Banco Romeu e Caixa Julieta

Contra os conselhos da paternidade reguladora um private banking apaixonou-se por uma caixa de crédito agrícola. Namoraram vários anos às escondidas, fora do perímetro contabilístico, até que se expuseram em excesso aos mercados e tiveram de assumir a relação. Aproveitaram um veículo que tinha ficado adormecido depois de uma tomada de posição agressiva em cimenteiras do norte de África e fugiram levando apenas os trapinhos que tinham no balanço. Viveram períodos de paixão arrebatada, com pouco eram felizes, meia dúzia de clientes fiéis e algumas relações que não lhes exigiam alvará bastavam-lhes para cumprir diariamente o voto eterno de fidelidade em torno de um amor, um spread e uma cabana. Mas um dia o mal parado também lhes haveria de bater à porta e o romantismo da caixa de crédito começou a vacilar. Tinha sonhos de um dia também poder entrar para um ou outro Project finance, nem que fosse uma barragem, ou mesmo um projecto de rega gota a gota. Tudo coisas que um private banking não pode dar pois precisa da aventura para respirar. Apareceu então um banco público que tudo isso lhe ofereceu e ela facilmente se deixou nacionalizar; mesmo sabendo que assim seria apenas mais uma, e nunca mais poria as mãos num produto estruturado nem alavancado; o mais que poderia agora ambicionar era um dia ser escolhida para colateral. E ele assim, impotente e sem glória, deixou fugir a caixa amada da sua vida para os braços duma rede de balcões.
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2 comentários:

io disse...

É curioso porque a mim tinham-me dito que tinha sido a supervisão materna da caixinha quem se tinha manifestado contra: menina não te metas com finórios. Mas ela teimosa, meteu-se. Agora anda atrapalhada de todo e, todavia e pese embora, parece que foi a própria da supervisão materna em conjunto com os 5 maiores princípes do reino, a galope do aval do Estado, que se dispuseram viabilizar o rapaz e tranquilizar a caixinha.

aj disse...

já se sabe que ao private banking e ao borracho põe sempre o supervisor a mão por baixo