My "whatever" side of the soul ( e já com o pescoço no cepo ) ® JL, 97. Aguarela sobre papel. Colecção particular.
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A mostrar mensagens de maio, 2005
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Uma questão de rimas Não fora a tentação incontrolável de começar o dia experimentando o novo bâton Addict da Zulmira e diria que tudo voltara à mais perfeita e razoável normalidade. Bom, à Maria dos Prazeres lá do escritório olhei-a como se fosse a primeira vez: aquelas pernas a espreitar por baixo da secretária afinal não são roliças mas gordas e as, até ontem, angelicais madeixas loiras têm mais raízes à vista que um mangal em maré vaza! Ainda me passou pela ideia convidá-la a uma voltinha rápida de fim de tarde a ver as novidades da saison ali mesmo pelo ElCorte mas acabei por preferir o subestimado Umbelino. Nunca tinha reparado com atenção no moço ( vê? não disse 'gajo' ): o moreno mate a emoldurar os olhos cor-de-água e o sorriso tímido de "gato-das-botas" da pixar só me faziam vir à ideia que, entre três encadernações e vinte e quatro fotocópias de remessas congeladas, teria de seguir o conselho que um dia me dera e trocar os suplementos e brindes dos jornai...
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Traz-me os sais... O primeiro, e não menor, dos problemas com que me confrontei ao acordar foi olhar-me ao espelho e dar de trombas com o cromo feminino que lá se plasmou: uma gaja ruiva ou loira, sei lá bem!, de cabelo espetado, pintalgada por milhões de sinais e sardas e práì 1,80 m completamente recheados de matéria orgânica. "Chiça", pensei, "isto é o raio do meu negativo ó quê?! se ainda fosse a sacana da Barkin... a Marceau não? nem a Garbo???" Depois descobri que não só tudo quanto as calças me apertavam na anca (até isto vim a descobrir no meu corpinho, antes só as conhecia pelo toque) me sobrava na cintura (e foi aqui que compreendi finalmente o veneno contido no recadito "tens de vender calças e comprar **") mas ainda que a camisa só servia se ficassem abertos os 3 ou 4 primeiros botões. Por outro lado a filha-da-mãe da gravata atada ao pescoço também não ficava nada bem que a minha ropinha de trabalho não é porra (só esta! até o Tiresias teve di...
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My something Tiresias side of the soul . A dra Girassol finalmente foi franca comigo e disse-me «o seu problema é que não está a conseguir soltar o seu lado feminino». Eu já calculava essa coisa de que todos temos um bocado de ‘gaja inacessível’ dentro de nós, mas daí a dar ao manifesto o nosso recôndido gineceu ainda vai uma grande distância. «Pois olhe quem não conseguir demonstrar um bocadinho de dupla personalidade nem é digno de expor a alma á cusquice alheia» Isto de homens a escrever fingindo-se de mulher já foi chão que deu uvas, mas o homem talvez também tenha direito à fama por pôr a sua mama ao léu, ou a ameaçar que se vai mandar para debaixo dum comboio se não dançarem com ele uma última valsa. «Talvez não seja necessário pôr madeixas louras mas a quebra explícita de uma qualquer virgindade parecer-me-ia um bom sinal da sua parte» Cheguei a lembrar-me de fazer uma entrevista sonora à Barbara Guimarães (porque o Luís Pacheco agora já foi caçado noutro blog com mais verba), d...
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Ó Ferreira, agora podes ir para dentro. O dicionário não ilustrado deixando a massa e bebendo só o caldo para fazer uma cura do Reinaldo. Os reais problemas do país nas entradas nº 1019 a 1026 O Iva da polpa de fruta – O peso de estado será sempre excessivo enquanto a polpa da fruta não for tratada da mesma forma que a bela da pinga. A grainha do pêro não devia ser enteada de nenhuma reforma fiscal. O capachinho de Fernando Gomes – Nunca poderemos ter políticos de se lhe tirar o chapéu se existir o risco efectivo de atrás do dito vir um enxerto capilar. Felizmente existem as permanentes de Mª de Belém para garantir a dignidade do regime. O facto de Armindo Rodrigues ser o único verdadeiro poeta do amor conjugal – Demonstra que a mulher portuguesa é refém dum paradigma meio florbelospanquiano e meio nataliocorreiano: Ou inspira ou arfa. O casamento é um broncodilatador. Evite-se a opção xarope. ´Cona’ ser palavrão – Desperdiçar palavras com tão boa rima por meros preconceitos de classe...
