Istépraticamentumpostanalisepolitica ( rima em escadinha a descer) O Outono poderá não passar dum verão decadente. Vou por isso deixar cair aqui, assim de repente, um post que caiba na cova dum dente, mas que é como se fosse um presente para uma alma nunca ausente: Um bom manipulador tem nas mãos o número de dedos que quiser
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A mostrar mensagens de setembro, 2004
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O Outono é também a estação da razão. Mas nem toda a folha que cai é fruto duma estruturada poda. Muitas vezes até se deve mais à precipitação da posição. Ou até à mera gravidade da situação. Hoje, está visto, deixei o kamasutra e passei a Newton , ou melhor dizendo, a um novo tom . (Cantinho do desfazedor arrogante: já repararam que com este título até já se fazia um post jeitoso nalguns blogs mais iluminados pelo sincretismo. Aqui para compensar o deserto de ideias tem de se fornecer um texto de brinde) Agora então um post com cabeça, tronco e membros. Não me responsabilizo pelo resto dos apêndices. Outra coisa sobre a qual também é muito fácil escrever ( para além de sexo) é sobre política e actualidade. O percurso é simples e é este: Tudo se resume à questão de começar por explorar aquela coisa que parece sempre existiu mas que, foi-se a ver, ainda teve de ser descoberta que é a “perspectiva”. Acho que todos podemos ter uma e até em conta, e não a devemos desperdiçar, toca pois a u...
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Isto é para despachar já o assunto: o Outono em forma de besunto A coisa mais fácil que existe para escrever são textos eróticos. O corpo, o sexo, o desejo, a carne, a excitação, a pele, as curvas, a cor, o cheiro, as obscenidades, as posições, o contacto e a falta dele, o explícito e o implícito, o sentido ou o mecânico, o proibido ou o assumido, o insinuado ou o apalpado, são tudo coisas que se prestam com demasiada facilidade ao corridinho das palavras. A exposição do sexo (ou da sexualidade se quisermos ser mais finos) como tema ou como experiência é uma das muitas futilidades em que se concretiza essa actividade também fútil que é escrever. Perdida a função de provocação teórica, de satisfação da curiosidade, ou da excitação psico-somática, a escrita erótica soa-me sempre a pura banalidade quer venha disfarçada de lengalenga poética, quer venha disfarçada de corruptora científica de convenções, quer venha disfarçada de inebriadora de consciências ou despertadora de inibições, ou o...
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Outono em Berlim. As bolas é que foram para Pequim. Nem toda a gente as pode ter no sítio O Outono vende-se muito bem. É como os homens que se vendem a si próprios bem melhor do que as mulheres. O Outono a seu dono. Não me conhecem, mas lá está, eu sou aquilo que se costuma chamar uma jóia de rapaz. Não se encontra assim, não, sou um achado pode-se mesmo dizer. Sou aquela coisa que se planta no enxerto do homem bom com o homem de confiança. Não, não se apanha em qualquer par de dança, e nem é fácil de descobrir parecido ali ao dobrar de qualquer esquina. Sou mesmo coisa fina, até poderia dizer, se quisesse rimar, mas não quero, apenas vos quero enganar. Mas tenham cuidado pois posso vir a deslumbrar, e assim de repente, não estou a encontrar o melhor repelente, mas eu se fosse a vocês até me deixava ficar, é que eu estou apenas a tentar-vos agradar, não vos quero fazer mal, afinal de contas sou inofensivo, que não é o mesmo que ser defensivo, por isso é que se deve desconfiar das “term...
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Outono rima com abandono. Bela merda de rima. A única mulher que abandonou Picasso foi Françoise Gilot, que ficou para sempre como a sua “mulher – flor”. No primeiro dia em que lhe pediu para que se despisse ficou a observá-la durante mais de uma hora sem tocar em nenhum pincel e mais tarde chegou a dizer-lhe que “ todos nos parecemos com um animal menos tu ”. Picasso não suportou bem essa "derrota" mas já há algum tempo que tinha encontrado em Jacqueline mais uma substituta “servil”; para Picasso as mulheres eram meras utilidades. Mas o que é um “facto” é que apenas a mulher sabe abandonar. O homem quanto muito deixa, não desenvolveu tão bem essa crueldade da ordem do definitivo. O homem é apenas outonal, viverá, no extremo, apenas deixando cair, enquanto que as mulheres: ou dependem ou desprendem. Ou são flores ou são icebergs. Ou são as duas coisas. Porra, já ando às voltas. Picasso teria dito a Francoise que ela era a “ única mulher que tinha conhecido que tinha a janela ...
