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Onfray, aquele do tratado de ateologia et al, no seu livro recente em que ataca de forma contundente a psicanálise ( Le crépuscule d'une idole. L'affabulation freudienne), ainda no prefácio elabora uma espécie de postulados e contrapostulados freudianos. Num destes últimos ele escreve: «A recusa do pensamento mágico não obriga de forma alguma colocar o próprio destino nas mãos do feiticeiro»
Julgo que o 'pensamento mágico' e as 'mãos do feiticeiro' são precisamente as bases (paralelas) do estado actual do pensamento. Explico-me: mais ou menos conscientes da nossa incapacidade de tocar na essência da realidade, somos forçados a criar uma realidade paralela que se preste à nossa manipulação. Daqui surgem as duas vias: valorizar a capacidade infinita de produção autónoma do nosso pensamento, ou valorizar a sua sujeição a forças ocultas que o orientam.
Serve o presente para indicar que apenas o cristianismo desfaz esta encruzilhada, ou seja: permite que a força do nosso pensamento possa agir iterativamente com não só o resto do fenómeno que é a existência humana, como com o outro fenómeno que é a transcendência. Diria, e digo, que a revelação cristã ilumina o homem duma forma que a sua contestação apenas reforça: só um alienado não descobre a natureza humana na mensagem e na experiência relatada de Jesus.
Cada um de nós é o pior cliente de si próprio e há que dar uma volta a isto.
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