Desmaker Residence The rum service & continence girl Vinham uma vez por semana e apenas se queriam embebedar moderadamente. Acompanhava-os sempre uma rapariga e por isso sabiam qual era a sua conta: quando o primeiro a quisesse apalpar era sinal que tinham de terminar e ir-se embora. Eram uns porreiros, faziam umas piadas giras, todos gostavam deles e nessa noite poupava-se na verba para o pianista. Quando entravam no lobby o porteiro anunciava-os: vêm aí os ‘all cool’ e a menina ‘Lénia’. Mas ela depois ficava; se calhar achava-se capaz de ser mais que um balão de soprar, ou duma espécie de pivot da continuidade para trocadilhos brejeiros. Só que afinal descobriu-se que ela era paga pela casa.
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A mostrar mensagens de julho, 2005
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Chalasis (*) «Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus. Crede também em Mim» S.João. 14,1 (*) (reparo para ‘calão’ até se arranjava aqui uma etimologia bem finória) Podemos relaxar porque o Gide ( esse gajo foi mais alguma das contratações do FCP?) não tinha lido aquela parte em que Jesus dizia que Ele próprio era o ‘Caminho, a Verdade e a Vida’, e com isso ficou resolvido o problema de espaço.
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No girls, no gods, no snakes, just music Pessoal, eu hoje estou indeciso; acontece, há momentos assim, a natureza da nossa condição prega-nos partidas e um tipo pode perfeitamente ficar ao sabor da dúvida, da indecisão, de secretárias amuadas, da prisão de ventre e da abstinência sexual. Pessoal, eu explico: Sobre o ‘Electrelane’ dos Axe leio no Público (eu infelizmente não sei ler estrangeiro e fico resumido a isto): “começa com um ‘riff’ de guitarra repetitivo, a que se juntam um piano deambulante e duas encantadoras (…) meninas enleadas (…). Um rodopio (…) um flirt (…) a progressão vintage de ‘two for joy’ e a escalada ‘oh oh oh’ que descamba”. Pessoal: assim não, assim não, já não bastava ontem ter ouvido para aí umas vinte vezes a Marina Lima. Vou mesmo decidir-me pelo outro disco não vá de pensarem que sou tarado e que extrapolo lascívia por todo o lado, sejam eles poros, sejam interstícios, sejam frúnculos. Ora então aqui sim: Hanne Hukkelberg, norueguesa, em ‘Little Things’. Nó...
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Ele aqui também há manifestos Ora isto é só para dizer que eu estou completamente de acordo, mesmo rendido, enfatizaria, com os projectos da Ota e do TGV. Uma nação cresce e enobrece-se de obra emblemática em obra emblemática, como um honesto grupo folclórico se ufana de galhardete em galhardete, e jamais se deve acobardar em contabilidades mesquinhas e de efeito demagógico de digestão fácil. A nobreza da política encontra-se nesses arrojos de visão, nessas consciências de futuro que não se acobardam nem menorizam perante provincianos deves e haveres. Os presidentes da república (sejam eles casados com a torre de pisa, ou insultadores de gnr’s, ou trincadores de bolo-rei) vêm e vão mas é o betão que fica, é ele que garante a consciência de nação, é dele o suporte da nossa portucalidade ( desde que não nos esqueçamos de caiar todos os anos, claro); o que seria a zona saloia sem o carrilhão de Mafra, o que seria da louça das caldas sem Alcobaça, o que seria da igreja maná sem o cinema Im...
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Um país de puta madre «Mãezinha, estamos bem, o mano é presidente da junta e a mana também está muito bem, casou com aquele rapaz que trabalha para uns americanos. O paizinho já foi operado ao pulmão e está na lista para aquela fístula que lhe apareceu há atrasado. Não apanhes muito frio na plaza del sol. Agasalha-te e transfere.»
