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A mostrar mensagens de dezembro, 2008

Canónicas #12

«Os bons sempre foram o começo do fim» F. Nietzsche, 1883, in Assim Falava Zatarusta , trad. ed Guimarães .

por aí

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Constant (c. 1969) “New Babylon”. Aguarela e pastel s/ papel, 24” x 30.5”.

‘metafisica superata’

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Não adiro com facilidade à ideia de que a Igreja tenha responsabilidades na criação para além da salvação, - aliás na carola dum cristão que se preze nem se devia conseguir bem distinguir os conceitos - mas adoro as metafísicas superadas . E não sendo a abordagem ecológica do homem uma novidade absoluta, Bento XVI esteve fantástico no seu discurso, mesmo que ele possa ficar na história como o discurso da floresta tropical . Mas eu cá apanhava-lhe o balanço e juntava só mais uma metaforazinha com o amazonas: o Homem como sinuosidade. (não confundir com sinusite) .

Luna Park

«… e encostaram timidamente as faces. Os carinhos frugais são os mais bonitos, os mais calorosos, os mais eloquentes.» in Sinal de Fogo , 'Histórias de Amor', Robert Walser, Relógio d’Água, 2008 .

Luna Park

«A vida é extremamente complexa, e os acasos são, por vezes, necessários» Álvaro de Campos (FP), em entrevista ao jornal A Informação , a 17 Setembro de 1926. .

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No processo de google-patience que desenvolvi no post anterior confirmei até à exaustão que há milhares de mulheres bonitas, milhares de gajas com corpos de fazer estremecer a espinha e zonas adjacentes, milhares de poses que fariam abrir as águas antes que Moisés levantasse sequer os olhos aos céus. A beleza feminina tornou-se uma banalidade, a exposição da carne da fêmea perdeu o seu desígnio principal de máquina de tesão e fez o seu caminho de tentativa de transformação numa merda estética ao nível duma paisagem dos alpes. Mas a mulher como objecto perdeu a sua guerra: ninguém porá uma gaja boa na sala de jantar a concorrer com uma travessa de cantão. A mulher continua a parecer reservada para objecto de coração.

Para aliviar das mamas das claudias irinas

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2009 twelve not so obvious women to stay with us during the crisis. No fundo uma dúzia de escolhas para nos preocuparmos em conjunto. São tudo moças que preocupam muito bem, e assim evitam-se as bellucis, scarletes, therons & outras penélopes afins. Um pirelli alternativo. Janeiro Ashley Judd No início do ano teremos uma moça altiva a dar um tom de optimismo. Apresentando um U shape a tentar timidamente mostrar que se pode transformar num V shape. É uma carinha semi triste, mas dalguma forma dando a entender que com ela podemos atacar o ano de peito feito. Fevereiro Cate Blanchet Neste mês devemos fazer-nos acompanhar dum clássico de distinta preocupação, uma espécie de desencanto com pedigree. Cate desafiando os discursos da tanga com o discurso da rendinha. Março Emmanuelle Béart No ano de 2009 não haverá primavera como já foi anunciado. Março será pois um mês bastante triste, teremos muita tendência para nostalgicamente olharmos para o arvoredo sem flor, e nada melhor que uma ...

Madoff Show (III). Cozido à Portuguesa

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Temos que convir que a Madoffolhada é um golpe e peras. Homem respeitado leva à certa outros homens não menos respeitados , num esquema simplérrimo mas aplicado a valores milionários, só faltava mesmo o dinheiro ter sido benzido antes de ser todo perdido. Reparemos que a situação seria muito semelhante a um cenário deste género: o Ernani Lopes e o Medina Carreira montariam numa garagem um jogo do bicho destinado a amigos banqueiros & afins, que iriam lá uns dias por semana fazer uma espécie de overnight alternativo servido com pãozinho quente com chouriço. Certa noite sairiam os dois para o clássico comprar tabaco e dar uma entrevista na SIC notícias e…não voltariam. Gerar-se-ia a ansiedade, seguida de compulsiva vontade de mijar, e finalmente o pânico… Armando Vara – É pá, eles estão a demorar-se e eu apostei os PPR’s todos do banco… se calhar amanhã são capaz de me fazer falta. Manuel Pinho – Logo por azar hoje tinha apostado a Autoeuropa porque me disseram que já estava parada,...

