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É dentro desta perplexidade, verdadeiramente dialéctica, que nos atrevemos a especular (*)

Considerando que no último livro do G. Steiner (vide uns posts abaixo) o capítulo sobre os judeus, onde ele diz que estes foram «escolhidos por Deus como pára-raios», é mais fraquito do que o das gajas, sou forçado a ter de voltar a uma temática praticamente de fusão. E vou já directo ao assunto: também existem os homens possuidores de particulares atributos para afagos de índole meramente passageira - que toda a mulher sofisticada valoriza, quando não exige. São os príncipes de passagem. Aqui vai a meia dúzia deles, igualmente. Homens Bomba d’Ar – Insuflam muito benzinho, repõem fôlegos, regularizam ritmos pneumáticos, relembram que a hidráulica é que é a verdadeira ciência do espírito e não a teologia. Homens Tubo d’Escape – Essenciais para qualquer mulher que seja de forte combustão. Ao não servirem para pistons, e também não estando dispostos a fazer de semi-eixos, fornecem o serviço de eleição para aliviar e desenjoar dos restos dos verdadeiros êxtases. Homens Vileda – Espécimes c...

Aqui já aconselhava mais uns toblerones

Seguramente que o leitor curioso ao abordar o novo livro de George Steiner traduzido para português (*) começará logo por aquele capítulo onde ele escreve que já deu belas quecas em quatro línguas diferentes. Pois eu fui lá direitinho e sem passar pela casa da partida, retendo-me logo na frase inspiradora de que «o donjuanismo semântico continua a ser uma terra incógnita à espera de ser percorrida e explorada». Que Deus nosso Senhor me proteja, dê forças e paleio, aguenta-te Jerusalém que eu vou a caminho da Terra Santa. Bem, mas entre referências eruditas e bibliófilas que transformarão para sempre qualquer foda num acto cultural, - seja ela pelo lado mais cul, seja pelo lado mais ural – tive forçosamente de me reter em dois pormenores, que deixo à consideração expressa dos senhores ouvintes (se encostarem bem o ouvido algum som sairá, já se sabe). O primeiro tem a ver com a exaltação da riqueza da mulher (italiana, no caso) na utilização de todo o potencial erótico do «Cappuccino» na...
Luna Park «As grandes histórias de amor (…) desfazem-se em fumo a seguir a uma palavra, a uma entoação, a registos ou tonalidades que são verdadeiras humilhações de alma, quando teriam suportado qualquer outro acto inoportuno» de George Steiner, a propósito da ‘Antigona’ de Sófocles, em entrevista a Ramin Jahanbegloo (ed Fenda)
J. Rodrigues dos Santos mas em versão tipo-ler-os-clássicos O tal de Nabokov em ‘Ada ou ardor: uma crónica de família’ (1969): «Três mulheres egípcias, mantendo-se submissamente de perfil (longo olho de ébano, encantador nariz arrebitado, juba negra entrançada, vestido de faraó cor de mel, magros braços ambarinos, pulseiras negras, brinco de ouro do feitio da rosca, bisseccionado por uma dobra da juba, faixa de cabelo à pele vermelha e peitilho ornamental), (...) prepararam-me mediante aquilo a que o sedento Eric chamava «delicadas manipulações de certos nervos cuja localização e cujo poder só são conhecidos por alguns antigos sexologistas» acompanhadas pela não menos delicada aplicação de certos unguentos mencionados, não muito especificamente, no pornolore da Orientalia de Eric, prepararam-me, dizia, para receber uma virgenzinha assustada, descendente dum rei irlandês, como fora revelado a Eric no seu último sonho em EX, Suiça, por um mestre-de-cerimónias mais funerárias que fornicat...
Maria, ( sim, agora dirijo-me directamente a si, e em serpentina, para não me poder agarrar ) Nos primórdios da psicanálise Freud escrevia que a «consciência de hamlet (outra vez este gajo) é a sua sensação inconsciente de culpa». Inaugurava-se assim aos poucos aquilo que G. Steiner chamaria de «metáforas controladoras», referindo-se aos mitos em oposição às «metáforas paralelas do pecado» que seriam estruturantes para as visões teológicas. Ora a ‘confissão’ nasce essencialmente no seio dum processo reconciliatório, longe de ‘sensações inconscientes’ sejam elas do que forem, e antes a responder aos apelos de união com Deus que sentem as almas que dalguma forma o reconhecem. A ‘forma’ actual do sacramento até é tardia – trazida para a europa ocidental por missionários irlandeses, julgo – mas não desvirtua o essencial da religião, ou religiosidade se quisermos adverbiar a conversa, que é ligar e converter (a par da dimensão vocacional). O mecanismo/método/doutrina/literatura/mitologia/en...
‘We must say of Freud: after him there is only commentary’ (*) Ao ler Clara F.Alves no Expresso a escrever isto « numa conversa que tive uma vez com George Steiner, queixava-se ele de que a literatura, e o romance como grande arte, tinha deixado de focar e tocar a história do mundo para a poder organizar com a imaginação» lembrei-me logo daquela vez em que eu e o Freud fomos comer uns caracóis ali à Rua da Esperança e em que ele espantado e intrigado por eu não usar os palitos chupando directa e deliciadamente os caracóis da casca, acabou por me dizer à laia de desabafo científico: é por estas e por outras que eu concluo que tive uma infância infeliz e não soube aproveitar devidamente o processo amamentativo ao estar sempre a pensar em como por os palitos ao meu pai. (*) in ‘Where shall wisdom be found’ de H. Bloom, pag 240, ed. da Penguin group
G. Steiner escreveu que a “ esperança é a gramática ”. De facto, por muito que nos custe, o ser humano precisa da condicional para se definir. A nossa esperança está mas é em apanhar os “ses” correctos. O condicionário Se não fossem as palavras eu preferia ser musgo Se fosse musgo preferia ser artificial para não apodrecer Se não fosse o anonimato eu apodrecia noutro Se me repito é porque me acredito Se eu me levar a sério sou bem levado Se eu não fosse maçador maçava-me de verdade Se Deus não for mesmo misericordioso eu bem posso “ tirar o cavalinho da chuva” Se o mandamento de “Não invocar o nome de Deus em vão” é para levar à letra eu “estou feito num oito”. Se fosse comida gostava de ser aperitivo para nunca saciar Se eu gostasse de problemas detestava soluções Se há gajos porreiros porque é que eu não posso ser um deles Se eu não fosse inseguro conseguia viver pendurado Se eu quisesse leitores deixava-me destas merdas e contava umas piadas Se eu roesse as unhas hoje já não tinha m...
O drama da infinidade semântica : Inocência explícita Fui tomado por uma certa pulsão de thanatos. Não sei se conseguirei resistir. É mais forte que eu, que sou reles andróide endrominador... É que isto de dizer mal também me parece que está a precisar duma recauchutagem!... O quarto do pulha – em flagrante crise de identidade – até já se tem de encostar à bengala do pipi, o Mephis começa a rodopiar demasiado em torno de vítimas que o ignoram, e o anarca constipado já apenas atordoa recenseando anarquicamente notícias. Isto de viver apenas parasitando na tolice alheia está a ficar difícil. É como estar sempre a dizer que não se gosta de bacalhau com natas. A certa altura o bacalhau caga nisso, e a vaca é para esse lado que muge melhores natas. Organizem-se pá! Até o VPulido Valente já teve de vir dar uma mãozinha!!!! Bem eu não m’aguento mesmo... Julgo que todos já nos distraímos com a gabarolice marialva, já mandámos as nossas chalaças ao orgulho gay, já elaborámos os nossos imaginat...