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Desmaker residence A miúda das relações públicas. Uma brasa contínua. Era uma mulher linda, uma vénus viniciusiana . Fazia o que podia por não dar muito nas vistas, usava, até, perfumes discretos, saias travadas nos dias pares, saias rodadas e compridas nos outros, mas a torneada silhueta torturava-os a todos; ao longe arrepiava e ao perto tirava o pio, o pianista do bar quando a sentia por perto fugia-se-lhe a pauta, sentia-se um astronauta, o servente dum triste fado, um «raisparta e eu praqui a dar ao pedal sentado». Quando ela se passeava pelo jardim deixava as flores cabisbaixas, ficavam a desconfiar da sua real eficácia no papel de enfeite, tal o olhar de deleite que lhe mandavam os comensais, que a espiavam de soslaio e depois expiavam melancolia à base de sais. De branco, um dia ela veio de branco, e então aí já ninguém conseguiu olhar, as suas relações eram públicas se calhar mas o seu coração era tão privado que até causava dor, uma dor que persistia, e que vinha com mais for...
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Weekend fantasy I Procura-se Optimista com quotas em dia. Oferece-se lugar de época cativo, com vista privilegiada para o fosso. Vizinhança cínica mas animada. Insultos em bar aberto. . Weekend fantasy II Poundlhices The saccharescent, lying in glucose, The pompous in cotton wool (…) and the swill full of respecters bowing to the lords of the place This sort breeds by scission (…) boredom born out of boredom (…) skin-flakes, repetitions, erosions (…) One’s feet sunk, The welsh of mud gripped one, no hand rail The bog-suck like a whirl-pool (…) And my eyes clung to the horizon In ‘cantares’, praí o xv, em regime salteado. Sem sal mas caindo que nem cebolinha picada no refogado dos dias. . Weekend fantasy III Shakespeare na pradaria «Não amas o suficiente quem defendes, não odeias o suficiente quem atacas» in ‘’Jerónimo’. Fala dirigida ao tenente Gatewood (amigo do chefe Apache e quem o consegui definitivamente ‘capturar’) . Weekend fantasy IV O amor assim nem tem hipóteses nenhumas Com ...
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No girls, no gods, no drugs, no rules, just music Isto estava a parecer-me difícil falar sobre a crítica musical desta semana, e já me estava ver a ter de comprar o ‘mil folhas’ outra vez e depois a ter de escondê-lo em casa para manter a reputação de ‘gajo que sabe muito bem do que gosta e que não precisa que venham outros a dizer-lhe’, só que eu tenho uma fraqueza, uma gaita duma fraqueza: eu adoro rótulos; adoro rotular pessoas, políticos, situações, gajas, recalcamentos, blogues, religiões, frases-feitas, negócios, aperitivos, sentimentos, trocadilhos, adereços femininos, tudo! Gosto até mais de rotular do que de rimar, vejam ao ponto a que um homem, praticamente um homem de cultura, pode chegar. E foi então como uma autêntica revelação orgásmica quando me deparei com a crítica no Público ao novo disco do Jamie Lidell – que ainda não ouvi (é só uma pequenina mentira) com manda a regra – denominado ‘Multiply’. ( e espere aí que eu já falo das prostitutas gregas reformadas, já ) Est...
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Desmaker residence A decepcionista À menina da recepção faltava-lhe só um tudo-nada para fazer os clientes felizes: desperdiçava-se com a obsessão das regras do preenchimento da papelada, para ela tudo se resumia aos procedimentos do check in ou do check out, à recolha dos elementos, ao consumo de mini-bar, e não reparava que os clientes apenas queriam conversar; derramava-lhes explicações sobre o funcionamento do ar condicionado, das persianas eléctricas, das horas de entrada, das horas de saída, falava-lhes do iva incluído, e não reparava que eles apenas queriam ficar a olhar para ela ali ao balcão, pedir-lhe uma sugestão para um restaurante, dum sítio para passear e assim ver-lhe as mãos a deslizar pelo mapa bem esticado, mas nada disso lhe interessava, para ela tudo era expediente, um enquadramento, um cliente, e ela geriria esse casamento. E eles acabavam por se ir embora sem sequer experimentarem a ousadia de lhe pedir que soltasse o cabelo: bem recebidos mas decepcionados. Nem u...