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Reinaldo Ferreira X Sonha a palavra, Detesta a frase, Sabe o encanto Do que é só quase. In ‘ Chopinesque ’ de R. F. Por acaso não gostava de ter posto esta quadra aqui; Mas é “aberta qb a permitir muitas leituras» disseste-me - perdão: ‘disse-me’- e então hoje fez lembrar-me aquilo que todos temos de berengários dentro de nós, não não é de hereges, a heresia não é compatível com a ignorância, é apenas a nossa apetência parola ao simbolismo, a nossa tendência para nos encostarmos e satisfazermos consoladamente com o misterioso, o quase real, e depois quando um Aquino nos vem falar de transubstanciações, apetece-nos logo dizer: façam um filme com isso e depois eu logo penso no assunto. Sonhar com Deus - meio palavra, meio comichão- como um tal de ente diáfano, mistura esotérica de energia e bondade – e exotérica de chuva e sol – fazendo malabarismos com protões, é uma solução de recurso, de sobrevivência à sombra, é o ‘religare’ despachado com ‘marca branca’, correndo o risco de não per...
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Reinaldo Ferreira IX Compra-o; mas compra-o todo, De modo Que não fique sopro ou brisa Nas mãos de um concorrente Incompetente. In ‘ O essencial é ter o vento’ de R. F. Às palavras leva-as o vento como sabemos, mas depois se não houver quem o compre elas viram poeira. A Politica é igual. Só que já nasce poeira. Concorre com folhas secas e com ácaros. Tem vergonha da competência do pólen. Bem-aventurados os que sabem espirrar selectiva e despudoradamente. E os barcos à vela. Somos todos filhos dum orçamento rectificativo.
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Reinaldo Ferreira VIII É pouco tudo o que eu vejo, Mas basta, por ser metade, Pra que eu me afogue em desejo Aquém do mar da vontade In ‘ Da margem esquerda da vida’ de R. F. Mas controlem-te pá. Reparem que os impostos vão subir, o desejo vai levar com a taxa máxima, toda a lasciva vontade vai ter retenção na fonte e todo o sexo será pago por conta. Vai deixar de haver incentivos ao engate indiscriminado e a evasão será penalizada com leoninos acordos pré-nupciais. A castidade será elevada a dedução à colecta, a abstinência obterá crédito de imposto e só não digo para se tornarem eunucos porque o iva dos capamentos não é de 5%.
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Reinaldo Ferreira VII Se eu soubesse que o olhar de toda a gente Te via, por milagre, repelente, Que fugiam de ti como da peste... Nem assim abrandava o meu ciúme, Que é afinal o natural perfume Da flor do grande amor que tu me deste. In ‘ Se eu pudesse guardar os teus sentidos’ de R. F. No dia em que o ciúme desaparecer, o amor passará também a ser uma percentagem do PIB. Virá então uma comissão analisá-lo e chegará à conclusão: temos de cortar rente, sacrificar amizades e aumentar nas cobranças. ‘Apertaremos o cinto’ e nunca mais ficaremos ‘com as calças na mão’. No limite amaremos todos por igual em regime de duodécimos. Ninguém se ficará a rir de ninguém. Para além disso os 6,83 de deficit parece-me um número bem conseguido dado que esgota todos os algarismos atrevidamente arredondados – repare-se que o ‘seis’ é o ‘nove’ ao contrário por muito que nos possa custar e fazer mal às costas, e o ‘zero’ praticamente nem é algarismo tanto mais que foi descoberto pelos árabes – e eu cá qu...
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Reinaldo Ferreira VI O riso rido É dor que finge Ter-se sorrido; Ou azedume De ser excedido. In ‘ Acordes gastos’ do R. F. A época futebolística de 2004/2005 é passado. Agora que já estamos praticamente na época 2005/2006 antevejo-a calma, já nenhum dos ‘grandes’ vive na ansiedade de ainda não ter ganho neste milénio, e Peseiro pode desenvolver o seu trabalho serenamente como se do outro lado estivessem 11 carmelitas descalças, o árbitro fosse um eremita e os fiscais de linha franciscanos. O campeonato será certamente como uma via-sacra, perdão, como um passeio de escuteiros por um mosteiro beneditino. Sem azedumes.
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Para o Azul Cobalto , como se fosse um 'cabinet d’amateur'. Un cabinet d’amateur n’est pas seulement la représentation anecdotique d’un musée particulier ; par le jeu de ces reflets successifs, par le charme quasi magique qu’opère ces répétitions de plus en plus minuscules, c’est une œuvre qui bascule dans un univers proprement onirique où son pouvoir de séduction s’amplifie jusqu'à l’infini, et où la précision exacerbé de la matière picturale, loin d’être sa propre fin, débouche tout à coup sur la spiritualité vertigineuse de l’Éternel Retour. In ‘ Un cabinet d’amateur’ de George Perec, ed. Seuil, pag. 19.
