Aquecimento para os manjericos #2 Num sonho todo feito de incerteza,/ (...) é que eu vi teu olhar (...) / Não era o vulgar brilho da beleza, / nem o ardor banal da mocidade.../ Era outra luz, era outra suavidade. / Uma ventura /feita só (...) da ternura. (...) / Ó visão, (...) / fita-me assim calada (...) / e deixa-me sonhar. Prosaclite com corruptela do poema de Antero de Quental, ' Virgem Santíssima '.
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A mostrar mensagens de maio, 2008
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Dia internacional da glândula Dona Pituitária tomou a palavra e exclamou: «está aberta a 1ª conferência internacional da glândula moderna; o nosso lema será: ‘a cada apalpão uma excreção’». Mme Pineal tinha-se posto um pouco de lado, certamente despeitada por não ter sido escolhida para presidenta da mesa, mas aos poucos foi ganhando à vontade e chegou a lançar uma chalaça às manas Adrenalinas, que não paravam quietas, e metiam-se com toda a gente, especialmente com os manos Testis, uns cavalheiros aprumados mas que, diga-se, também não desgostavam de ser acarinhados. Só que a rainha deste primeiro congresso parecia ser a Frau Sudorípara, uma alemã radicada para os lados do Guincho e que se passeava pelo congresso afirmando em alto convencimento: «vocês podem todas andar aí a flauseanar mas, quando tocar a endocrinar, se eu não aparecer, todos vão desconfiar da qualidade do desfrute». «Olha, não te babes, não» dizia a Señorita Salivar que, desde o casamento falhado com um russo dono du...
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Para o Azul Cobalto , que fez agora 5 anos em nova morada , (parte de) um poema que lá li há muito tempo e que nunca esqueci. A viagem que o meu ser empreende Começa em mim, E fora de mim, Ainda a mim se prende. A senda mais perigosa. Em nós se consumando, Passando a existência Mil círculos concêntricos Desenhando. de Ana Hatherly - A Corrida em Círculos – I
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Aquecimento para os manjericos Olho em volta. (…) / Só para mim as ânsias se diluem / e não possuo mesmo quando enlaço. (…) Toda sem véus (…) / sob o meu corpo (…) transbordada, / nem mesmo assim (…) eu a teria. (…) Falta-me egoísmo pra ascender ao céu, / falta-me unção pra me afundar no lodo. (…) Serei um emigrado doutro mundo /que nem na dor posso encontrar-me? Prosaclite com corruptela do poema ‘ Como eu não possuo’ de Mário de Sá Carneiro
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De volta ao ripipilo Quando entregasse a alma ao criador e a carne aos vermes o seu espólio seria definitivamente doado ao Museu do Narcisismo. Entretanto preparar-se-iam exposições temporárias com as suas poses em fotografias tipo passe tiradas numa loja da rua da Estefânia, e num catálogo raisonée reunir-se-iam todas as suas frases de auto vangloriação, ilustradas com perfis em aguarela duma cunhada que fazia frisos para molheiras da Vista Alegre. De qualquer modo tinha tudo alinhavado para estar presente no dia da inauguração do auditório para hologramas, com o seu nome gravado numa chapa de 30x40, mas uma arreliadora fistula retirou-lhe esse prazer e passou o serão a ganir enquanto lhe lancetavam o, digamos, o cu. Era contudo um rabo narcísico e imediatamente pensou numa série de fotogramas baseados na sua nádega esquerda que tinha sido enormemente gabada por uma enfermeira moldava, se bem que em surdina, contudo, qualquer narcísico profissional tem ouvido de tísico. Uma nádega de ...
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Segundo Sentido Tomado em consideração que a lagartada este ano jogou o pior futebol desde que Maria Elisa tem dores nas costas, e nem teve a dignidade, como outrora, de se despedir no Natal, passando assim o ano todo a brindar-nos com uma via sacra de futebol de merda que só acabou ontem, penso que a grande mensagem desta época é a obscena dignificação do segundo-lugar-com-brinde. Durante anos o segundo teve sempre o desgraçado estigma de ser o primeiro dos últimos, mas este ano os lagartos trouxeram para o Olimpo dos grandes valores civilizacionais o sentimento de que o segundo-com-brinde é, em certas condições de humidade, temperatura e cólon espasmódico, sentido como primeiro, designadamente se um tal de primeiro, quando chega ao momento de tentar achincalhar um tal de segundo, parece um testículo a olhar para um orgasmo, promovendo inclusivamente um mecanismo inverso: a tripeirada teve o condão de, sendo um primeirão, sendo algebricamente (leia-se, a somar pontos) muito melhor, fi...