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Este é um post praticamente politico ( no fundo porque ainda não me passou o torcicolo seguido de lombalgia depois de ler a provocação do ultimo post; e se ainda for a tempo: nunca se metam com gajitas que leiam muitos livros é o meu conselho de amigo) Ora face à demissão do mr campos só me resta fazer algo que já está muito, muito, em atraso e que mais não é do que agradecer a todos os que deram os parabéns pelo 2º aniversário desta humilde pensão, seja por que via foi (se bem que ninguém se lembrou de fazê-lo na via verde, nem uma loura num Mercedes nem nada, e eu acho isso uma desfeita). Este agradecimento estende-se também a todos os blogs políticos, aos de gajas, aos da terceira via, aos de tricot, aos de fotografias com entardeceres marinhos (e mais vale um entardecer que um arrepio na nuca), aos de religiosidade explícita acompanhada com bebidas adocicadas, aos de nostálgicos da rampa da falperra, aos de ciclismo, aos amantes de blogues minimalistas, aos comensais da residence, ...
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E agora topem-me vocês este dilema Um gajo, assim tipo eu faz de conta, casado, sem ser de fresco, pai de filhos, filhos esses da mulher com quem casou – reparem bem que um pai saber que os filhos são seus biologicamente é sempre um óbvio acto de fé – num casamento feliz dentro dos cânones possíveis para este conceito vago - nota técnica: um tipo não se casa para ser feliz, isto parece básico, para ser feliz um gajo vai para um convento, ou faz uma viagem de 20 anos à volta da terra, ou come pistachos ininterruptamente a ver vídeos do maradona intermeados com os do roberto baggio e os pontapés de bicicleta do negrete, ou conta anedotas porcas à desgarrada (luar opcional), ou faz cinema minimalista a gozar com o espectador e com os financiadores, ou compra uma porcaria por 10 e vende-a no segundo seguinte por 200 e o tipo que a comprou fica a pensar que fez o negócio da vida dele, ou faz pontaria com as cascas dos percebes para as jarras de cantão oferecida pela sogra, ora casar é algo ...
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On my knees Eu não me sentiria bem a mais a minha consciência Se não vos dissesse para ter paciência comigo. É que houve na minha vida um momento de fraqueza, que eu lamento, em que não apreciei devidamente a Michelle Pfeiffer e agora se calhar estou a pagá-las tendo de escutar músicas de ‘corazones que se desnudan’ e eu sem saber tocá-las resumindo-me à secura duma alma essa sim ao sol secada e, como todas, insuficientemente amanhada que esta é que é a verdade verdadinha ‘desnuda de impaciência ante tu voz’ moscada tal como a noz; mas agora é que vão ser elas: para ‘bordar de corales tu cintura’ é preciso mais perseverança que a da água mole com a pedra dura e como não estou ‘mutilado de esperança nem de razão’ no dia em que me sacar uma dança transformo-me em reles pião. Mas não me levem a mal, É que estou Em período de castidade verbal. E agora não se queixe Pois acabou de me dizer que isso é adereço de peixe. Mas ainda deixe que lhe acrescente mesmo sendo o mal de muita gente, ‘moj...
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Ao cuidado dos F’s do Amaral e artistas similares (Será que o problema dos terroristas também é que não estão a conseguir explicar suficientemente ao mundo as suas medidas drásticas?) Desde a fase final da governação de Cavaco que intermitentemente aparece interpretado por diferentes artistas o insuportável discurso da ‘mensagem mal passada’; confirma-se pois: o povo está na grelha, aparece a mensagem, o povo não aguenta tanta alcatra informativa por perto e por isso ela acaba por ficar mal passada. Eu julgo que a populaça até já está habituada à mensagem tártara, está é farta dos cozinheiros. Mal por mal: enlatados, ao menos não temos de olhar para os gajos que mexem no tacho, e acompanhemos com água tónica sonhando que são 'burbujas de amor'. ( e eu já a lixo ó...)
