O amor em tempos de acordos
Para os devidos efeitos. Dar-nos-emos sempre bem nos dias úteis pares e aos fins-de-semana discutiremos as miudezas que não interferem directamente com os temas religiosos ou hormonais. O amor é subentendido, assim ficou indizível e claro desde o início; quando for facilitador, por mim tudo bem põe-se no tablier, se atrapalhar fica da bagageira. Fixemos então o comportamento dos dias ímpares. Reclamações aos dias 15 e se coincidir com a lua nova temos direito a insulto sem pré-aviso. É o tal poder libertador do insulto, e se estiver previsto nem magoa nem nada, a técnica tem essa coisa boa da amoralidade que nem sequer desmoraliza. Nos dias de nºs primos podemos testar o sexo alternativo, aquele tipo de sexo em tempos de cólera nos quais tudo é de vida ou de morte. Nesses dias não nos falamos, um sisudo erótico, se houver algo para dizer será por mail ou whatsapp; sms, não, isso é coisa de excitação doentia, de namoradinhos com coleira, e mútuas estimações não estão no nosso âmbit...