Ensaios sobre a soberba
Em tempos passados, o também chamado antigamente, a soberba era esteticamente uma arma, politicamente um desígnio e economicamente uma optimização de recursos. Se considerarmos que alterações estruturais na natureza humana levariam mais tempo do que o nosso olhar histórico alcança, vamos assumir que hoje ainda é assim - apesar das aparências. Até recentemente interagíamos por necessidade, obrigação, desejo, enfim, o básico. Aplicávamos assim a nossa dose de soberba em ambientes confinados, objectivos definidos e controlo sobre os níveis de aceitação. A soberba obviamente carregava um lastro moral, mas o homem construiu-se constantemente testando sempre novas combinações entre moral e pragmatismo. Eis-nos então chegados ao agora. A moral deslizou e encaixou-se num cesto de fruta onde já tinham lugar reservado a conveniência, a convenção social, o espírito do tempo e , embrulhada em papel vegetal para poder respirar melhor a, hoje famosa, auto-estima. E assim, com o ‘amemos o...