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Para levar isto – refiro-me a essa entidade mítica denominada ‘o mundo conturbado em que vivemos’ ( o ‘conturbado’ deriva da excessiva proliferação de pessoal com turbantes e afins) - com alguma calma, a principal sugestão do dicionário não ilustrado será: rezar pelos que têm informação a mais, rir de e com os que têm informação a menos, e oferecer uns toalhetes perfumados aos que estão no meio. Nas entradas 1065 a 1071 são totalmente escalpelizadas ( eu passo-me com esta palavra mas deve ser para exorcizar a queda do cabelo) as novas técnicas da saison para lidar com o inimigo; whateveritmeans. Negociar – Sofisticado processo em que se tira a bissectriz na testa do adversário tentando que o tiro lhe acerte rigorosamente no meio dos cornos e não tenha a leviandade de se desviar para alguma das sobrancelhas e ainda lhe dê para resvalar Compromissos – Momento intercalar de elevado potencial energético e que é aproveitado nas trincheiras para umas belas patuscadas ao vapor e no campo de...
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así? Tengo un corazón mutilado de esperanza y de razón tengo un corazón que madruga donde quiera ¡ayayayay! Y ese corazón se desnuda de impaciencia ante tu voz pobre corazón que no atrapa su cordura. Quisiera ser un pez para tocar mi nariz en tu pecera y hacer burbujas de amor por donde quiera ¡oh! pasar la noche en vela mojado en tí. Un pez para bordar de corales tu cintura y hacer siluetas de amor bajo la luna ¡oh! saciar esta locura mojado en tí. Canta corazón con un ancla imprescindible de ilusión sueña corazón no te nubles de amargura ¡ayayayay! Y este corazón se desnuda de impaciencia ante tu voz pobre corazón que no atrapa su cordura. Juan Luis Guerra Y 440, Burbujas de amor in Bachata Rosa
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No girls, no gods, quer musica ‘tá visto (a hóspede exigiu mais variedade no piano-bar) Desta vez arranja-se uma tal de clássica. E nada melhor que ler a crítica ao disco ( vem-no-público-mil-folhas-ao-ponto-a-que-um-homem-chega-para-ter-uma-rubrica-séria) dum gajo que eu não fazia a mais piquena ideia de quem tinha sido mas que tem um nome de registo peri-masturbatório: Joseph Bodin de Boismortier! Aleluia. Esta ligação entender-se-á ainda de forma mais profunda se atentarmos que ele «é hoje sobretudo conhecido pelas suas obras para flauta» e foi o primeiro francês a escrever um concerto e logo para fagote, um dos chamados instrumentos de «tessitura grave» - mas que convém, adianto desde já, não apertarem muito com ele para não ficar a piar fininho, principalmente na insuspeita ‘Suite de pièces que l’on peut jouer seul’ -op.40. Ora este entusiasmante cd, onde «as cordas dedilhadas conferem ocasionalmente um saboroso contraste», do ‘ Le concert Spirituel’, algo que - já se sabe – se ...
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Desmaker Residence A hóspede Gosto quando aparece sem reserva, quando entra à socapa, sem avisar, fora de horas, mas às vezes cheia de nove-horas, quando se cruza em identidades diferentes para baralhar as autoridades, quando finge que fala comigo mas afinal fala sozinha e à base de meias verdades, quando me deixa acordado à espera e acaba por não vir pernoitar, certamente para demonstrar que tem mais onde descansar, quando se mete com quem aqui se vem aviar, quando se arma em batoteira fina ou quando vem com as santinhas armada em peregrina, e depois quando lhe dão escrúpulos sobre o que pensa o resto da clientela, mas mal sabe ela, que não há dia que passe em que eu não sonhe em dar-lha de trespasse.
