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nós, os portugueses, damos sempre muita importância aos pequenos sinais
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stanzas for music (*)
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There be none of Beauty's daughters / With a magic like thee; / And like music on the waters / Is thy sweet voice to me: / When, as if its sound were causing / The charmed ocean's pausing, / The waves lie still and gleaming, / And the lull'd winds seem dreaming: // And the midnight moon is weaving / Her bright chain o'er the deep; / Whose breast is gently heaving, / As an infant's asleep: / So the spirit bows before thee, / To listen and adore thee; / With a full but soft emotion, / Like the swell of Summer's ocean. (*) Lord Byron (1815) Stanzas for Music © 2009 University of Toronto.
Nails R Us
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Uns dos recantos mais pitorescos da paisagística feminina são as unhas exuberantemente pintadas. Para além das evidentes funções para as quais a morfologia aponta, parece claro que as forças dirigentes da criação (leia-se Deus ou o pirilampo mágico evolucionista) destinaram a estas queratinizadas extremidades um papel singularmente decorativo. Algo a que a mulher chamou imediatamente um figo, e que, depois da orelhinha, se assumiu como o suporte mais procurado para as suas fantasias de cor e luz, e a tornam num autêntico fogo de artifício com pernas, deixando para trás muita passarada tropical, ou peixinho de águas quentes. No entanto, afigura-se-me que a pintura decorativa de unhas desempenha no universo feminino também uma dupla missão: ajuda a controlar o impulso exibicionista e a manipular a orientação do interesse masculino, que são, como sabemos, os dois calcanhares de Aquiles da feminilidade: gerir simultaneamente a auto-imagem, e o efeito dela em terceiros; a mulher é um puro s...
The Crabbe Corner
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A The World of Interiors deste mês (a melhor revista aparentemente de decoração do mundo (*) e sem gajas para distrair a atenção nem nada) traz um especial ‘Design Week Fabrics’ praticamente dedicado a este blog, e eu não podia deixar de scannear dois postalinhos para vòceisss; apreciem à minha responsabilidade: este primeiro, que permite dar um ar fresco e viçoso ao rebanho... e agora este outro, que permite dar um ar mais imperial e clássico ao seu dark side... (*) reparem nesta frase que arranca com a reportagem: «Trotting out everything from candy-striped cottons to the plushest of velvets…»; escrevem que nem uns baudelaires cruzados a prousts dum caralho. E nem pus a que tem uma cabrinha deliciosa adornada com uns richelieu tassels senão até lacrimejavam.
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria política para mulheres curiosas 5º capitulo - A almotolia de bomba Poderia o leitor apressado e displicente, no seu legítimo direito embora, pensar que este pequeno estudo se limitaria a ser um exercício ligeiro de misoginia recreativa, mas efectivamente aqui pretende-se apenas desenhar um contributo, humilde que seja, de natureza técnica sobre a forma de melhor incluir a mulher numa actividade que lhe é agreste e para a qual se deve preparar não apenas perseguindo os clichés típicos de ser ‘uma gaja tesa’. A mulher que sinta o apelo da coisa pública, não se contentando assim com o poder que lhe é conferido pela natureza e que possui – irresistivelmente - na coisa privada, tem que saber de antemão que o mundo, por estar consciente disso, parte desconfiado com ela: «ela vem para aqui fazer o que não consegue em casa» Já aflorámos aqui o papel que as assessorias desempenham no refrescamento e fortalecimento do corp...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 4º capitulo - Limas murças e bastardas Uma das paragens obrigatórias neste percurso analítico em torno das miudezas mais íntimas da mulher enquanto animal político é o estudo do papel do humor. A sociedade ocidental, por razões de sociologia reprodutiva certamente, sedimentou bem a ideia de que o humor utilizado pelo macho-político é sinal de inteligência, perspicácia e alguma irreverência, mas se for utilizado pela mulher pode ser sinal de badalhoquice e ligeireza de raciocínio. Assim, a utilização do humor por parte da fêmea-política deve respeitar algumas regras que impeçam o suicídio da sua imagem e a recambiem para as instituições de beneficência, casamento incluído. Comecemos pela auto-comiseração lúdica. Este elemento estruturante do humor masculino está completamente vedado à mulher; ou seja, a mulher não se pode colocar em zonas de fronteira, de dúvida, onde a verdade e a ...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 3º capitulo - Chave de grifo Se no que dizia respeito ao penteado da mulher-política esta devia escolher modelos colocados na mediana do espectro decorativo e evitar as zonas da periferia estética, já no que concerne à personalidade a desenvolver passa-se precisamente o contrário; a mulher que se entregue às mesmas actividades de lellos, narcisos & jerónimos deverá colocar-se na extremidades do estereótipo feminino: ou mulher-sacana, ou mulher-santa. Evitei para já a utilização dos termos bruxa-puta-cabra no primeiro caso e de mamã-avozinha-fada-madrinha no segundo, por estarem demasiado colados a desabafos de teor ero-intimista e peri-freudiano que poderiam desviar-nos do verdadeiro teor científico-experimental deste compêndio. A primeira e principal razão para esta regra do extremos prende-se com o sentimento comum do cidadão indefeso: «se era para ser uma pessoa normal prefe...