Whatz happenede withe pescoço of Paulo Rangele

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Penso que todo e qualquer português a partir de hoje se devia considerar avalizado pelo estado. Todos somos praticamente sistémicos, - cheguei a tomar um anti-sistemínico porque me estava a dar para o pingo no nariz - e os lampiões até são pluribus uno e o caralho. Eu pessoalmente sinto-me a defaultar bastante quando subo um lanço de escadas, já a descer me custa menos. De elevador, menos ainda. Do colinho só tenho boas recordações. Regra geral dilacero um bocado se não confiam em mim, é o meu lado Narciso Miranda, concomitantemente solvabilizo benzinho e mantenho os rácios, nos dias santos chego a aparentar um triple A com pernas. Só estou aqui para tentar ajudar, podeis inclusive fazer todos de cigarra, que eu, mais o Costa, estamos com um formigueiro nas pernas, mas tudo bem.

Madoff Show (II). The Excel Game.

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Follow the links & let’s drink a Ponzi.

Financex appeal

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«…Entretanto, os movimentos internacionais de capital, que tiveram um papel perturbador na década de 1930, foram também limitados. O sistema financeiro ficou um pouco maçador mas muito mais seguro. E então as coisas ficaram outra vez interessantes e perigosas . Os crescentes movimentos internacionais de capital prepararam o palco para as crises monetárias devastadoras dos anos 90 e para a crise financeira globalizada em 2008…» Paul Krugman, hoje, no Público . Hummm.

Madoff Show. Inevitáveis: soma e segue.

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«We're still a long way from Eastern Europe of the 1990s or from the Latin America or Russia of the present. But maybe not as far as we think.» Anne Applebaum, (a tal que escreveu, note-se, The Gulag: A History ) na Slate.com

Hardpio

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Dou-me bem com a religiosidade miserável. Gosto de igrejas com gente sofrida, de pele enrugada, olhar escondido e pecados à flor da dita, apenas procurando carinho na madeira polida do genuflexório, e disponíveis para dar um bocado do seu braço por troca duma alma ainda na fase dos caboucos. Gente que dá uma na chaga e outra na cicatriz; não acredito em angústias limpas, dúvidas musicadas, teologias libertadoras, credos em cinemascope. Mas também gosto daquela pequena baba da hipocrisia, do esgar do escrúpulo, da gente que pensa conseguir lavar a alma com meia hora de cheiro a cabelos oleosos. No fundo o catolicismo adapta-se bem a gente, como eu, pouco esquisita. Gosto da parte estúpida da fé, da boca cheia de palavras de sentido e gosto duvidoso, do dogma desnecessário, da ameaça escatológica. O que seria da fé cristã se não pudéssemos pensar em Deus morto por nós na cruz enquanto desesperamos por uns bons pastéis de bacalhau. O que seria da fé sem a incompetência para perceber o mun...

Corrente

Era inevitável a trincadela de Adão, era inevitável a extinção dos dinossauros, era inevitável a queda do império romano, era inevitável a inquisição, era inevitavel a guilhotina, era inevitável o gulag, era inevitável 0 Eusébio ter ido para os lampiões, era inevitável o aproveitamento dos salários baixos, era inevitável a globalização, era inevitável a fome em África, era inevitável a desregulação financeira, era inevitavel a lixadela da camada de ozono, era inevitável a especulação com o petróleo, era inevitável o homem ir para a cozinha, era inevitável a bolha imobiliária, era inevitável o salvamento dos bancos. Melhor que o inevitável só o óbvio. .

