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O cálice da vitória Mourinho reflecte cada vez mais um tique muito especial. O tique do sucesso mal assimilado, do sucesso mal resolvido, do sucesso mal relativizado. No FCPorto encontramos um fenómeno muito próprio do alcoolismo: quem sofre deste “vício” basta-lhe uma pinguita para ficar bêbedo; aos do FCPorto basta-lhes também uma pequena contrariedade para assumirem uma posição absoluta, extremada e patética de valorização do seu sucesso. Encapotada da nobre estratégia de “ fingir perseguido para melhor prosseguir “. Os “meus” lagartos, por exemplo, andaram uma carrada de anos à míngua, e acabaram por ganhar um campeonato sem estar à espera, lá fizeram a sua festarola e pronto: Partiram para outra - disparate claro, mas não ficaram a “remoer” na vitória. Depois ganharam outra vez, disseram-lhes que foi o Jardel que ganhou sozinho, mas olha ...gozaram a vitória, repetiram a festarola e partiram para outra – disparate claro, mas sem dramas, sem nostalgias folclóricas, sem bacocas psic...
Deprimidos !? Só se formos parvos. A correr fora das premissas do post anterior aparece o extraordinário episódio do “psiquiatra de bibi”. Trata-se de algo que nem deve ser humorizado, porque só se ia estragar a sua virgínia beleza : O suposto médico psiquiatra foi arranjado pelo advogado de bibi, porque se conheciam das reuniões de condóminos. Solícito, prestou-se de forma graciosa e de «grande elevação moral», a ajudar desvendar os lugares mais recônditos da psique do arguido. Põe-se agora em causa a sua verdadeira especialização em psiquiatria. Pura falsa questão. Parece que o portentoso especialista teria diagnosticado “amnésia lacunar ”. Trata-se dum equívoco: a sua especialidade é ginecologia e o mal encontrado é a, também frequente, “ amnésia la-conar “. Eu gosto deste país. E muito. Os que estão deprimidos podem ir andando. Só atrapalham isto.
Silogismos do real Primeiro grupo avulso de premissas: 1º Um presidente da república tem de vir dizer que não confunde velhas amizades com as suas responsabilidades. Não afirmou quais são as suas responsabilidades 2º A provedora da instituição do estado que é guardiã de crianças desprotegidas, tem de ser posta no lugar – e bem – por um advogado que defende um pedófilo assumido 3º O procurador-geral da república e o bastonário da ordem dos advogados jogam à bisca lambida com cartas abertas sobre o amor à verdade (porque a justiça não pode ser amada) 4º Os jornalistas queixam-se de que querem transformá-los nos bodes expiatórios das crises do regime (actualmente são apenas bodes marradores) 5º Certo juiz terá dito a um criminoso homicida que “você não devia existir”. Não se sabe a opinião do criminoso. 6º Um deputado em exercício é arguido de um processo de pedofilia. Mas não tem multas de trânsito por pagar. Segundo grupo de premissas a granel: Presidir, prover, procurar, bastonar, info...
O nosso equilíbrio interior também está prenhe de equívocos. O novo dicionário não ilustrado continua a arriscar nestes meandros, mantendo-se inquietantemente afastado das empolgantes entrevistas políticas com que somos brindados.(entradas 246 a 252) Auto-estima – Estado de alma hiper valorizado. O recurso exagerado a esta excitação, emanada das revistas de psicologismos afrodisíacos vendidos ao quilo, produz efeitos enganadores. A Nandrolona parece açúcar mascavado comparado com este doping de almanaque. Espírito Crítico – Engrenagem automática das personalidades mais débeis, que não conseguem encontrar a genuína força na lúcida, serena e incondicional credulidade. Crer desmedidamente é o caminho que dá mais probabilidades de chegar a acreditar nas coisas certas. Desconfiar é uma vergonha da nossa condição. Paz de consciência – Estado de vigília que deixa o paciente com uma espécie de gnose epidural: ou seja, enquanto lhe vão à carteira ele pensa que lhe estão a limar os calos. Valori...
O novo dicionário não ilustrado tem mesmo que fazer um parêntesis na futilidade dos factos e avançar para a angustiosa, mas heróica e virtuosa vida interior. O homem é que é um bordel de inevitabilidades morais. Mas ficam mal numa capa de revista. ( entradas 238 a 245 ) Preguiça in (acordar e levantar-se da cama)– Momento em que descobrimos que não é o sonho que comanda a vida, e em que desconfiamos que o valor da gravidade é muito superior àquele que nos andaram a vender. Sofrimento in (levar os filhos a fazer cocó numa casa de banho pública)– Momento empolgante da vida dos pais que os leva a reflectir na procriação e a chegar à conclusão que é uma realidade a exigir reformas profundas. O homem deveria alegar incompatibilidades. Responsabilidade in (tomar consciência que a filha anda a namorar)– Situação de peculiar nervosismo, que nos leva a oscilar entre as medidas de prisão preventiva ou a escuta telefónica; mas geralmente ficamo-nos pela acolhedora ignorância do segredo de j...
O eu massajado O supremo e perfeito agradecimento encontra-se no desprezo pelo elogio. Pensava. Mas vejo agora – na “cubicidade” da blogosfera – que a sublime humildade está também em não nos deixarmos encantar por sermos satirizados.
Jornalistas. Têm muito jeito e põem-se muito a jeito. Uma das garotas de ipanema do jornalismo – helena matos – encheu-se de graça e ontem terá escrito a coisa mais linda de que «os jornalistas já têm de zelar pelo direito de informar, não podem estar também a zelar pelo cumprimento do segredo de justiça» Eu, escravo da civilização dos deveres, agora já me sinto libertado! Não me podem acusar mais de sujar a tampa da sanita! Então se já tenho que zelar por esvaziar a atormentada, impaciente e cheia de direitos bexiga, queriam ainda que cuidasse de acertar o meu irrequieto e ácido jacto naquele assimétrico e desconchavado buraco!?... E tenho eu que zelar por gerir os direitos dos accionistas, e agora ainda me exigem que arranje dinheiro para pagar os ordenados, e por cúmulo que os transfira para a conta dos empregados! A natureza – que nunca se engana – de facto já tinha dado um lamiré, quando demonstrou que a quem se incumbe de zelar por fornecer o espermatozóide, não se lhe exige a ma...