Resumo de Compulsões de Compensação & Transferência; para memória futura

Quino, 'Não me grites'


0,250 kg diários de pevides do pingo doce

September of My Years’, Frank Sinatra

Nºs de Maio a Novembro, por atacado, da ‘The World of Interiors’

Uncut’ especial Pink Floyd (insistência em Meddley)

Cópia manuscrita de textos de John Locke

Mercury Rev

Canja feita com meios frangos do Modelo e estrelinhas marca branca

Biografias e escritos avulsos de Richelieu

3 cx de Montecristos

Coetzee, Byatt, Némirovsky, Gray

Gelado de Baunilha (qualquer marca serviu)

História, Geografia e Costumes da Bretanha

Kurt Weill por Ute Lemper

Vinho semi-carrascão de Aveiras de Cima

Literatura variada sobre o dogma e mistério da Santíssima Trindade

gráficos em econompicdata.blogspot.com

Luna Park

'Nought loves another as itself,
Nor venerates another so,
Nor is it possible to Thought
A greater than itself to know:

William Blake, W. (1956). «A Little Boy Lost», XX. In Songs of Innocence and of Experience - Showing the Two Contrary States of the Human Soul. London: Methuen & Co. Ltd. (p. 36, excerto)

message in a bottle

«Homens de bolso», Quino, 1977 (adaptado)

Do you prefer a V shape, or a U shape?

[Indice Sophie & Julliette]

Os índices das bolsas sentem-se maltratados e diminuídos no seu bom-nome. Nos últimos tempos têm falado deles sem qualquer respeito, esquecendo-se da pessoa que está por detrás do índice. Um índice de bolsa tem sentimentos, por detrás dum indice não está apenas um número; tem direito à sua intimidade, têm inclusivamente direito a viver sem inibições a sua opção sexual, e a exigir do Estado uma protecção sem discriminações de qualquer índole. Foi assim então que os principais índices de bolsa também se reuniram de emergência numa cimeira que ficou marcada pela grande abertura de espírito e pela franca troca de ideias. Dona Pessivinte foi a anfitriã,

Dona Pessivinte – Companheiros e companheiras, esta é uma hora em que devemos estar todos unidos, devemos concentrar-nos naquilo que nos é comum e desvalorizarmos as divergências. Guerra ao estruturado, guerra ao alavancado, guerra ao colateral, ninguém a respirar pela boca, tudo a respirar pela fossa nasal. Hoje há Euriborlas para todos.

Mr. DauJones – Eu, I, and Myself, como representante of the market mais importante all over the world, queria aqui deixar desde logo my total solidariedade para com os mais piquenos, que têm sofrido na sua reputação because of my cólon irritado; it was not minha intenção, e farei everything que estiver ao meu alcance to help a repor a dignidade que nos é devida; um Índice não pode ser tratado as an artist com casa alugada na Câmara por dois euros. O meu enteado, o Nasdaque, apologies, mas não pôde vir porque ficou a jogar Xbox helping a liga de amigos da Microsoft.

Mme Caquequarente – Mon Cheris et Sarkozys, je vous aime a todos, tenho andado beaucoup angustié, et avec este ambient de grande aznavour et turbulence que até me faz mal à la piel, noutro dia na rua até me disseram que eu já parecia uma Caquecinquente. Valha-me Santa l’Oreal. Peut etre isto é beaucoup de sable pour notre camion.

Herr Dax – Caque, querrida, não te queixes, und ich bin com uma dor nas costas que nem queirras saberr, comecei a fazerr uma corrcunda a partir de Julho que agorra parra me endirreitar vão ser prrecisas duas semanas a Bailout Plus e a Ecofin injectável, conhecido como o viagrra dos índices.

Miss Nikei – Vocêles também me palecem todos uns bétinhos; eu cá, sei pelfeitamente o que é não vêle nada decentemente espetado pala cima há uma cagada de anos, e têle de me andale a entletele apenas a fliccional bem nas boldinhas do iene, no banco detlás duma calinha toyota.

Mr Footssee – Boys & Girls, estais all very tense, não é caso para that, o meu padrinho Gordon - que nuns dia está mais Gin, noutros mais Brown - give us muita confidence, e isto gonna be tudo muita bem bailoutado até ao Christmas. After that vêm os saldos no Harrod’s e depois é sempre a aviar.