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A opção era outono, ou tino. Escolhi outono. Não sei se terei feito bem ( durante esta estação há fortes possibilidades deste desterrado blog se ir erraticamente dedicando à empolgante e originalíssima guerra dos sexos; será tudo a bem duma saudável queda da folha) Hoje é especialmente dedicado a alguém que esteja ainda “segurando o queixo” enquanto “pressente” cabeças ditas “inconhecíveis”. O Marquês de Sade logo no início de “Eugénie de Franval” “ ( 1) pergunta-se: « será possível tornar detestados semelhantes desvarios se não tivermos a coragem de os mostrar a nu?» preparando-nos para a “novela trágica” duma relação incestuosa. Mas deste livro fica-me como imagem mais marcante a capacidade de perdoar no limite de uma mulher: (referindo-se à Sra de Franval, mãe de Eugénie ) « Ela desculpava-vos..., rogava ao céu por vós..., pedia sobretudo o perdão para a filha....Como vedes, homem bárbaro, os últimos pensamentos, os últimos votos daquela a quem dilaceráveis eram ainda pela vossa fe...
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Este não é um post sorumbático O Outono não é de muito boas rimas, mas eu cá me hei-de arranjar. A natureza pode amarelecer mas não é sinal que esteja a enferrujar. E como as árvores se vão começar a despir, talvez seja o momento de olhar bem para o sexo dos dias. Não sei como era o Outono no Éden, mas calculo que maçãs não haveriam; Adão olharia para Eva, achar-se-iam estranhos, se calhar, mas sorririam. Deus não gosta de surpreender. Mas gosta que vivamos surpresos É também por isso, que há homens e mulheres. Pelo menos foi o que Ele me disse.
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Estéumpostàspartes Parte 1 Merecer é muitas vezes um verbo vazio. Mas também não é propriamente um verbo de encher. É essencialmente um verbo que não se merece a si próprio. Parte 2 Sentir que precisamos de pedir que confiem em nós é duro. Mas continuo a achar que se deve pedir. Mesmo correndo o risco de não se obter uma “resposta de confiança”, mas vivendo na confiança de que haverá uma resposta. Boa. Boazinha, vá. Parte 3 A necessidade é um conceito invasivo. Às vezes difícil de suportar. Mas eu gosto dele. Posso até aleijar com ele, tenho a consciência disso. Pode dar um nózinho, não é? Mas o que aperta, em princípio, segura.
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.... e ainda de bónus uma segunda dose mais para desopilar; o dicionário não ilustrado de novo nos lugares imaginários nas entradas 879 a 885 A Classe média – Figura sempre desprezada pela geometria euclidiana mas que afinal se veio a descobrir estava encavalitada entre um PPR e uma taxa moderadora A Europa – Mero recalcamento duma grande Pangeia. Revela-se regularmente em pulsões burocráticas, registam-se recorrentes neuroses de fronteira, e nalguns casos mais perdidos chegaram a verificar-se psicoses de tradição. A Civilização ocidental – Espécie de figurino cultural que mais não passa da sofisticada teorização sobre o uso de cuecas, calças e camisas; gravata opcional. Mas afinal chegamos à conclusão que quanto muito somos uns eros de chanatos . O Orçamento – Passarele pouco iluminada de “deves” e “haveres” que se mostram vestidas com poucas transparências mas muitos folhinhos. Aproveitam-se os deco(r)tes. O Sistema educativo – Sonhado aparelho ao qual os pais ligariam os filhos t...