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The original sin(ging) (pré-texto para um ensaio neo-rafaelita post-fosforilado) Ao contrário de ti, nem sou poeta nem sei filosofia. Por essa razão também não serei capaz de, à tua semelhança, inventar palavras - tão pessoais que só tu saberás o significado - como forma de sobreviver à falta da luz que me é tão essencial quanto a noite às corujas. [ no entanto há muito que nos meus sonhos entrava escrever num blogue, era uma espécie de 'entrada no reino do céu dos pardais' que, sendo a barriga dos gatos, só podia encantar-me mas nada sabendo de agá-tê-émieles via-me a braços (bruços também mas noutro local) com a precoce despedida do sonho em que sairia do anonimato (não é ilustre mas toda a gente sabe que esse é só para quem nele acredita e depende muito da lâmpada e do abat-jour) e me tornaria musa (também servia divã mas com pouco Addict para não opacificar o écran) blogosférica ] Tal como tu, gosto de sentir e gosto das palavras e gosto de sentir com as palavras. Ainda que...
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Apenas para ajudar a aterrar no real enquanto o mundo parece um ora bolas O entendimento será sempre mais instrumentalizavel que a acção. Porque a acção cansa e às vezes não está para brincadeiras. Mas o entendimento será sempre mais livre que a acção. Porque o entendimento pode brincar com a história, com a álgebra, fingir que Deus não existe, pôr o mal a rimar com Carnaval, conceber as tácticas do Peseiro, repescar clássicos, interpretações dos Corões, nirvanar, pode tudo, até começarmos a ter formigueiro nos pés. E a melhor expressão que alguma vez uma língua inventou foi ‘pussy cat’, só que aqui acho que já sou eu a levantar voo outra vez. Mas não é erva, é apenas necessidade de acção para ajudar a drenar o pensamento.
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L’Être et le Néon Deus quis investigar melhor outra vez essa coisa do romantismo porque lhe começou a cheirar a esturro; algo poderia estar a fugir ao controlo. Ao existencialismo já tinha dado o devido correctivo quando deixou o Kierkegaard sem namorada para o resto da vida, e o Nietzsche (para além de o ter fodido com o nome) tinha-se tornado inofensivo quando caiu na esparrela e anunciou precipitadamente o Seu velório. Estes até podiam ter dado bons rapazes, se não se tivessem baralhado nos matraquilhos com a ‘angústia’ e o ‘desespero’, mas acho que têm todos um lugarzinho no céu ali na zona dos te deum com vista para a cintura industrial; o S. Tomás já se tinha abarbatado com as vistas para a cintura da Sta Teserinha, mas eu agora estou-me a afastar, acabou de me dar indicações o meu anjo da guarda que desde que eu ando a escrever neste trampanário não me larga a peúga, chiça. Retomemos o fio à meada, mas agora não é piada, foda-se rimei e não queria, e não estou a avançar nada ne...
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The original post-segmentation Não querendo que lhe falte pedacinho nenhum e porque talvez 'não haja História mas histórias', recordo-lhe que, para além de referir 'a diversão de apagar a história conhecida sob os anais do anonimato', também em Monsieur Teste , Paul Valéry escreveu: "C'est ce que je porte d'inconnu à moi-même qui me fait moi."
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Desmaker Residence Acabaram as bebidas à pressão. He is a zero bar man. Os sonhos mais sumarentos teve-os enquanto adolescente, mas nessa altura não se sabia espremer em condições. Hoje serve cocktails vistosos, apimentados, mas não é a mesma coisa. Mesmo com a rodelinha da crise de meia-idade para enfeitar, nos aperitivos já só conseguia trabalhar com favas contadas.