A case of you

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Just before our love got lost you said / I am as constant as a northern star / And I said, constant in the darkness / Wheres that at? / If you want me I'll be in the bar Joni Mitchell

Programa Guantanasmus

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Sócrates (eng), desiludido com o programa Erasmus desde que uma estudante Finlandesa confundiu o Magalhães com um kit de maquilhagem da Barbie, viu uma chance na proposta pós-revolucionária de Luis Amado, e criou o alternativo programa Guantanasmus, numa espécie de Novas Oportunidades estendida ao segmento do terrorismo internacional, tentando igualmente marcar pontos para ser o Toino Blair de Obama. Não perdendo tempo, mandou a dupla Amado e Anita Gomes para o aeroporto entrevistar os prisioneiros alegadamente alqaedeanos aquando da sua entrada no país, e assim aferir em directo e a cores das suas capacidades de colocação. (foto fanadex do Público, fonte desconhecida, manifestação em Paris, suponho) Amado – Então diga-me qual a sua graça, cavalheiro alegadamente bombista. Prisioneiro – Razia el-Tuinetauer, um seu criado, ex-fervedor de água para chás em Istambul. Amado – Interessante; quais foram então as experiências que mais o traumatizaram na abominável prisão das Caraíbas? Prision...

gogol moments

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A melhor coisa para se ter memória é dum cheiro. Melhor que música, melhor que palavras, melhor que fintas do maradona, melhor que festas no cabelo. Um cheirinho, um cheirão, um odor penetrante, essa filh’da puta de sensação que nos impregna o ser até ao tutano, passando por todo o lado sem pedir licença nem deixar cartão de visita. Daí que seja tão bom cheirá-lo de vez em quando sem ser com a memória, cheirá-lo de nariz mesmo, fazer loopings d'olhinhos, recarregar a alma dessa coisa que depois – já se sabe - nos vai perseguir como um rinoceronte insolente a fazer estremecer as entranhas. Se me roubarem esse cheirinho vou ter com o Criador e peço-lhe explicações. Por enquanto passeio-me por dentro, mostrando-lhe os melhores recantos, os sítios onde quero que esse cabrãozito fique sossegadinho à espera de que eu o chame quando mais precisar. (fotografia gamada em joyceimages.com)

Feno Prof

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Qualquer cidadão normal, enquadrado num, soi-disant, agregado funcional estável (unidade sociológica que se caracteriza por não satisfazer os critérios necessários para alimentar uma reportagem da TVI), quando olha para o Estado reconhece-lhe três missões primordiais: aturarem-lhe os filhos, removerem-lhe o lixo, caparem os pedófilos. Quando a mãe natureza nos induziu à procriação e consequente ilusória perpetuação da espécie, (esteja ela em progressão, regressão ou mero encavalitamento com as outras) subentendeu que em paralelo existiria uma curiosa sub-espécie denominada de professores, e que se encarregaria de aliviar os casais-copuladores-de-esperma-e-óvulo da parte mais maçadora da sobrevivência da dita espécie: educá-la. O tal de professor deveria assim ser respeitado e mantido numa reserva ecológica, bem nutrido, desinfectado, sexualmente saciado, e com formação específica nas áreas dos agentes alucinogénios, anestesiantes, enfardamento de palha e manipuladores de consciência e...

the man, by goya

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Bailoutame mucho

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Considerando que a mera soletragem de BPP já dá ares de cuspidela de pêlo púbico (pêlo de cona, como se diria na literatura moderna), considerando que dizer mal de Maria de Lurdes seria dos poucos assuntos que ainda manteria Mario Lino acordado, – juntamente com o sorriso de Mariano Gago – e considerando que há vários ministros de que já ninguém sabe o nome a não ser que inaugurem salas de desfibrilação no museu berardo, considerando isto tudo por atacado ou separado, julgo que actualmente os conselhos de ministros se devem resumir a sequelas de sketches humorísticos. Sócrates gesticula com a mãozinha a fazer pose de cancela de passagem de nível, Pinho faz de Paulo Bento recomendando pia e epidurálica tranquilidade aos agentes económicos, e um outro qualquer avia um ‘vai mas é trabalhar’ ao Pinto Ribeiro, articulando aquela fala de boca a mastigar ranho de urso pardo, enquanto o Luis Amado (haja quem) sibila com o seu ar diplomaticamente enjoado o já canónico 'não havia necessidad...