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Os lugares imaginários povoam toda a literatura, havendo inclusivamente muita dissertação sobre o tema. A nossa condição também se encarregou de ir criando os seus, mais ou menos sofisticados. Será falando dalgumas coisas e dalguns lugares imaginários que hoje o dicionário não ilustrado volta às lides. Primeira dose nas entradas 869 a 878 A Alma – ( apesar de já demasiado desbastada neste dicionário, “revelo” agora que também é...) Algo que vagueia sempre às cotoveladas com um tal de corpo, mas vivem os dois aquela fidelidade esquisita dos amantes que sabem não se conseguir separar, mas também sabem que um dia cada um irá para seu lado. O Coração – Convenção destinada a encafuar os sentimentos mais finos que não estão preparados para viver a céu aberto. O Inconsciente – ( já disse em tempos que era o “consciente mais in”, no entanto revela-se também como uma...) Espécie de cadafalso que só não soa a falso porque quando se lhe toca ele dá cada chio que só visto. O Calcanhar de Aquile...
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Treinos para o juízo final ou a história duma bênção inteligente em dia de aniversário Andava ali um menino, um bocadito sem eira nem beira, rogando uma bênção em cada esquina, fingindo ser um traquina, mas nada, até já tinha perdido a esperança, foi então que lhe veio à lembrança subir mesmo ao monte dos deuses, podia ser que ainda tivessem poucos fregueses e que lhe dessem alguma atenção, quem sabe até uma perene benzedura, porque não há fome que não dê em fartura. Só que à porta apareceu-lhe logo um figurão sem debilidades no artelho «Eu cá sou o Hermes, o que é desejas ó fedelho» e este ainda assarapantado com a inesperada recepção foi tomado pela confusão e soltou-se-lhe a língua qual desalmado cordel «mas tu tens quase nome de doença de pele, será que não tens onde te coçar?» e deixou o “porteiro” pronto a espumar «olha ignorante desbocado, eu por acaso até sou bastardo, mas deixa que te frise, arruíno-te ao próximo deslize» o menino tomou consciência de que não estava em posiç...
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As novas mitologias emergentes Conversas pré-outonais e imaginárias pela encosta arborizada do monte Olimpífio Fatiníades (ninfa do saco azul) com Narcisco (guardião das traineiras do bom Jesus de Matosinhos) F - Narcisco, querido, vem para cá...eles não te merecem. Vê lá o que fizeram comigo, eu nem sequer matei ninguém; as nossas almas são doces como um figo, mas essas águas andam turvas e o Assis ainda ficou aí para as curvas N – Oh Fatiníades, ai que saudades eu tinha das tuas palavras amigas, do teu penteado sem espigas, da permanente sempre bem armada, e não há peixeira que não te admire aqui nesta lota abençoada. F - Narcisco, meu justo, as tuas palavras são o meu bálsamo. Corre, vem de trote para mim. Serás o meu Lot, e eu serei a estátua de sal que temperará o mal e te aliviará os dias N - Fatiníades, tu és já a minha inspiração mesmo de longe. Sobrevivo como um monge, com a saudade enlatada, e metido numa bela alhada F - Narcisco, que os novos dias te proporcionem uma abertur...
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Cantinho do desfazedor Noutro dia no Modus Vivendi escreveu-se (para dar um ar mais “diáfano” à coisa) um post intitulado “Regra de ouro” que dizia « Não se pergunta, seduz-se com inteligência e ternura em doses variáveis. Cria-se a oportunidade, esperando a benesse divina do desejo. Se não for fácil, nunca será desinteressante » Eu se calhar já não me devia meter mais com ela porque corro o risco de poder ficar a pensar que a estou a “perseguir”, no entanto, eu acho que este texto (que até julgo exprimirá uma ideia muito “típica” dum certo universo feminino) é um dos supra-sumos da estafeta olímpica das ideias feitas. E então.......aqui vai: Este espírito da eterna insinuação, de esperar as respostas sem ter feito as perguntas, que supostamente estaria subjacente a um relacionamento rico, inteligente e que valesse a pena, mais não reflecte que o medo próprio da nossa condição de reféns do “sentimento amoroso”. Só que perguntar é precisamente libertarmo-nos do empecilho típico do “orgu...