Dona Pessivinte – Queridos, não sei como agradecer a vossa presença, e apesar de vocês todos me parecerem Berardos em várias línguas, penso que ficou claro que o mundo precisa de índices e indiças assim motivados, bem alimentados e com a sua privacidade preservada. Termos o nosso nome todos os dias ao pé das entrevistas com o Saramago em nada nos dignifica, e todos gostamos de chegar a casa ao fim do dia e podermos olhar de frente os nossos filhos, e inclusive parir futuros em condições dignas, sem os ter de dar à adopção a índices panascas.

Herr Dax – Saiba Miss Pessivinte que é uma honra estar na terra dum índice que deu novos índices ao mundo, onde gato e lebre coabitam na mais perfeita harmonia, sem clivagens sociais, nem xenofobias, e onde até Magalhães pode voltar à ribalta, sem negacionismos, nem engolimentos de sapos.

Miss Caquequarente – ‘Dasse Dax, vous été un graxiste du camandre! Cette Pessivinte la c’est une micheruquice de indice, tu voulez é metê-la no teu cabaz de protégées ! Grand Cabron. Un jour vou-te aos bofes e faço-te em cac's.

Mr DauJones – Babies, então !? That's not digno de índices que se want to give ao respeito, não tarda we all seems senadoras do Alasca! I've been péssimo da vesícula, inclusivamente i've to take nausefe todos os days por causa do enjoo que me provoca a volatilility, e sonho com um weekend de cama com gripe para não me chatearem.

Miss Nikei – Ai filhas, eu quelia mas ela um fim-de-semana numa ilha deselta com aquele Buffett, cledo, aquilo é que é um homem que eliça o pêlo a qualquele índiça

Bailoutem-me, mas com jeitinho

Quino, em 'Gente', no longínquo (!) 1978

João Maria Gustavo

Como é óbvio e saudável nunca repousei a minha santa vista em qualquer encarrilamento de letras produzido por esse novel-nobel apelidado de Le Clézio. Mas um nome daqueles pedia uma dignidade desse porte, convenhamos; se bem que me pareça, desde logo, um nome bastante mais apropriado para um Nobel da Química, onde tem havido um certo descuido onomástico; afigura-se-me mesmo um desperdício gastar um nome assim tão cientificamente griffável num Nobel que já serviria bem com um simples Smith ou mesmo um Antunes. Perde-se assim a oportunidade de vir a denominar Le Clézio a uma estrutura molecular, ou mesmo a uma vacina para a queda do cabelo; nem sei bem porque é que me lembrei da queda de cabelo. Mas a mulher chama-se Jemia; com jota, atenção. Já não me parece tão fino.

Apresento-vos então a curva Roth-Delilo: -25% em 9 dias.


Sacado em bespokeinvest.typepad.com


dum tal de Larry Wright, do The Detroit News, e gamado em cagle.com. O plano nacional de leitura deveria passar a incluir a nova colecção do porquinho. 'O Porquinho desvalorizado', 'O Porquinho descapitalizado', 'O Porquinho no crash', 'O Porquinho insolvente', 'O Porquinho no Bailout', 'O Porquinho intervencionado', 'O Porquinho falido' e o 'Porquinho na bancarrota'.

Subprime Neighbourhood


Para desanuviar dos gráficos deixo agora aqui um singelo fluxograma da crise, (que até podia dar inclusive para fazer uma bela tshirt) explicando como, em dois anos, se pode passar de 600 biliões de hipotecas de merda, a carradas de triliões de merda sem hipoteca. No fundo, o graveto do bailout , que hoje não cabe na cova do dente da bolha, há coisa de dois anitos dava e sobejava para comprar e oferecer as casas todas ao pessoal do Bairro do Subprime



(Apanha-se em http://www.thedeal.com/newsweekly/features/chain-of-fools.php)

Como quem não quer a coisa, o dicionário não ilustrado vai fazer uma visita guiada à nouvelle cuisine mais velha do mundo. (entradas 1251 a 1260)

