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A mostrar mensagens de agosto, 2011

O Talismã do Barrote

F arto daqueles personagens escritores, reformados ou no activo, filósofos, professores, artistas e afins que pululam pela novelística contemporânea, julgo que chegou o momento de dar novamente algum estrelato a profissões mais simples, como os carpinteiros, que desde o Nazareno não têm nenhum representante ilustre no cluster dos grandes fornecedores de enredo literário. Carlo Clitorini era apenas um desconhecido marceneiro de Trento quando um dia descobriu que as suas peças de mobiliário provocavam reacções no mínimo curiosas e no máximo fascinantes nas mulheres. Tudo começou quando Julia Endorfini lhe encomendou um pequeno escadote para chegar às prateleiras mais altas da sua arrecadação.  A quilo que parecia destinado a ser uma mera combinação de traves, barrotes e vigas tornou-se quase um ser vivo, passando Julia a confessar-se ao escadote cada vez que se servia dele para arrumar umas garrafas de vinagre balsâmico ou uma lata de polpa de tomate ou até uma embalagem de...