto narrativa mobilizadora da experiência orgástica de matriz masturbatória’ ® O grande chefe Verga Aprumada tinha visto ao de longe, no ondular da pradaria, a princesa Entrefolho Leve. Entre o fogacho duma silhueta e o suave odor a bosta de bisonte, Verga Aprumada sentiu imediatamente percorrer-lhe a medula uma corrente eléctrica de voltagem indefinida mas propiciadora de coreografias iconográficas ® com o regime trifásico em pontas. Entrefolho Leve pressentiu que estava a ser observada, possuía aquele dom, tão feminino quanto burocrático, de adivinhar segundas e terceiras intenções até no sentido do vento, e construiu a pose desentendida que apenas está ao alcance de agentes secretos e de caixas de supermercado. Verga Aprumada em pouco tempo perdeu a noção de onde estava o arco, mas, em contrapartida, sentia flechas a saírem-lhe por todo o lado e, não fora um arbusto aí cirurgicamente colocado quando john wayne fez uma mijinha apócrifa na rodagem do ‘rio bravo’, não l...
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causa & efeito #n © random caribou Se bem me lembro, diz a 3ª lei de Newton que «quando dois corpos interagem, a força sobre o primeiro é igual em módulo, mas de sentido inverso, à aplicada no segundo».
Canónicas #8 «Não aceites que te concedam um direito que estás em condições de conseguir à força», F. Nietzsche, in ' Assim Falava Zaratrusta ', 1883
E se calhar eu também não escrevia um romance histórico. Basicamente D. João não tinha casado com dona Filipa de Lencastre mas sim com uma prima que era cozinheira em Azeitão e vendia tortas para fora. Assim, em vez da ínclita geração acabaram por parir 5 moços dados ao folguedo e à comezaina. O Pinhal de Leiria foi transformado, não numa reserva de madeira para barcos, mas sim numa grande zona protegida para piqueniques, o que incentivou a primeira importante descoberta nacional: a tarte de pinhões com castanha e mel, e que assim inaugurou as exportações portuguesas para Europa, em troca do famosa perna de vitela de edimburgo, do leite creme e das camisolas de gola alta. Vai daí Fernão Lopes escreveu as suas famosas crónicas ‘como amaciar as claras em castela’, e um tal de Camões, que perdeu um olho com uma fagulha que lhe saltou dum churraso na Marinha Grande, escreveu o primeiro catálogo de promoções de fim de semana da agência Bartolomeu Dias. O país vivia assim alegremente entre o...
Primeiro Ministro de Favor: procura-se {3} A associação portuguesa de cronistas e comentadores procura 1º ministro que faça o favor de lhes responder apenas a eles e que não ligue a jornalistas de investigação que são, como se sabe, a casta mais baixa desses profissionais que superiormente distinguem o que as pessoas gostam, e precisam, e devem saber, e que, sem eles, o mundo seria uma espécie de idade média mas sem os bonecos do cocanha . Dá-se prioridade a trabalhadores por conta de outrem e pila casta para não ser necessário estudar sobre offshores e doenças feias. Os candidatos devem enviar declaração de princípios com todas as informações sob o formato de percentagem do PIB e fotografia autenticada dos filhos ilegítimos e dos azulejos da casa de banho. Procura-se assim evitar que o sofisticado analismo político português venha a sofrer uma opa hostil da ordem dos engenheiros ou da revista maria.
Primeiro Ministro de Favor: procura-se {2} País com razoáveis pergaminhos históricos, que incluem um guerreiro entalado numa porta, uma padeira libertadora e um traidor pendurado pela janela e que, inclusivamente, não ostentou na sua coroa nenhum monarca exuberantemente paneleiro, procura para 1º ministro de favor, um/uma cidadão/ã com boa aparência, que respire pelo nariz, de curso universitário entre sorborne (não confundir com suborne) e lovaina, e com conhecimentos em touro mecânico na óptica do utilizador. Pretende-se que incorpore e dê a cara por uma equipa sólida e repleta de iluminados mas a passar uma crise de abat-jours.