Segmentation – Sofisticada operação que visa chamar os bois pelos nomes sem os ofender muito

Securitizing – Técnica de arrebanhamento que põe as ovelhas a confraternizar com os lobos maus sem dar cavaco ao pastor

Leveraging – Preparação de pezinhos de coentrada sem coentros e nem pezinhos

Asset Backing – Técnica de refogado de passivos concretos que os transforma em activos indefinidos sem precisar de muito tomate

Warehousing – Técnica de camareira especializada que transforma uma confusa dispensa de hospício na sumptuosa sala de jantar dum hotel

Tranching – Clássica técnica da cozinha familiar, em que o fino fatiamento conduz ao melhor rendimento

Collaterizing – Processo pelo qual a minha canjinha fica sempre melhor com a galinha da vizinha

Combining - Movimento artístico que visou dar à gastronomia financeira a mesma dignidade do surrealismo.

Matching – Processo de enriquecimento fluido e progressivo, mas que no final se verifica que estão todos bem borrowedinhos.

Castelling - Método em que, depois de se retirar a gema ao mercado, se ficam a bater as claras até fazer o efeito clássico do farófia asset


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Yahoo

Os momentos de volatilidade, crise & ignorância são os que produzem os melhores gráficos. O mundo, irritado com as derivadas em regime de monótona previsibilidade, revolta-se e quer-se descrito de forma mais criativa, Decartes não passou frio e outras privações pélvicas para desperdiçarmos a sua criatividade com grafiquetas fatelas, tanto mais que, ainda por cima, bastam duas variáveis para se montar uma festa.

Aqui, por exemplo, num gráfico em condições gamado em econompicdata.blogspot.com


mostra-se que quando o famoso índice de volatilidade VIX (CBOE Volatility Index) atingiu valores elevados, quase sempre se seguiram meses de alta valorização.

Ora ele apresenta neste momento um valor record bem acima dos 50 (!) (às 11.00 AM de NY); estamos, pois, num ano Olímpico. Caso para o dicionário não ilustrado se voltar a pronunciar. (entradas 1243 a 1250)

Acaso – Designação físico-filosófica duma merda que ora nos sodomiza ora nos lubrifica

Incerteza – Designação corrente para uma merda genérica que pode justificar perante terceiros uma calinada particular.

Volatilidade – Designação artística para uma merda que nos fode sem dar tempo para aliviar os joelhos

Risco – Designação paneleira para uma merda que, basicamente, nem se sabe se é uma boa merda.

Medo – Designação poética para um rabo que de repente descobre que também é cu

Pânico – Designação jornalística para a situação em que um grupo de cus recentes descobre que não é tão cedo que voltam a ser meros rabos.

Recessão – Designação da ciência económica para a situação em que o número de rabos é inferior a 10% do número de pilas durante dois trimestres seguidos

Crise – Designação académica para os momentos em que os rabinhos já podem descansar que as pilas já estão satisfeitas.

(estará, outra vez, demasiado sintético?)

[actualização]

‘Vocês sabem do que estou a falar’ moments

O Dow Jones, hoje, no mesmo dia em que vai outra vez abaixo dos 10.000, numa hora subiu praticamente 500 pontos.

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«J'ai mangé mon rayon de miel, j'ai bu mon vin et mon lait»

František Kupka (1905-1909). Étude pour le Cantique des cantiques (pormenor). Lápis, tinta e aguarela s/b vélin de Arches, 32,5 x 25 cm. Paris: Musée d'art et d'histoire du Judaïsme.

Capricho Palavroso e Temático

O mundo dos blongas tem-se divido entre os que procuram as melhores frases para a antecâmara do escatológico crash e os que procuram uma boa fotografia do Paul Newman. No fundo, todos a procurarem as melhores metáforas para o fim do mundo, fazendo desabrochar o lado de manueles pinhos que todos temos dentro de nós. Ora neste enquadramento, Sócrates, engenheiro requalificado em vendedor de informática para o mercado da América Latina , disponibilizou o seu revolucionário programa das ‘Novas Oportunidades’ a todos os Estados Modernos que estejam numa crise vocacional e que queiram reencontrar o seu caminho nestes tempos turbulentos onde até o Blair vive de cobrar almoços.