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Descontos para grupos Priscila Bosch organizava visitas guiadas ao Museu do Inconsciente. Era uma moça de tendência discreta, mas quando tocava a dissertar sobre os tesouros da sub-psique expostos naquele museu transformava-se numa eloquente amazona, galopando pelas salas como se fossem relicários em período de cruzadas. Na sala de entrada, dedicada aos Sonhos, as cuecas que tinham drenado o primeiro sonho erótico de Napoleão eram a peça em destaque e Priscila invocava extasiada que nesse sonho já Josefina teria aparecido vestida de mini-saia, antecipando modas muito posteriores e provando a grande autonomia ontológica do visionário inconsciente napoleónico; ainda sob o olhar incrédulo dos visitantes, Priscila avançava rapidamente para a sala das Pulsões deixando-os petrificados com a sua descrição pormenorizada de como o inconsciente de Tamerlão funcionava enquanto degolava, em séries alternadas, meia dúzia de persas e monhés, intervalando com nêsperas de Samarcanda. Em exposição esta...
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Desmaker Corner Fora do ambiente das bibliofosquices, este movimento de aquisição e concentração na actividade editorial é olhado com naturalidade. Gente ‘dos negócios’, da actividade empresarial, detectou uma oportunidade por aproveitar, estava motivado, conseguiu congregar e motivar capitais e pessoas, avançou. Lembro que só estaremos perante boas operações se aumentar o interesse geral pela leitura/livros como entretenimento e/ou forma de enriquecimento e/ou elemento decorativo e, consequentemente, o número de livros lidos/comprados. Se este se mantiver inalterado, estaremos perante meras operações de redução de custos de estrutura que seriam irrelevantes para o montante das operações montadas, e não tornariam os investimentos bem sucedidos. Assim, o que irá acontecer forçosamente é um aumento de qualidade geral de edição, uma aposta na diversidade, concorrência mais forte e não pulverizada, e o aparecimento de nichos estruturados, ou seja, a coca cola a vender-se como coca cola e o...
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'Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia' (*) «Ratzinger não se cansa de repetir duas coisas. A primeira, que a Igreja não faz proselitismo. A segunda, que deve estar preparada para "viver" em minoria». Escreve-se no Portugal dos Pequeninos . (**) Ora esta não pode passar em branco porque se trata de querer ajustar o Catolicismo - por legítimíssima necessidade e/ou idiosincrasia espiritual particular, eventualmente - ao que ele não é. A Igreja Católica é Universal por natureza; ponto. O Vaticano não é o principado do Mónaco com mais bibliotecas e dourados. É a sede temporal duma Igreja Universal. Para não ser proselitista , Jesus não tinha edificado a Sua Igreja na cabeça do S.Pedro, mas sim numa merda duma marquise. Para não ser proselitista o Cristianismo não tinha deixado vincado que queria sair da coutada moralificante do povo eleito. Para não ser proselitista, em vez do Calvário, Jesus tinha escolhido um churrasquinho na Galileia. Sem a chama dum chamame...
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Dou consultas às quartas. Atendimento por ordem de chegada. Vou directo ao assunto: Passos Coelho devia pôr os olhos em António Guterres. O seu sonho juvenil de marcar território com uma mijadela neo-liberal não o leva a lado nenhum. No poder está uma emulação cavaquista e, olhando para o passado, a fórmula de sucesso, já testada, de sheltox para cavacos é o guterrismo. (Santana e Ferreirinha serão obvias pêras doces para Sócrates) A memória do Guterrismo é de tempos de anestesiamento e felicidade, juros e petróleo barato, diálogo e medidas transversais. Ora o que é que todos queremos hoje?: precisamente um sossego transversal, uma longa epiduralização da existência, um 'fodam para aí essa merda toda mas não me chateiem'. E isso só o guterrismo pode prometer e cumprir. Sem stresses nem ansiedades, e um ar porreiraço entre o bonacheirão e o sacristão; entrada de lago com patinhos e saída de pântano para chernes. Guterres deve pois ser o modelo para onde Passos deve olhar. Ir par...
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VPValente sujeito a teste americano (Inspirado no seu artigo de hoje no Público em que, depois de demonstrar que a Rússia é uma ditadura asiática, ‘diz’ que: norte de Itália, País Basco, Catalunha, Galiza, Andaluzia e Escócia ficarão independentes antes de estar construído o aeroporto de Alcochete, e a Bélgica extingue-se até ao Natal; não se pronunciou em relação ao Monte de Saint-Michel e às Ilhas Selvagens) 1. «Portugal é o único país do Ocidente em que, depois do colapso soviético, sobreviveu (e prospera) um partido comunista com a força do nosso» R: Verdadeiro (nota técnica: o comunismo foi, afinal, mais um dos cluster’s que Porter deixou de fora, mas deverá agora ser recuperado por Pinho para enriquecer a marca ‘Portugal’, a par da sardinha assada, da via verde, da carapinha da Marisa e da rolha de cortiça) 2. «Portugal é o único país do Ocidente em que o autoritarismo, acompanhado ou não pela insignificância e a mediocridade, é uma recomendação decisiva para o eleitorado» R: Ver...
