Então como é para o Dragão , vou mostrar o meu lado mais delicodoce, aquele lado que, ao ser olhado de esguelha poderá atingir o leitor com raios vindos do Poderíssimo Altíssimo, mas, ao ser observado de frente, poderá transformá-lo em pedrinhas da calçada pois todos temos o direito a sonhar com os poderes da medusa antes de nos cortarem os tom..., vá, a cabeça. Então o desafio, ai credo um desafio, é: como olhar para a fragilidade, para a fraqueza, a baixeza, o desprezível, a mediocridade humana aos olhos daquilo que o cristianismo iluminou, ou seja, do homem destapado, descoberto, pelo fenómeno historico-literário, mas real, da Redenção, e confrontá-lo com o Deus que Jesus também revelou em simultâneo. Escolherei a rota pelo termo 'fragilidade' porque é mais abrangente, eloquente, e suave, como o português; e tentando não repetir miudezas rudimentares. 1. a fragilidade como condição - O homem tem uma tendência irreprimível para se definir e para ajustar a sua definição à s...
Comentários
Dar-te-á meu coraçaõ hoje aposento,
Que pois que sempre o foi de meu tormento,
Bem é que o seja teu somente um hora;
Verás um coração tam triste agora,
Que nunca soube ver contentamento,
E como está de posse o sentimento,
Então menos o sente quando o chora:
Mas se a Fortuna quer que eu goze um bem,
Porque me quer com ele fazer mal,
Pode comigo já desenganar-se,
Que quem ventura, sem ventura tem,
Se se val dela & cuida que lhe val,
Não tem cousa mais certa, que enganar-se.
«Laurea», em Das Ribeiras do Mondego (Livro Primeiro), Elói de Sá Sotto Maior. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1932.