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Fazer das tsipras coração

Angela M. – Ó Wolfgang, já viste esta coisa na Grécia?! E agora o que fazemos? Invadimos? Wolfgang S. – Não, isso dá muita despesa, se calhar o melhor é matá-los à fome Angela M. – Isso agora já não vai dar, acho que eles aumentaram às escondidas as reservas de iogurte e pistachio e aguentam-se uns 6 meses Wolfgang S. – Então e se os deixarmos às escuras? Angela M. – Isso também não vai dar muito efeito porque de dia continuam a ver Wolfgang S. – Porra, e se oferecermos um Audi ao Tsipskas, ou Tresipas, ou Tskepsikas, ó lá como o gajo se chama, parece nome de comida estragada para gatos... Angela M. – Bem, podias começar com um WV Polo e depois logo se via a reação Wolfgang S. – Se calhar o gajo vai desconfiar que o estamos a tentar comprar… e ainda fica mais irritado Angela M. – E se pedirmos aos turcos para os foderem por trás?... Wolfgang S. – Credo, Angela, que bruta!, eles como estão já nem sentem nada… e isso era coisa para a Stasi, ...

never surrender

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Terrorismo de expressão

Quando Saramago quis escandalizar com o anúncio de que a Biblia mostrava um Deus cruel, vingativo, no fundo, má pessoa, confesso que fiquei, vá, pensativo. Poderia alguma coisa me ter passado ao lado, ou até ter interpretado mal, ou até, levado por uma visão demasiado poética, ter andado bêbedo de tanta parábola. Felizmente apoquentado por outros afazeres não pude ficar a pensar muito e, seguindo uma regra básica de qualquer alma sã: caguei no assunto. Noutro dia, tentando evitar que este blog anestesiasse demasiado, abri o blogger, escrevi e depois apaguei o seguinte post: Desmaker Consulting Group Procuram-se arruaceiros com boa apresentação e vacinas em dia para destruir redação de revista em quebra de tiragem. Fornecem-se fulminantes e bisnagas. No fundo, sentia falta de Saramago, daquele ateísmo ingénuo e combativo que, sob uma capa ideológica e literária, insultava a crença aproximando os crentes de Deus. Podíamos gozar com ele, claro, mas seríamos incapazes ...

Declaração Universal dos Deleites Humanos

Considerando que o desconhecimento e o desprezo pelos deleites do homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade, proclamamos: Qualquer ser humano tem direito a uma mediocridade digna. Todos são iguais perante o desprezo do Bem Comum pelo bem particular e ninguém deve ser arbitrariamente amado. Todos têm o direito de ser abandonados por aqueles que amam, e todos os que foram acusados de fiéis e bananas se presumem de marialvas até que fique provada a sua estúpida fidelidade. Toda a pessoa tem o direito de se considerar única e toda a pessoa tem o direito de se sentir apenas mais um. Toda a pessoa tem o direito de nada acrescentar ao mundo e de nada lhe poder ser reclamado em caso de juízo final imprevisto. Todos têm o direito de não sentir remorsos por recusar dar uma esmola, todos têm o direito de se deleitar com talentos recebidos sem nada ter feito para a sua posse. Todos têm o direito de ser enganados sem saber, e todos têm o di...

Dai-me uma liberalidade e levantarei o mundo

Algum, temporário, abrandamento de qualidade no futebol dos lagartos fez-me virar a atenção para o relato da comissão parlamentar do bes. O stock de tremoços leva mais tempo a baixar mas a cerveja corre com a mesma velocidade. Nesta fase do campeonato o marcador mostra no topo da classificação Sobrinho e Mortágua. Na luta para a despromoção, e responsáveis pelo uso intercalar do pistacho, aparece a chamada ‘família’ , taco a taco com os ‘reguladores’, eu diria até que o desempate se vai fazer pelo saldo combinado de liberalidades & colaterais. A meio da tabela aparecem uns tipos de apelido banal mas com uso criterioso de botões de punho pelo que vão acabar por fazer uma temporada calma, inclusive já me babei duas vezes para cima da tigela de cajus tal a sonolência provocada pelos ring fencing’s e o caralho. Espero que a época de contratações de Janeiro traga algumas movimentações no mercado, mesmo que se tenha de ir buscar alguns deputados às off shores, e obviamente a segunda vo...

Cirque du sommeil

Adormeci a pensar que detesto comer. Detesto inclusivamente aquela paneleirice do sabor, do empratamento, da novidade, da experimentação. Da comida que nos fazia a nossa avozinha! Quero lá saber do que me fazia a minha avozinha. Até sentir fome me traz desconforto, irritação. E depois de comer: nenhuma memória, apenas enfartamento. Japoneses, Tailandeses, fusões, michelins, só resta fastio: puta que os pariu. Acredito na comida apenas como fonte de negócio, aproveitando as fraquezas humanas: a vaidade, a necessidade de afirmação social, a necessidade de companhia. Viro-me na cama. São três da manhã e sou apenas uma concha de espinafres com sésamo ao lado de um bocado de enzimas em repouso que é a minha mulher.   Valeram as anedotas, apenas as boas anedotas salvam a comida que as acompanha. Detesto contar anedotas, adoro ouvir. Absurdas, repetidas, básicas, exuberantemente ordinárias como aquele vison que às mãos do casado de fresco lhe pareceu tudo cona. Alguma ventresca de atum ...

O Divã Disto Tudo V

Back to basics: o país está suspenso do contabilista e do motorista.   Depois de termos concluído sofrermos da famosa esclerose de elites, aprofundámos o tema e verificámos que afinal as elites estavam penduradas na competência duma classe intermédia que, numa revisão marxista, em vez de se revoltar vai agora lixar os patrões. Hoje, o futuro do orgulho nacional está nas mãos da menina das fotocópias, cada país tem o snowden que merece. Em primeira mão, aqui, a acta da audiência secreta no Parlamento, com a menina Dulce: Senhor Deputado – diga-nos menina Dulce, era a responsável pelas fotocópias? Menina Dulce – ora, chamavam-lhe a máquina de fazer offshores …. Senhor Deputado – acha que abusavam das offshores? Menina Dulce – não, os patrões eram muito respeitadores Senhor Deputado – respeitadores da lei? Menina Dulce – disso não sei, mas sei que gostavam de manter as aparências e por isso nos in-shore era tudo como manda a etiqueta e os bons costumes Sen...