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Reinaldo Ferreira V "Enfim, eu não sou nada, Que há muito já se não propaga a mim O calor de uma anca, E o meu fresco conteúdo Não encontra uma boca E uma sede não estanca." In 'Ânfora fui' de R. F. Esta não comento. É muito feio aproveitarmo-nos do mal dos outros. E além disso todos os náufragos têm direito a uma respiração boca a boca. Países e répteis de pequeno porte incluídos.
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Reinaldo Ferreira IV Tome-se um homem, Feito de nada, como nós, E em tamanho natural. Embeba-se-lhe a carne, Lentamente, Duma certeza aguda, irracional, Intensa como o ódio ou como a fome. Depois, perto do fim, Agite-se um pendão, E toque-se um clarim. Serve-se morto. In “Receita para fazer um herói” de R. F. Se o nariz de Gogol cá andasse talvez ainda pudéssemos ser governados apenas por cheiro. Assim resta-nos passar o tempo à procura dum capote que nos ponha a coberto dos desvarios da despesa pública e ir desfrutando desta alegre escravidão que é sermos almas livres dificilmente transaccionáveis. E eu ainda aspiro a uma pachorra anatómica que me faça escrever textos com pés e cabeça. Sendo certo que me consolava mais rindo com Narciso Miranda do que com Jorge Coelho.
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Reinaldo Ferreira III "Ninguém a virgindade lhe roubou Depois de um saque - antes a deu A quem lha desejou, Na lama dum reduto, Sem náusea mas sem cio, Sob a manta comum, A pretexto do frio." In ‘ A que morreu às portas de madrid’ de R.F. O grande sonho de Guterres, sabemos agora, não era ‘ser’ primeiro-ministro mas sim ‘ter sido’, e o sonho de qualquer refugiado neste momento é que estes versos sejam mesmo verdade, porque, pelo andar da carruagem, do frio não vão escapar. E tal como todos os sobreiros agora invejam a fama dos que sucumbiram no cadafalso-lux da Herdade da Vargem Fresca, não haverá indigente que depois deste verso não sonhe com uma virgem fresca e roliça, esteja ela em Benavente, na Chamusca ou na Pocariça, mas aguentem um bocado que eu agora vou à missa.
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Reinaldo Ferreira II "Feliz quem pode parar Onde a certeza é certeza E pensar é só pensar!" In ‘ Que estranha, a nossa verdade’ de R.F. Mesmo que por vezes pareçamos enfiados no enclave dum imbróglio de sobreiros, dum chafariz de autarcas, duma pseudo-pedagogia-cacofonia-sexual e duma proto-constituição-supra-nacional-infra-racional-intra-anal aparecerá felizmente sempre alguém a lembrar-nos: é pá deixem-se disso que não tarda é Natal.
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Reinaldo Ferreira I "Sei que a ternura Não é coisa que se peça, E dar-se não significa Que alguém a queira ou mereça. (…) Eu preferia (…) Que, contra as leis recolhidas (…) Tu me desses a ternura que te peço; Ou que, por fim, reparasses Que a mereço." In ‘ Sei que a ternura’ de R.F. Merecer é um verbo tão estúpido e ressequido como querer. Mas ninguém consegue sobreviver sem se considerar minimamente merecedor de qualquer coisita e sem exercitar a vontade nem que seja para beber um ginger ale fresquinho. Se conseguirmos esquecer por momentos os clássicos russos – tarefa fácil por sinal, desde que não estejamos a mijar sangue – e soubermos suspirar por um afago como a pele reclama o after shave depois da ultima lâmina cumprir o seu dever, Deus só tem mesmo é que se chegar à frente e pôr no nosso caminho um jackpot de festas no cabelo. Ou então tinha-nos feito carecas e o herói do ‘Código daVinci’ era vendedor de capachinhos. Mas isto já sou eu a falar.
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Mas depois ao som de 'sexy mother fucker' do Prince não resisti, merda; ou do dicionário não ilustrado desta vez a parir-se com música desbragada; Sometimes our soul could also be a big hole, or a shaked ass; I guess. (sofisticados estados de alma nas entradas 1010 a 1018) Neura – Estado transitório da natureza humana algures entre o fim do cerco a Estalinegrado e o Juízo Final, momento este em que todo o contra-ataque será condenado à fogueira eterna. Ignorância idílica –Sonho de qualquer amante do futebol em ver Hugo entrar em campo e assim desmontar o preconceito dos detractores do referido jogo confinados à ideia estafada de que aquilo são apenas 11 de cada lado, ou 22 atrás duma bola. Com Hugo em campo teríamos a garantia que nenhuma destas condições se verificaria. Que-se-fodanço – Forma de alheamento metafísico em que tanto nos faz ser a baby-sitter a tomar conta dos miúdos enquanto vamos ao cinema, como deixá-los a ver vídeos com sprints de grande diagonal do Paíto e c...