De forma sintética, o dicionário não ilustrado apresenta o cardápio curricular mais clássico para Estados em redefinição de carreira:

Estado Regulador – geralmente é uma boa carreira para qualquer Estado que tenha alguns estudos, mas que não tenha dinheiro de família para arrancar com um negócio por conta própria

Estado Mediador – Constitui-se como uma boa opção para um Estado que não se importe de trabalhar à comissão, e que esteja disposto a ter a fotografia em folhetos de pára-brisas

Estado Vigilante – Boa carreira para qualquer Estado que não tenha problemas de circulação, e que assim não corra o risco de ganhar varizes enquanto vê os acontecimentos a passar.

Estado Supervisor – Oportunidade interessante para um Estado que tenha boa planta física, mas que precise duma ocupação de natureza intelectual para controlar a sua agressividade.

Estado Protector – Carreira bastante interessante para Estados mais sensíveis e com boas relações ao nível da camada de ozono.

Estado Estabilizador – Nova oportunidade para Estados que, mesmo tendo o motor, a direcção e as rodas na sucata, ainda julgam manter os amortecedores em bom estado.

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Post Estruturado com capital e link garantido, e com rendimento e feeds indexados à taxa de crescimento do PIB na Somália

O conflito entre a bailout e o short selling levam a um regresso tímido do dicionário não ilustrado, com as suas entradas swapadas nos números 3 biliões 1.228 a 3 biliões 1.235 (agora com números abaixo dos 3 bi, ninguém liga nenhuma).

Efeito Dominó – Movimento de registo horizontal que resulta na queda de várias peças, numa sequência envolvente e vistosa, e eventualmente sinuosa, simulando o quanto o mundo tem simultaneamente de tectónico e de lúdico.

Efeito Bolha – Um dos mais clássicos mecanismos de crise que aproveita toda a hidraulicidade da Criação e nos lembra, numa alternativa ginecológica à metáfora da cinza quaresmal, que: duma bolha saímos e numa bolha nos iremos esvair.

Efeito Bola de Neve – Movimento que enfatiza o lado feminino do Planeta, recordando-nos que apesar do recente, e praticamente inquestionável, aquecimento global, nunca saímos da idade do gelo.

Efeito Espiral – É o design industrial aplicado aos grandes movimentos de crise, e permite que um crash possa ser convenientemente preparado, ou seja, se a coisa helicoida para dentro é arranjar um bom ralo, se a coisa helicoida para fora é pôr uma rede à volta. E durante o vaivém podem vender-se bilhetes de montanha russa e acompanhar com farturas.

Efeito Onda – É uma espécie de subprime das crises porque geralmente só apanha quem está à beira mar acampado e a apanhar conquilhas para o jantar; o pessoal informado das marés geralmente já está no restaurante a chupar lagostins e a filmar a rebentação do terraço.

Efeito Borboleta – O mais mítico dos efeitos é hoje relegado para segundo plano pois, nos dias que correm, ainda a borboleta é larva na Nova Zelândia e já o Rui Ramos tem um artigo sobre o tufão da modernidade na penúltima página do Público.
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Efeito Car-jacking – Situação em que um depósito a prazo vai calmamente a entrar no seu período de vencimento e é subitamente abordado por um swap de default que o põe na bagageira dum hedge fund de alta cilindrada

Efeito Beckett – Movimento de cariz visionário que fez Sócrates convencer Chavez a investir maciçamente em manicómios desde que soube que afinal no sistema capitalista não regulam bem.
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Obséquio