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No girls, no gods, just music Geralmente (ia a escrever ‘por princípio’ mas consegui evitar mesmo à justa) só disserto sobre assuntos dos quais tenha um desconhecimento profundo. É o caso do último disco dos Shivaree que não ouvi de todo. Recorro pois à crítica do Público de hoje – o que já faço pela segunda vez seguida, correndo por isso o risco de tornar esta rubrica num clássico, e como eu gostava, meu Deus, de ter uma rubrica que fosse um clássico – e que é iniciada com a sempre empolgante mas enigmática palavra: ‘apesar’. E há uma outra coisa que será justo esclarecer: eu detesto escrever sobre música, mas adoro falar sobre críticas de música, principalmente daquelas que utilizam o divino método: primeiro escrever a crítica e depois escolher o disco. Aparentemente os Shivaree ‘ não existem mas são o veículo para transportar a paixão que verte da boca de Ambrosia’ , e isto quase que chegava para um tipo ir correndo a comprar o disco de forma desaustinada, pois poderia usufruir do p...
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Resposta a um que «Tu que escreves sobre coisa nenhuma» (e de caminho ajudando quem possa andar com problemas técnicos) No tricot começa por se ‘ lançar as malhas a partir do ‘nó corredio’’ , esse nó que desliza, a verdadeira antítese do nó cego. Mas não sei qual é o melhor dos dois. Um que permita irmos por aí marcando pontos, gerindo a malha, ou um que nos prenda, nos fixe, nos diga: é isto, não percas tempo em floreados nem em losangos. Mas o ponto propriamente dito já aparenta ser um verdadeiro kamasutra de mãos : “ dê uma volta com o fio em redor do dedo mindinho da sua mão direita. Passe-o por cima do dedo anelar, depois por baixo do dedo médio (nesta altura já estarão a revirar os olhos certamente) e então por cima do dedo indicador ”. Não sei se assim se fazem meninos, ou os ditos preambulares, mas camisolas não se farão certamente. Eu queria ser fio, sim eu queria ser fio. E aos dias nove, faria um novelo. Mas como em tudo é preciso ter cuidado: “ Ao tricotar conserve o dedo...
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Ocytocin memories é manhã cedo de um dia qualquer, os pombos deixam ainda abandonados os bancos e os caminhos da praça vazia da cavaqueira dos velhos, o vento manso desliza entre as folhas das árvores, tenho saudades tuas ( há aqui qualquer erro... bem te disse que não sei escrever, afinal não posso ter saudades tuas se são tuas e estas são minhas, de ti ) e refugio-me neste pedaço que é outro de ti para me sentir aconchegada como num dos teus abraços e leio as tuas irreverências com o mesmo prazer com que deixo que me despenteies e me mordas as pontas dos dedos ( ao abrir esta 'porta' faço de conta que não reparo tal como o faço quando, da forma que só tu sabes, me provocas ao tirar a gravata na minha frente ) em que mimo um constrangimento que não tenho... e agora, já acreditas no meu lado masculino? e que a escrever aqui ainda acabarei por convencer os teus 'pestanejantes intermitentes' que tens um exemplar perfeito de blogue político?
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Desmaker residence Árduas, carentes e frígidas Este blog possuirá uma coisa boa: não tem leitores; terá quanto muito olhos que pestanejam intermitentemente por aqui. É como um hotel feito para não ter hóspedes mas apenas passantes; poupa imenso na lavandaria e não tem despesa com recepcionistas giras. Aqui ninguém deve arriscar uma meia pensão. Muito menos o room service.
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Para pôr no manjerico a ver se não murcha Algumas deambulações teóricas sobre a existência de Deus – agora relativamente desvalorizadas por uma espécie de raquitismo mental, mistura de misticismo com andarilhice pastoralícia - desembocavam nesta extraordinária constatação: o mundo, nós, não parecemos necessários, não se encontra uma razão plausível para existirmos, encaixamo-nos muito melhor como resultado duma vontade expressa, arbitrária para os nossos rasteiros cânones, difícil de definir, mas bem explícita: quem nos quis, saberia o que queria. Mas quanto a nós não sabermos o que queremos, inexplicavelmente também faz parte do mesmo filme. Julgar que sabemos, também. Tudo uns belos fodasses, pois então.
