Aquecimento para os Manjericos #3 O teu rosto inclinado pelo vento; / (...) a feroz brancura das mãos (...) irresponsáveis. / (...) O triunfo cruel das tuas pernas (...) em repouso;/ (...) a boca sossegada onde apetece / (...) simplesmente ser (...) o peso duma flor; / as palavras mordendo a solidão. / (...) A única razão. Um pouco mais de sol – eu era brasa, / um pouco mais de azul – eu era além. Prosaclite com corruptela & fusão de ‘ Litania ’ de Eugénio de Andrade e ‘ Quase ’ de Mário de Sá Carneiro
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lais de guia “Os abismos das coisas, quem os nega, / se em nós abertos inda em nós persistem? / Quantas vezes os versos que te dou / na água dos teus olhos é que existem!” - Carlos de Oliveira, in “Carta a Ângela” “[…] E se ao luar que atua desvairado / Vem se unir uma música qualquer / Ai então é preciso ter cuidado / Porque deve andar perto uma mulher […]” – Vinicius de Moraes, excerto do soneto de abertura de “Orfeu da Conceição” (1956) “[Ah, minha amada / De olhos ateus] / Cria a esperança / Nos olhos meus / De verem um dia / O olhar mendigo da poesia / Nos olhos teus” -Vinicius de Moraes, in “Poema dos olhos da amada” “Deixa-te estar assim, / ó cheia de doçura, / sentada, olhando as rosas, / e tão alheia / que nem dás por mim” - Eugénio de Andrade, in “Pequena elegia de Setembro”
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É tempo dos eugénios descerem à terra dos andrades O sampaio que nos saiu na rifa na última rodada da quermesse estava em êxtase com a sua ideia originalíssima dum governo de convergência e união nacional; queria fazer doutrina, queria demonstrar à urbis e à ruris, que andavam com penitências por cumprir, mas que éramos o tal povo destinado às grandes fusões&tesões. O entusiasmo levou-o a convidar para o almoço de ano novo a dupla televisiva Lopes e Sócrates para um arrozinho de pacto; infelizmente não deu para a paelha porque a D. Maria José descobriu que tinha a caçarola rachada dos tempos em que nunca a tirava do lume. A mesa já estava posta e ele não perdeu tempo: Vivemos numa terra especial companheiros, sempre nos dedicámos a juntar o injuntável, reparem, somos paraíso e somos degredo, temos o Malhoa e temos a Paula Rego, e é com o exemplo desta diversidade umbilical que devemos construir o nosso eu colectivo; juntar o analgésico ao sedativo, onde não chegar o pincel da bucól...