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A mostrar mensagens de novembro, 2015

O amor em tempos de acordos

Para os devidos efeitos. Dar-nos-emos sempre bem nos dias úteis pares e aos fins-de-semana discutiremos as miudezas que não interferem directamente com os temas religiosos ou hormonais. O amor é subentendido, assim ficou indizível e claro desde o início; quando for facilitador, por mim tudo bem põe-se no tablier, se atrapalhar fica da bagageira. Fixemos então o comportamento dos dias ímpares. Reclamações aos dias 15 e se coincidir com a lua nova temos direito a insulto sem pré-aviso. É o tal poder libertador do insulto, e se estiver previsto nem magoa nem nada, a técnica tem essa coisa boa da amoralidade que nem sequer desmoraliza. Nos dias de nºs primos podemos testar o sexo alternativo, aquele tipo de sexo em tempos de cólera nos quais tudo é de vida ou de morte. Nesses dias não nos falamos, um sisudo erótico, se houver algo para dizer será por mail ou whatsapp; sms, não, isso é coisa de excitação doentia, de namoradinhos com coleira, e mútuas estimações não estão no nosso âmbit...

Bolchachada

Marx teve a revolução industrial, Lenine teve a guerra e ao coitado do Jerónimo só deram a austeridade. Assim o que pode mais ele fazer? Já leu outra vez 10 vezes o livrito do Chernyshevsky e nada, nem uma ideia de jeito. Apareceu-lhe então Costa, vestido de Kerenski – em modelo homem - mas com umas falinhas mais mansas, suportá-lo-á como merece um menchevique requentado, que talvez ainda se faça, depois logo se vê, uma minoria é sempre uma maioria em potência - é a dialéctica, diz-lhe o teórico de turno. Sim, tem de haver sempre um especialista em materialismo histórico pronto a ajudar quem depois tem de dar a cara à Judite de Sousa. É a cassete, já sabemos, mas tem de parecer sempre como uma espécie renovada de ‘Libertação do Trabalho’ , não a que estão a pensar, não, é a do Plekanov que já quase nem aos livros de história pertence, coitado. Coitados também dos Kamenev, Zinoviev & Bucharines, mas por outras razões. Quais razões? Ah vocês sabem. Divago (sem trocadilhos com Ji...

Summa Pathológica

O amor pela desigualdade é algo difícil de alcançar sem se cair na armadilha da excentricidade. Ninguém gosta de ser igual a toda a gente mas poucos gostam de ser tratados como diferentes, porque diferença é geralmente diminuição e alienação. Por regra somos seres desinteressantes, demasiado centrados em nós próprios, incapazes de nos abstrairmos das condicionantes básicas da nossa singular existência, generalizantes compulsivos e exceptuantes bacocos. Fazemos da previsibilidade a nossa maior virtude e suspiramos pelo reconhecimento alheio com a mesma candura que exigimos misericórdia pelos nossos erros, à qual chamamos justiça. A religião é uma secreta arma que sacamos em momentos de matemática mais complicada mas que descartamos logo na primeira oportunidade em que nos aparece um ás na mão, vindo eventualmente da manga. Todas as revoluções foram até agora um desperdício e espremidas deram um suco meloso a que chamamos liberdade aprisionada pelas pírricas instituições. Ning...