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 2º capitulo - Joelho femea Uma das questões cruciais para o sucesso da mulher-política é a organização e qualificação do seu assessoramento (*). A mulher quer-se assessorada em condições e para tal precisa de assessores competentes e dum local conveniente para se assessorar; como um bom assessoramento nunca é de mais, poderia mesmo dizer-se que para a mulher o assessuro morreu de velho, não fosse o caso de, geralmente, ela dar cabo dele antes. Para o assessoramento da mulher-política o elemento essencial é o famoso ‘Gabinete de Estudos’. A escolha do local e da decoração do Gabinete de Estudos representam um momento chave na carreira de qualquer mulher-política. A mulher empossada, antes de definir qualquer política que seja, deve, em primeiro lugar, escolher os cortinados do ‘gabinete de estudos’. O cortinado estará para a mulher-política como o chauffeur está para o homem: é um c...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 2 – Compêndio de teoria politica para mulheres curiosas 1º capitulo - Tarraxa A política é coisa para homens, à semelhança do berlinde e dos pêlos nas orelhas, mas certas mulheres com empenho, afã de colaborar, pouco jeito para o entrelaçamento de fibras naturais e algum cuidado com as articulações podem esporadicamente exercê-la com sucesso e até com algum benefício para a sociedade em geral e os cabeleireiros em particular. O primeiro aspecto técnico que a mulher-política deve controlar obrigatoriamente é precisamente o penteado. Aqui, a regra básica nº1 é: nunca armar nem soltar demasiado. A mulher de cabelo muito armado tem tendências despóticas e, já se sabe, mulher muito despotada acaba por se prejudicar. O cabelo com muita soltura também pode indicar problemas de continência, o que, para além de dar sinais duvidosos para as forças armadas, revelará um inconveniente deslumbramento hormonal, perdão, orçamental. Consensualizados em...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 7º capitulo - Girândola de foguetes & salva de morteiros Existe também a questão fóbica. A mulher tem receio que o amor lhe estrague a pele, o homem tem receio que o amor lhe estrague a carteira. Por isso a mulher é epidermicamente esquiva e o homem trabalha por investidas que preservem o valor residual. O não feminino é diplomático e vem sempre acompanhado de muito creme hidratante, o não masculino é bruto como uma saída de bolsa em pleno crash. Sendo o espécime feminino um falso passivo e um estratega simulado serve-se do amor-sentimento como o defesa preguiçoso se serve da regra do fora de jogo: dá um passo em frente para deixar o homem com cara de parvo a olhar para a bandeirola. O homem de tendência bondosa, como o são quase todos, é um eterno atacante a tentar iludir o fora de jogo, e é incapaz de assumir que pouco mais capacidade tem do que jogar pelas laterais como um galg...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 6º capitulo - Vulcão de estrelas A noção pós romântica de que o homem é um ser geneticamente impreparado às mãos do ser hormonalmente superior que é a mulher faz ciclicamente algum sucesso estético, no entanto, este pequeno compêndio em capítulos não pretende abusar de nenhum efeito de miserabilismo lírico. Para a mulher, o sentimento-amor vem programado como sendo um resíduo tóxico, algo como o subproduto duma parafilia que o espécime masculino não conseguiu estripar da sua cadeia artesanal de sentimentos avulsos. Ciente deste defeito de fabrico do homo sapiens, - versão com pendentes na zona púbica - a mulher fez, desde há muito, correr a ideia generalizada de que está sempre em suspenso duma grande paixão que a apazigúe que nem uma canção do José Pedro Pais, dando, por isso, azo a que o homem desenvolva aquela lúbrica convicção de que se pode constituir no objecto essencial para a ...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 5º capitulo - Cauda-de-pavão Este pequeno estudo não podia deixar de elaborar sobre uma das situações mais trágicas do jogo amoroso. Ora a mulher, tendo também alguns traços humanos, esporádica, mas muito raramente, é acometida de momentos de fragilidade e fraqueza que a levam a iniciativas de pendor sincero e carinhoso para com o seu parceiro afectivo. A riqueza científica destes momentos está precisamente no tipo de reacção do homem e não tanto no tipo de carinho desenvolvido pela fêmea em estado de quebra psicológica passageira (não passam, contudo, daquelas absurdas festinhas no ombro, e um ou outro toque de raspão nas patilhas do homem – única razão para a sua existência, registe-se). Por não pretender ser exaustivo vou apenas tratar dos dois principais tipos de reacção: a ‘reacção de espanto e terror’ e a ‘reacção de inchaço de peito’. A ‘reacção de espanto e terror’ é a que oco...
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As anotações de um picheleiro dos afectos Caderno 1 - Tratado de educação sentimental para homens bons 4º capitulo - Candela romana Depois do último desvio epistemológico pelas veredas do ciúme e da posse, regresso para tratar dum problema estrutural da relação sentimental-amorosa: a maturidade afectiva do homem bom. Trata-se dum típico ‘conceito-atlântida’, ou seja, fala-se muito dela mas parece que não existe. Afectivamente o homem de boa índole é eternamente um aprendiz amoroso, mas é apenas a mulher que tem essa plena consciência desde o primeiro momento. O homem, bem flatulado na sua ignorância, cinco segundos depois de receber o primeiro beijo de volta sente-se mais poderoso do que um general de Alexandre; contudo, a mulher, detentora dos meios de exploração sentimental, se numa primeira fase o deixa alimentar essa ilusão, posteriormente aplica em doses rigorosas a receita da austeridade quando ele menos espera; fá-lo assim compreender, pela via abstémica, que o amor de uma mulhe...