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I’m a material man Assim mais lá para o fim da tardinha vou ver a Madonna. Aos que ficarem em casa, depois de terem devidamente intelectualizado a razão do seu desinteresse no espectáculo da diva, recomendo-lhes como alternativa a audição da comunicação do senhor Bagão que fará ver ao povo que somos filhos duma Félix Culpa, e que por isso ficámos danadinhos para a brincadeira e para a despesa. Dirá que o Estado se gere como uma família e fará aforismos pseudo-pascalianos entremeados a responsos. Quando chegarem os comentários do génio Perez Metello, lembrem-se que eu nessa altura estarei na “Isla Bonita” senão mesmo já no “Borderline”. Quando aparecer o César das Neves bem podem gritar “Rescue me” que eu só lhes direi para se irem consolar com os vídeos apanascados do Morrisey. Se entretanto a floresta de comentadores se adensar em metáforas sobre a justiça tributária, como de costume certamente bem protegida duma folhagem de palavreado e incompetência, estou convencido que a leitura d...
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Allez enfants de la tricherie ensaio sobre a trapaça Há muitos jogos que só valem a pena porque a batota é bem mais saborosa que a vitória. De facto, o que realmente me motiva em determinados jogos é a batota. Sim, poder fazer batota e não ser apanhado é de longe o mais interessante em qualquer desses jogos. É-me absolutamente indiferente se a batota serviu para ganhar ou para perder, o essencial é fazê-la, fazê-la bem feitinha, é ter enganado os outros e ninguém ter dado conta de nada. Sejam olhinhos, sejam cartas marcadas, sejam agilidades de mão, sejam distracções simuladas, sejam cúmplices bem treinados, sejam convicções teatralizadas; não ser caçado e fazer o “golpezito” é de longe a melhor coisa que um jogo pode ter, e então ouvir dizer «mas como é que este sacana...» é uma verdadeira bênção dos dias. Não, não é o bacoco amor à subversão das regras, é o amor desinteressado ao jogo, ele mesmo, ao jogo de fintar a vitória desprezando-a e trocando-a por um prazer ainda maior, o amor...
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Dramas da continuidade «Inexperiência. Primeiro título pensado para A Insustentável Leveza do ser : «O Planeta da Inexperiência». A inexperiência como uma qualidade da condição humana. Nascemos uma vez por todas, nunca poderemos recomeçar uma outra vida com experiências da vida anterior. Saímos da infância sem sabermos o que é a juventude, casamo-nos sem sabermos o que é ser casado, e mesmo quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos: os velhos são crianças inocentes da sua velhice. Neste sentido, a terra do homem é o planeta da inexperiência.» de Milan Kundera in “ A Arte do Romance ” ...e não só nesse sentido; acrescentaria.
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E eu se calhar tenho mesmo de acabar com isto porque noto que não estou a conseguir conter –me. Diz o Avatares ( ora quem haveria de ser, pois! ): « Falo de uma geração nutrida por uma solidariedade transnacional e fortemente apostada na desestabilização trazida pela construção de uma "legalidade inesperada"» Se esta expressão toda era para descrever o “falo” de uma geração, eu então penso que estamos mesmo fodidos, Bruno. Vamos pois ao diálogo de gerações, se bem que eu pense – isto é quase pensamento antropológico, hem – que uma geração começa a destruir-se quando começa a ter consciência de si própria (mas isto é praticamente só um “suponhamos” disfarçado) Temos assim a tal “ Geração com Falo nutrido ” (G.F.N.) e a outra, a “ Geração amolecida no comodismo duma flacidez de ideais ” (G.A.C.F.I.), em diálogo: GFN – Nós vemos já o mundo como ele será, sem constrangimentos, sem privações ideológicas, o mundo será um convés e jamais o nosso coração será um contentor à deriva!...
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“Back is on. Somehow on” ...E eu que tinha preparadinha uma referência do E. Cioran (um rapaz também muito esclarecido) retirada da sua (penso) ultima entrevista (já lhe perdi o rasto): « A religiosidade pode ser tola, mas tem raízes muito profundas » (seguido de risos, segundo consta) e encaixava tão bem no último post, que agora fiquei desconsolado de não me ter lembrado, até porque isto de ser profundo tem muito que se lhe diga. Creiam-me. ...mas, vendo bem: dizer aforismos é apenas ir por aí afora. Mais vale estar quieto a dizer desaforos. Ou então ir desabafar. Nota: a expressão “ tem muito que se lhe diga ” utiliza-se principalmente quando não se sabe o que dizer.