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My kind of (sexy) boy ( Ou é desta que o dono aqui da baiúca me 'estrafoga' sem me dar tempo a ..., uótevere! ) ® JL, 98/99. Tinta da China, marcador e aguarela sobre papel - pormenor (*). Colecção particular. (*) Versão integral só para adultos (i.e., prélaiveides livres d'amolecimento por surtos passadistas).
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Conto do life hei-de Tinham-se conhecido num concerto, ela ainda corria descalça mas ele já vinha saído dum aperto; improvável aquele encontro, mas mais uma vez o narrador prepara o arranjinho: dá-lhe um toque no vestido, põe-lhe os joelhos a brilhar, cozinha-lhe um coração ferido e uns olhos a arregalar. Tudo se torna possível naquele relvado, desde um beijo inesperado até um abraço apertado, desde o desejo mais viscoso até ao desabafo mais doloroso. A música agora era calma e por isso dedicaram-se a constatações: verificavam-se mutuamente, queriam anular as diferenças e reduzir as surpresas, o narrador deixou que eles se continuassem a enganar porque não queria interferir no alinhamento do concerto, vejam lá; mas o que não tem conserto consertado está: dali ia sair uma vidinha a dois, algumas fornicações ainda teriam a gloria dos encores, depois alguns sins começariam a dar em pois, e no final já não se distinguiam os acordes. Foi preciso arranjar outro concerto, entraram de mãos dad...
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Projecto de vida : sentado & calado Primeiro parece que levei tampas das gajas, agora foi de deus , viro-me por isso para a música. Eu confesso que gramo o Jamiroquai. É pá gramo, pode ser coisa apanascada, pode ser coisa do mau ouvido, micose no tímpano, neurónio sifilítico, hemorróidas groove, eu sei cá, pode ser tanta coisa. E foi por isso que li a critica do público sobre o último disco (que ainda não ouvi pois andei com os lambshop e ….bem, foi o que se viu…) a dizer que não presta e acabei por encontrar ali novamente todo um projecto de vida: ‘funk, soul, disco e easy listening’ e as letras ‘amor, alusões sexuais, festa e um toque de consciência social’, sem falar da ‘electrónica ali’ e ‘guitarra mais esgalhada acolá’(por acaso esta última expressão até me doeu, mas adiante). Eu, em sinceramente, não sei o que é que estes gajos, que a modos que são críticos, fazem com a música que ouvem, aquilo metaboliza-se-lhes ao nível da enzima pela certa e passam todos a lado duma vida ...
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‘Oops! I did it again’ Dedicado e enternecido com a bomba que é – a milhas - o meu blog religioso preferido Existem essencialmente duas formas de conservar o sentimento (ou dimensão – é mais fino – ou fervor – é também muito asseado) religioso: a ‘pascalização’ ou a ‘ paroquização’. Mas já lá irei, impõe-se sempre um intróito e desta vez não é para maiores de 18 (isto é rima algébrica) A fé é uma virtude teologal de registo muito sobrevalorizado, tornou-se uma espécie de antibiótico de largo espectro daqueles que se toma à primeira dorzinha d’alma e que nos dá um consolo tipo sopinha de carneiro a aliviar um intestino que esteja em brasa por exemplo com uma moral sexual que se bamboleie à nossa frente sem pedir licença à dona da casa. É pois uma virtude muito enganadora e nem o bom ladrão se safou apenas com ela. Quem esquecer que a Igreja Católica é uma igreja de vocações e de caridade terá muita dificuldade em enquadrar (é como o sacana daquele rabo que não pára de mexer há mais de ...