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Conto do but his name was not Bond O seu sonho mais secreto era ser cowboy, não é nada de original, quase todos os miúdos um dia quiseram ser cowboys, só que ele manteve esse desejo para sempre; aquilo de facto fazia o pleno de todos os seus desejos, de todas as suas ambições; era a solidão da pradaria, a vertigem do duelo mortal e definitivo com quem o desafiasse, a sedução pela confusão delirante do saloon, as miúdas absolutamente perdidas pela sua pose distante, a rapidez a sacar do coldre, a contemplação no olhar, a surpresa no beijar inesperado, a tranquilidade ao balcão, as cartas marcadas, nunca esgotar o tórax numa só inspiração, o sorriso a meio caminho entre o ausente e o carinhoso, a roupa cheia de suor mas sem se deixar colar ao corpo, o cavalo fiel mas nervoso, nunca saber onde dormiria no dia seguinte mas tendo sempre saudades da poeira que levantava, não precisar de ser esperto e bastar-lhe pôr o coração num batimento certo, preferir uma boa memória a uma estúpida glória...
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E agora reparo eu antes de partir para a ilha deserta post ao abrigo das leis gerais de liberdade criativa desinteressante E ó sr dr João Morgado ( 4 links pelo preço de um) e se se deixasse realmente de postezinhos que nem fariam bolsar o menino jesus nas palhinhas deitado e respondesse mormentemente ao inqueritozinho como eu lhe pedi efectivamente!
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Afinal acabei por levar a Lux Women Confesso que numa primeira fase foi a entrevista da Mª do Céu Guerra juntamente com o simbolismo que transporta o nome de Isabel Queiróz do Vale que me atraíram definitivamente, só que depois não resisti a parar nos anúncios dos anticelulíticos, mas olhem que até foi por mera curiosidade e por associação de ideias com o efeito casca de laranja por causa daquela merda das taxas antidumping nas fibras têxteis, lembrei-me de caminho sem especiais elucubrações que a Eva saiu escorreita ali duma costela do Adão, e pensei novamente se Deus não teria pensado primeiro na mulher em versão Kate Moss e mandado apenas o homem hermafroditicamente sozinho à experiência numa fase inicial, mas pelo sim pelo não aquela marca ‘Pepe Jeans’ fica proibida cá em casa, é certamente a serpente a atacar outra vez, no entanto se me aparecer alguma representante da espécie com uma tal de mini-saia em lamé de algodão (Custo Barcelona €124) eu transformo-me todo inevitavelmente...
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Sou pessoa respeitadora E claro, não há nada como realmente Pagando - de rojo, qual lagarto - ao Almocreve . E sem graçolas( vamos lá ver se sou capaz). Ganha-se o céu é com estas pequenas coisas, ó o que é que pensam 1.Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser? Supondo que a pergunta quereria significar ‘se fosses um livro para queimar, que livro gostarias de ser?’; eu fico sem saber bem…porque nunca levei nenhum livro a sério (excepto dois que já irão perceber) e gosto essencialmente de livros que me irritem, porque para coisas boas já me basta a vida. Mas vá, se é para queimar mesmo, e para dar uma chaminha assim laroca e apanascada, queimaria todo o Proust. (o que me daria mais gozo de queimar seria o último, e que não li, claro, já aqui ‘expliquei’ um dia, o meu pai felizmente, temendo pela minha masculinidade, proibiu-me) 2. Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção? Bem, agradeço que me tenham feito esta pergunta (não resisti); eu gostaria ...
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The human side of Man Desenjoando do empolgante tema dos têxteis chineses Introdução Descobrir o lado animal do homem é tarefa fácil para qualquer engenheiro de som (género psicólogo enxertado em esventrador de minhocas), descobrir o seu lado transcendental está ao alcance de qualquer arquitecto paisagístico (tipo mistura de antropólogo com depilador de malmequeres) mas agora para descobrir o lado humano do homem nem sempre basta ter uma profissão decente (género canalizador ou montador de cozinhas italianas), mesmo que leve de vez em quando uns valentes cagaços epistemológicos. Nota técnica Boris Vian no prólogo da 'Espuma dos dias' diz qualquer coisa como no mundo só existem duas coisas: o amor de todas as maneiras, com mulheres bonitas, e a música de Duke Ellington. O resto é feio . Ora o ‘amor’ e a ‘arte’ aparecem há muito tempo a dar uma mão quando queremos pôr uma cara lavadinha à nossa condição; a malta agradece o jeito e hoje até me deu para lhes retribuir. Somos uma e...