Cecille era uma electrona bem posta que trabalhava em microondas numa loja em Genéve. Habituada a viver em ambientes muito magnéticos não havia partícula masculina capaz de lhe exercer uma atracção irresistível, pelo que se mantinha fresca que nem uma electrólise acabadinha de fazer. Mas num daqueles fins de tarde agradáveis à beira do lago, depois de ter comido um gelado com uma amiga que era especialista em torradeiras Phillips – daquelas em que as fatias de pão ficam entaladas na merda dos arames – não lhe saía da cabeça o protão Jacques Philippe que tinha conhecido havia umas semanas no aniversário da sua colega Ófelia, uma electrona portuguesa que trabalhava em aspiradores, pois, dizia-se, tinha elevada capacidade se sucção. Jacques Philippe, que descendia duma linhagem real dado que o seu trisavô tinha estado no próprio Big Bang a combater ao lado do mítico Boson de Higgs, acabara o estágio para pintelho de cronómetros na loja do seu primo Patek, e chegou a acalentar o grande sonho de poder acelerar no novo circuito de LHC, tendo inclusive chegado a conseguir o patrocínio duma casa de ponteiras laser. Infelizmente fora preterido em favor de Louis de Chamounix, um protão ao qual tinha sido diagnosticada hiperactividade desde pequenino e que até já tinha feito o treino em altitude no carril dum funicular dos Alpes. Louis andara meio perdido na vida, e como era muito acelerado dedicara-se inclusive ao roubo de esticão, tendo sido descobertos os seus dotes por um contabilista do CERN alertado pelo grito histérico duma velha electrona alsaciana de férias em Genéve: «agarra que é hadrão!».
Cecille hesitava agora entre a distinção e pedigree de Jacques e a original fogosidade de Louis, cumprindo o clássico dilema feminino: segurança ou aventura; ou seja, no caso: uma vida estável nas suaves e previsíveis ondas electromagnéticas, ou uma vida de ansiedade e emoção sempre a ver se o seu amor se transformava em fogo de artifício iluminando quanticamente a humanidade, ou se escaqueirava todo numa curva mais apertada do magnético acelerador.
Estava Cecille absorta nestes pensamentos quando lhe aparece a sua amiga Ofélia, chorosa: tinha sido alvo de assédio por um buraco negro em expansão. Temerosa, agora, via bandos de quarks por todo o lado a tentarem violá-la. Mas Cecille, enquanto a consolava e a ajudava a recompor-se, nem acredita naquilo que os seus olhos focam: Jacques Philippe passeia-se calma e alegremente com uma Neutrona vistosa e loira, que parecia saída duma sessão de oxigenação de partículas – moda muito em voga desde que Stephen Hawking fez o seu primeiro artigo ilustrado sobre cosmologia inflacionária para a revista Elle. -«Filho duma grandessíssima Protona! E dizia ele que me seria para sempre fiel que nem um protão suíço» desabafou Cecille, espumando radiação. E foi assim que, ao saber-se e sentir-se enganada, Cecille fez uma plástica à base de fermionas, e se tornou na primeira electrona a acelerar nas pistas de Genéve, arrastando a cauda a uma legião de hadrões speedados, tendo ficado conhecida na história da física nuclear como a Bozona de Lemán.

Maçada

Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, José, natural de Maçada, Vilar de, sente agora que já só lhe devem ser colocadas as grandes questões da humanidade. Deve pronunciar-se sobre guerras frias e/ou aquecimentos globais, federalismo europeu e/ou autonomias caucasianas mas, pela vossa rica saúde, não o macem com as miudezas da governação, para isso perguntem ao Silvas, Augusto e Santo, se preferirem com coirato, ou então Cavaco e Aníbal, se preferirem com bolo rei.

Outrora coincinerador compulsivo, hoje estadista e reformador credenciado, depois de nos libertar úteros e pulmões, falem-lhe agora apenas do que realmente importa; Portugal está a ficar uma grande Vilar de Maçada, pontilhada aqui e acolá por casinos, golfes e etares.

O estado deficitava, não era? Ele resolveu; os professores andavam folgados, não andavam? Ele resolveu; o metro afundava-se no Terreiro do Paço, não era? Ele resolveu; ninguém receitava remédios de linha branca, pois não? Ele resolveu; queriam um restaurante com um estrelinha no Michellin, não queriam? Ele arranjou; o pinhal ardia todo, não ardia? Ele resolveu; andava tudo na bisga na estrada, não andava? Ele resolveu; queriam o Leonard Cohen ao vivo, não queriam? Ele tratou; que maçada, digam-lhe só onde está o problemazinho que ele resolve ou manda resolver, mas, se querem pormenores, perguntem ao Pinho, Manuel, se quiserem rir, ou à Ferreira Leite, Manuela, se quiserem chorar. Essencial: agora que já saiu definitivamente de Vilar de, não o macem.