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Desabafos dum crente ( em fase ) populista Não, acaba por não ser nada desse Deus pensado, filosofado, provado, ou reprovado, que eu gosto. Um deus assim até irrita. Desse Deus ninguém gosta, aliás nem sequer alguém acredita. Esse Deus só serve para ser contestado ou para vender livros falsos como se fossem atestados. Um Deus muito pensado fica soprado, inchado, e depois não escorre bem pela alma dentro, e então se chegou a entrar lá por aquele corredor estreito, é que só deixa mesmo espaço para o mero conceito. Ou pode ficar demasiado sólido, como uma carga pesada, e a alma mal se aguenta com tamanha empreitada. Ou então fica demasiado diáfano, tão esfumado que parece só lá estar a cumprir um fado. O Deus que eu gosto afinal é do Deus das beatas. O Deus dos desgraçados, dos que cumprem promessas fartas, o Deus que troca uma bisca de arquétipos pelo desfiar das contas dum terço, o Deus que nos embala num berço, que olha com encanto para a pieguice hipócrita dum penitente mal arrependid...
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Da Terrena Perfeição ( Título copiado, e texto “inspirado”, noutro do modus vivendi de hoje) Fui acordado com um sonho a meio, e brindado com esta manhã de chuva e quase sem cheiro, e eu que gostava tanto de ter saído, apanho com três aparelhagens misturando ruído, quase algebricamente somando a música dos “Black eyed peas”, da ”Pequena Sereia”, e doutra qualquer assim bem foleira, que nem deu para reconhecer, mas também só lá a pus para os aborrecer, e o raio do Tejo que daqui vejo não dava para colorir nem um presépio que fosse , e até agora só bebi um horrível xarope para a tosse, que nem ajuda a poesia a deslizar melhor, porque a cabeça não dá para tanto, é frágil como a pagela dum santo, mas as mãos mágicas que vejo são as dos meus filhos, quase se esganando à porrada como as tais nuvens numa trovoada, e tudo também acompanhado com algum verbo, talvez pouco rimado mas não menos engraçado. E agora vejo, fumo...fumo...só se for da minha mulher que está a chegar e então eu tenho de d...
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Às vezes tenho uma certa pena de pensar assim Nunca haverá um texto excelente sobre o aborto, nem sobre a vida, nem sobre a morte, nem sobre o sexo, nem sobre a droga, nem sobre o amor, nem... (*) Limitar-nos-emos sempre a dizer coisas mais ou menos engraçadas, mais ou menos sentidas, mais ou menos com sentido, mais ou menos enroladas. Lembro-me outra vez do que dizia Ernesto Sabato (quando “relatava” o seu encontro em Paris com E. Cioran): «Os problemas humanos não são aptos para a coerência» A política foi “inventada” para nos libertar desse fardo que é, muitas vezes, não sabermos o que fazer da nossa condição. Tal como as aspas foram inventadas para quem tem medo das palavras (*) e pensando bem nem sobre muitas outras coisas, e não deixa de ser por isso, é verdade, que não se deve pensar nelas
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O tema do “Regresso” já alimentou muita pieguice mítica (deve-me ter batido qualquer marreta na cabeça por causa desta coisa dos mitos, porque eu nem gramava isso até há pouco tempo) que é para não falar já das pieguices filosóficas, ou poéticas, no entanto, os tempos para muita gente são de regresso, desse conceito que até foi estragado pelo Direito numa espécie de regresso-“desforra”, desse conceito enublado pelo Sebastianismo numa espécie de regresso-messianófilo , mas que também foi recheado com as boas novas dos cheiros, dos sabores, e das cores vindos com as caravelas dos Descobrimentos (e esta referenciazinha melosa, hem!) numa espécie de regresso-lucro, desse conceito que deu fama e proveito ao Filho Pródigo numa espécie de regresso-perdão , e que, claro, pôs o Ulisses a ter de dar outra vez o corpinho ao manifesto para poder brincar em sossego às enfermeiras com a Penélope num regresso-saudade-descanso , já para não falar no Gilgamesh que acabou por resignar-se num regresso-...