Badanas Exemplares
Carlos Corrimão nasceu no Ribatejo em 1958 e é filho do
mártir comunista Feliciano Corrimão. A matéria prima das suas crónicas tem
origem no absurdo que é confiar naqueles que se elegem pelo voto - o votómito, expressão por si inventada. O seu estilo
inconfundível não deixa margem para dúvidas pelo tom compulsivo e pela estética
repulsiva. As suas influências, como ele dizia, devem encontrar-se nas anedotas
porcas e na dona zulmira, pessoa que não se chegou a saber se existia na realidade,
mas que todos os sinais apontam para ter sido uma freira carmelita a quem
comprava maçã reineta no convento de coimbra. As edições Adamastor já tiveram
o privilégio de editar o seu livro de contos 'Pauzinhos ao Sol', o seu romance 'O Caril'
e prepara-se para editar a sua biografia de Diogo Cão. A presente recolha das
crónicas que publicou no Benavente Weekly ( um jornal de teor anarquista
entretanto comprado pela holding Huambinova) são uma demonstração de que
Corrimão é uma voz luminosa no panorama cultural português, e uma voz sem medo
de acreditar na força criativa da desilusão, como ele tão bem expressa nesta
frase: «só custa a última vez».
in Carleidoscópio - crónicas em corrimão, de Carlos
Corrimão, edições Adamastor, 2014
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L.