O próprio mundo poderá estar a ficar perigoso e José, ex Maçada, Vilar de, Sócrates, terá agora coisas mais importantes que fazer; Guterres, Barroso e Obama não podem ficar a tratar disto sozinhos; e Portugal já maça muito. Até a Madonna se vem cá repetir. Não tarda até queremos cá a Nossa Senhora a aparecer outra vez; ainda a SIC tinha de ir arranjar uns pastorinhos à pressa.

Perna de Palin

Nunca uma catequista com ameaças de celulite sonhou poder chegar tão longe: acólita dum piloto de guerra, praticamente uma co-pilota de guerra. Os extremos têm-se tocado nas reacções, mas as mais bem esgalhadas são de facto aquelas que vêem uma ratice suplementar em Mc Cain por ter escolhido uma mulher-catequista para o pleno de sacar votos à esquerda, empolgar o volátil mulherio, e fixar o sufrágio da malta que recita as epistolas de s.paulo entre churrrascos, deixando o black one ( claramente em dominação pela sua mulher guerreira (*)) entalado por ter resistido a escolher Hillary, um dos vértices opostos a Palin no paradigma feminino, Broodway against Alasca, hard freedom versus sweet dogma, Chanel versus H&M.

Ora o modelo ‘Catequista’ sempre significou no imaginário masculino um ícone de desejo e sublimação - dê um passo em frente o primeiro gajo que na sua fase iniciática aos grandes mistérios da humanidade não acordou com a imagem da catequista a decorar-lhe o cortinado (falo especialmente para aqueles que dormiam virados para a janela) qual profano sudário. Um verdadeiro tesouro politico. A mulher-catequista com o homem-soldado cumprem o binómio que faltou às últimas legiões romanas emboscadas no meio de tanto bárbaro. Poderá ser finalmente concedida a dignidade de Estado a um dos grandes filões escondidos do feminismo ocidental: the woman of the fresh faith, a mulher cujo traçado de perna reflecte apenas uma serena cumplicidade com o inefável.

{Deverá, assim, ser também um recurso a explorar pelos partidos portugueses, que mais recentemente têm optado pela opção, notoriamente mais bafienta, da sacristia. E Deus Nosso Senhor seria incapaz de negar o que quer que fosse a quem O serviu com diligência na espinhosa missão de explicar a um catraio ainda tenrinho como é que alguém fica famoso só por transformar água em vinho}.


(*) que quantas vezes não lhe terá dito: ‘se perdes com a cabra da loira ficas a pão e água’…

(na foto Palin e o marido, enquanto ela lhe explica que não pode jogar à cabra cega porque tem uma rotura no 6º mandamento cruzado)

Luna Park

«A união conjugal é suficientemente funcional para se constituir a si própria e subsistir, com assistência mínima, apenas subsidiária, do Estado. Ao contrário, o "casamento" homossexual é inteiramente uma criação do Estado. Sendo estéril e carecendo de metade do material genético necessário, tem que ser o Estado a tratar da sua "descendência": destacando e atribuindo direitos de parentalidade, facilitando a adopção e subsidiando as formas de procriação assistida que forem precisas, para satisfazer o "direito à família" integrante da actual agenda homossexual.» de Pedro Ferro, in Público, 'Proibido discordar?', hoje.

a preto e branco

my knight in rusty armor

[...]

The "perfect" prince does not exist.
A knight to save me is all I need.
But his army won't be shiny.
It will be rusty, I know.
For my knight will have his problems, too.
And while he saves me from my trials,
I'll save him from his.
And we'll ride into the sunset.
But life will carry on.

[...] fonte

after sun













ferrugens, 2008



Luna Park

"Não há como um humorista para ser poeta; delicioso e autêntico poeta. Em geral não gosto daqueles poetas a quem, como diria Nietzsche, a dor faz cacarejar como as galinhas. Nos autênticos poetas, o humor é prova duma desilusão profunda. Algo que, por ser subtil, não tem nome nem aspecto. É uma sombra da dor, mas não é dor."

Agustina Bessa-Luís, "Dicionário Imperfeito", Guimarães Editores, 2008 (pg 220)