Vista de perto, toda a gente é monotonamente diversa

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(frase de F. Pessoa, no 'Livro do Desassossego' , nº83; imagem de ' Hunger ')

teleologias alternativas

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O medo intermédio

Cedo o homem começou a torcer o nariz aos deuses que a sua imaginação concomitantemente forjara. O medo e a sua prima incerteza começaram a ser variáveis com muitos matizes, e as explicações decorativas sobre o funcionamento do mundo foram aparecendo a bom ritmo; inventou-se o cepticismo, o optimismo e a vaselina. A dado momento foi necessário introduzir na equação o, tão sofisticado quanto básico, problema da finalidade. Depois de algumas noites mais mal dormidas e de outras tantas fodas mal dadas o homem concluiu que a dita finalidade não lhe ajudava de forma conclusiva à equação, mas atribuiu-lhe, pelo sim pelo não, um papel contabilisticamente honroso, se bem que fora do balanço. Ficou então destinado que apenas sobreviveriam às crises e aos malogros da espécie: o grupo dos compulsivamente progressistas e de credulidade infinita, - que em geral atraía os espécimes com aparência de maior generosidade - e o grupo dos estruturalmente conservadores e de desconfiança olimpica, -que em g...

Não nos afastemos da fotografia tipo passe

O homem cedo descobriu que tinha de fazer pela vida. Mas imediatamente se deu também conta de que os problemas iam surgindo tanto de dentro como de fora. Com progressiva estranheza constatou que os problemas que se originavam no seu interior eram mais perturbadores que as adversidades externas. Cada vez mais incomodado consigo mesmo foi alimentando crescentes fantasias de si próprio - na arte, na ciência, na religião, na família, no espelho. O resultado está à vista: não temos tendência a ficar bem em fotografia nenhuma, focamos mal e trememos constantemente com o tripé. Somos a prova viva de que entre um torneado lombo renascentista e uma repugnante víscera baconiana vai a distância duma pincelada mal dada. É absolutamente ilógico e bacoco pensar que não há Alguém a tomar conta da gente.

Misererenobispatia

Após a descoberta do pecado (Gen, 3, 6-7, por exemplo) rapidamente se formaram duas correntes: a fatalista e a oportunista; do pecado apenas poderiam então advir duas trágicas – e cómicas – consequências práticas: ou estávamos lixados porque ele nos transportava para uma condição de eternos condenados mendigando avulsamente perdão e remissão, ou lixados estávamos porque era na luta insana contra a tentação e a queda onde deveríamos encontrar a finalidade ad-hoc para a nossa vida; em comum a ambas: a distinta condição merdosa. Ora o homem ainda em estado primitivamente esclarecido e habituado às agruras da mãe natureza e respectivas pintelhices, ora inundação-ora seca, libertou-se deste espartilho criando regras criteriosamente definidas e ditadas no essencial pela fome, tesão e cagaço. Quando se deu conta de que apenas a primeira tinha uma solução duradoira e estável, doirou a pílula criando aquilo a que mais tarde se veio a chamar de cultura . Mas quando o pecado se viu rodeado por es...

E com este post inicia-se oficialmente a época misantrópica

O homem moderno é a pior construção do homem moderno. É um animal preso a debilidades psicológicas, desgostos de amor, manipulações mediáticas, procuras de identidade e adolescências. Foi incapaz de se realizar apenas com as fragilidades cósmicas do frio, do vento, e da chuva, incapaz de se limitar a procriar, alimentar-se e aquecer-se, incapaz de se satisfazer com mitos simples e duradoiros encontrados na mãe natureza; numa palavra: incapaz. Quis refinar o amor, fodeu-se; quis refinar a liberdade, fodeu-se; quis refinar a religião, fodeu-se; quis refinar o bem-estar, fodeu-se; quis refinar a consciência, fodeu-se. O homem moderno agora tem de crescer, tem de amar, tem de realizar-se, tem de respeitar a liberdade dos outros, tem de gerir os seus sonhos e as suas privações, tem então de fazer milhares e milhares de merdas sem saber ao certo o que significam, nem para o que servem. O homem tornou-se numa filigrana mais pesada que uma bigorna. Já não precisamos de precipícios para nos de...