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Voltando à pêra rocha Como acompanhei durante uns dias a transferência meta-cerebral de Ludwig para bits, li nas caves do seu blog o seguinte (e assim termino um tríptico dedicado aos que, como ele também escreveu, julgam saber qual é a «escala destas coisas») : «responsabilidade moral advém do controlo autónomo e não do conceito vago de "podia ter sido de outra forma"» Na sofreguidão engana-se. A ‘Responsabilidade Moral’ advém em primeira instância de se poder falar destes dois conceitos: ‘responsabilidade’ e ‘moral’. O ‘determinismo’ ou o ‘indeterminismo’ são meros labirintos mentais. Ora ‘responsabilidade’ é um conceito que exige ‘finalidade’. Sem fim não há meio, sem ponta não há cabo. Sem o conceito duma ‘vontade externa’, ‘responsabilidade’ é um artifício literário, uma táctica de sobrevivência, um capítulo dum livro da Paula Bobone. Pouco melhor que uma mão cheia de nada. E a moral, também não vale a pena elaborar muito, é apenas um efeito secundário da existência dum ...
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Gotham City Viver com hipóteses é uma óptima alternativa num mundo onde se tem de pôr em constante coabitação uma inteligência humana de tendência aglutinadora e assertiva, com uma condição que apela inexoravelmente à suspeita de um desconhecido. No entanto, ‘viver com o desconhecido’ comporta riscos e, por isso, há que fazer apelo a todas as faculdades humanas: as sensoriais (por exemplo, quando não se vê pode-se cheirar, ouvir melhor, apalpar a trepidação, etc – esta era para o ‘exemplo do carro’, dos comentários do Ludwig ), a capacidade de amar, a imaginação, a confiança, o espírito crítico, entre muitas outras. Ao homem não parece que lhe seja exigido que prove ter uma razão para existir, o próprio esmiuçar do ‘sentido para a vida’, do qual a religião reivindica os direitos de imagem, no limite, é prescindível. Aparentemente a vida fez-se para se consumir e não para se explicar. A mensagem Cristã, ela mesmo, é uma mensagem de caminho, de chamamento, a grande novidade nem é tanto a...
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E isto tudo sem citar o David Hume, o que também deve ser assinalado. Ludwig , Para que se consiga ter uma conversa de jeito, mesmo não remunerada, sobre ‘essenciais e acessórios’ teríamos de respeitar algumas perguntas básicas, que, a meu ver, poderão ser estas: (eu a escrever assim certinho ainda me dá alguma coisa má) 1. Deve ser de considerar como hipótese a existência de ‘algo’ (transcendente ou imanente aqui é irrelevante para o caso) que esteja ‘por detrás dos fenómenos’ com os quais temos de conviver e tentar compreender de forma, pelo menos, satisfatória? 2. Um 'método científico fiável' ® é suficiente para alcançar e compreender totalmente uma ‘entidade’ que pudesse, por hipótese, estar colocada para além das suas ‘regras’ (que, por natureza, são de concepção limitadora)? 3. Poderemos/deveremos equacionar, sem histerismos, que existem formas de entender ‘verdades’ não testáveis por ‘método cientifico fiável’ ®, mas que possam conviver com ele em regime de complementar...
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Dimanche en Piquenique Felix Vallotton, 'L'Été', Lausanne (depois de terem tomado umas sandes de peito de perú fumado e um ginger ale marca Alvarinho ) ... Antropocentrismo segundo Sebastião da Gama ‘Pequeno poema’ . Quando eu nasci, ficou tudo como estava. . Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais... Somente, esquecida das dores, a minha Mãe sorriu e agradeceu. . Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu. (...) . (d ragão , não sei quem é que tinha ficado de trazer os croquetes; e digam lá que não ficou uma ternura no dia da mãe)
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Socrates’s Secret No mesmo dia em que Sócrates diz que «um hospital não se compra no supermercado» (mas já não se referiu no que concerne a diplomas universitários) e que o «planeamento se deve fazer com muitos anos de antecedência», soube-se que no hospital de s.joão houve favorecimento na ‘redução e aumentos’ mamários de funcionárias (desconhece-se, no entanto, se houve também esticamento de pilas a maqueiros). Para que não haja aborrecimentos no futuro, a selecção de enfermeiras para 2013 deveria começar hoje. Ora a mama certa para a funcionária hospitalar é o correspondente a uma copa C. É um tamanho de mama que não interfere no ritmo respiratório do paciente aquando da colocação da algália, mas já dá algum aconchego na altura de medir a tensão, ou a tirar os pontos. A mama de copa C no bloco operatório é também o mais aconselhado, pois, em caso de perigo de espirramento de sangue podem ser protegidas suplementarmente com a touquinha, mas sem apertar muito para não trilhar. Nos ser...