Da saudade. Ah mas é um sentimento muito batido. Se calhar já nem é sentimento de tanto que lhe bate o vento. É amancebada da lembrança; ficam ali as duas muito chegadinhas, pudicas, à espera de ver qual é que dá o primeiro passo, que nunca será em falso, porque não se podem atraiçoar, estão as duas de mãos dadas, coladas, e viradas para o mar. Para o mar? Mas que lirismo tão gasto, que estepe tão ondulada e com tão pouco pasto, a saudade merece melhor, quando é saudade duns cabelos ao vento, dum tempo sem momento, e dumas palavras de alento. Então e a lembrança, não serve para nada, fica ali encolhida só a olhar para a ferida? Vá, chega-te à frente, oh memória, mostra que és gente. Sangra, dá-te ao manifesto, ajuda a alma que eu agora te empresto a não se vender à saudade a qualquer preço; eu mereço: ter uma saudade benigna, feita de pequenos ganhos, entrelaçados em estrelas, que mesmo fora dos baralhos, são beijos, e vou mas é metê-las no meu saco dos tesouros a rosnar quentinho como os besouros, ó filhas da mãe, só sofre quem as não tem. As saudades e as estrelas.
Mensagens populares deste blogue
power rangers
O poder é uma construção estritamente humana. Uma das grandes revoluções do cristianismo (leia-se: do património religio-cultural que decorre da vinda ao mundo de Deus feito homem ) é permitir que se olhe para um Deus omnipotente 'fora do poder', (o 'deus-poder' é propriedade intelectual do paganismo) ou seja, Deus como presença, caminho, salvação, e uma carrada de não despiciendos etceteras, (ou apenas 'verdade e vida' para utilizarmos uma fórmula mais poeticamente friendly) deixando para os césares a secção do economato. Num post do regressado dragonblog ele afirma que «o Poder vem sempre de alguma parte. Se não do «Alto e Sublime», então do baixo e desprezível. Se não conta a Palavra, passa a contar o número..» and so on, and so on. Ora na minha rudimentar forma de ver les choses: o poder nunca vem do «Alto e do Sublime», 'dasse!, 'o poder' é uma coisa do urbanismo da cidade dos homens, na cidade de deus só há aquilo que se pode sintetizar por ...
Nullum est vitium sine patrocinio
Então como é para o Dragão , vou mostrar o meu lado mais delicodoce, aquele lado que, ao ser olhado de esguelha poderá atingir o leitor com raios vindos do Poderíssimo Altíssimo, mas, ao ser observado de frente, poderá transformá-lo em pedrinhas da calçada pois todos temos o direito a sonhar com os poderes da medusa antes de nos cortarem os tom..., vá, a cabeça. Então o desafio, ai credo um desafio, é: como olhar para a fragilidade, para a fraqueza, a baixeza, o desprezível, a mediocridade humana aos olhos daquilo que o cristianismo iluminou, ou seja, do homem destapado, descoberto, pelo fenómeno historico-literário, mas real, da Redenção, e confrontá-lo com o Deus que Jesus também revelou em simultâneo. Escolherei a rota pelo termo 'fragilidade' porque é mais abrangente, eloquente, e suave, como o português; e tentando não repetir miudezas rudimentares. 1. a fragilidade como condição - O homem tem uma tendência irreprimível para se definir e para ajustar a sua definição à s...
Comentários