Primeiro Ministro de Favor: procura-se Sócrates começando a constatar que estava a gerar fortes incompatibilidades com o país que superiormente dirigia, mas, ainda assim, sabendo-se portador dum desígnio que levaria o seu povo mais alto que o Penedo da Saudade, decidiu que teria de passar um pouco mais para a sombra e encontrar alguém que desse a cara e o currículo por ele, mantendo o povo e os jornalistas de turno mais amansados. A primeira e mais natural escolha seria o seu amigo Vara, só que este agora estava ocupado com a esfregona a lavar offshores, chegou a pensar numa catequista que teve em criança e que lhe tinha ensinado que não se devia invocar o nome dos poderosos em vão, mas acabou por escolher um duovirato que tão bons resultados já lhe tinha propiciado: 'Pinho & Lino'. Apesar de aparentarem uma marca de pronto a vestir, desde que esta dupla se tinha calado e baixado o nível técnico de gaffes que, ele, Sócrates, nunca mais tinha tido descanso. A ausência das ca...
Canónicas #7 «Temos de adoptar a opinião de que exigir que tudo o que nos passe na mente tenha também de ser do conhecimento da consciência é fazer uma exigência impossível» S. Freud, in ‘ O inconsciente’ , 1915
Eu cá, e mais meia dúzia de gajos parvos, até votei Santana Sociologicamente a eleição de Sócrates demonstrava um povo de perfil auto-flagelatório, bem talhado para aceitar lideres de carismas forjados em abstinências rústicas, e poses banhadas a tiques de acutilância de feira (a par do outro extremo bem acolhido que são os gordinhos bonacheirões - leia-se soares e guterres. Psicologicamente, essa mesma eleição e aparente condescendência, revelava, e continua a revelar, uma maior apetência para aceitar o chicote e a pseudo-competência de quem está embebido de barracadas sobre barracadas, mas que, pelo menos, não vai a bailes, nem aparece com miúdas bronzeadas nas revistas. A nossa inveja funciona a par da nossa memória: é selectiva. Um aldrabilhas parece sempre mais sério se fizer jogging do que se tiver fama de dar umas boas cambalhotas.
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um gajo destes podia perfeitamente chegar a secretário de estado (Capelle Notre Dame du Haut, Le Corbusier, Ronchamp)
Ler com as ' vogais articuladas na parte de trás da boca para que o som destas seja trazido para diante' . Cuidado para não trrincar a língua. Ângela (mas a Merkel, não a do cinematógrafo) queria fazer uma märquise nova na sua vivenda com vista para o lago Chiemsee e lembrou-se logo do seu amigo engenheiro José S. para lhe fazer o projecto. Vai daí telefona-lhe (ainda tinha a número desde a cena do referendo) e lá se entendem em alemão técnico: Ângela – José, que bom ouvirrr-te, querrrrido. Ainda fazes aquelas märrrquises forrradas a azulejos com desenhos da casa de banho da mesquita de Marrraquexe? José – Parrrra si tudo, Ângela, querrr perrfil em alumínio, ou em madeirrrrra? Ângela – Eu de perrrfil também já não beneficio muito, olhe tanto faz, se lhe derrrrr mais jeito pode fazerrr mesmo de frrrente. José – E diga-me querrrida, a sua frrrente está virrrada a sul, ou a poente? Ângela – Olhe, José, deve estarrrr virrrrada a poente, porrrque à minha märrrrquise já ninguém lhe t...
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Les Très Riches Heures du Duc de Berry (XVe siècle) - Février * - © Musée Condé - Château de Chantilly * Séc. XV, Anónimo, por vezes atribuído aos irmãos van Limburg que terão pintado apenas Janeiro, Abril, Maio e Agosto