verso à terça
Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens.
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
Eugénio de Andrade, em Mar de Setembro
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens.
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
Eugénio de Andrade, em Mar de Setembro
Comentários
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade, 'O Silêncio' in «Obscuro domínio» (Fundação Eugénio de Andrade, 2000, 8ª edição)
http://www.youtube.com/watch?v=FjjDmX9Tkss
que tal?
Não tenho outro ofício.
Entre o pólen subtil
e o bolor da palha,
recomeço.
Com a noite de perfil
a medir-me cada passo,
recomeço,
pedra sobre pedra,
a juntar palavras.
quero eu dizer:
ranho baba merda.
O Ofício
Então a figurinha dessa Carol Velasquez (não conheço) dá logo um ar mais viçoso aqui a esta cave! :)