( Da dívida. Quando se recebe um tesouro fica-se com a alma num cadinho, amarfanhada com alegrias e com aflições. Mas fica-se o dono da gruta. O senhor da senha. O mestre das cerimónias. O que olha para os Ali bábás e pensa: não apanham nada daqui porque «nasci com as palavras dentro de mim». Um tesouro pode ser «agreste ou cruel», mas nunca será «indiferente», irá sempre «apaziguar ou ferir». Apetece-me agora ficar um eterno amanuense. Eternamente refém duma cópia, mas vivendo na «doçura» de um sequestro, de mão dada com a «serenidade fria» da sentinela que «olhava o quotidiano», e o quotidiano era eu. Mas quem guarda um tesouro também fica preso na «ingenuidade perversa» da permanente adoração, no «hermetismo» dum deslumbramento, sufocando «o acto vital que é respirar» no vento fresco. Pois é, mas eu recebi um tesouro por estes dias. Viverei assim num suave embasbaque, encurvado, tapando os reluzentes «prazeres» que assim reflectirão só para mim, e beijando as «mágoas» que alguns raios acabem por trazer. E se for preciso até brincarei com «os fantasmas sem memória», pois nenhum «insidioso veneno» me «amputará a liberdade» de conviver com as «ideias e as palavras» que esse tesouro «tem dentro». Que nunca me faltes pulmão de ouro, com as tuas palavras de afiado marfim. Só assim respirarei o tesouro, e ele me derreterá o seu elixir. )
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power rangers
O poder é uma construção estritamente humana. Uma das grandes revoluções do cristianismo (leia-se: do património religio-cultural que decorre da vinda ao mundo de Deus feito homem ) é permitir que se olhe para um Deus omnipotente 'fora do poder', (o 'deus-poder' é propriedade intelectual do paganismo) ou seja, Deus como presença, caminho, salvação, e uma carrada de não despiciendos etceteras, (ou apenas 'verdade e vida' para utilizarmos uma fórmula mais poeticamente friendly) deixando para os césares a secção do economato. Num post do regressado dragonblog ele afirma que «o Poder vem sempre de alguma parte. Se não do «Alto e Sublime», então do baixo e desprezível. Se não conta a Palavra, passa a contar o número..» and so on, and so on. Ora na minha rudimentar forma de ver les choses: o poder nunca vem do «Alto e do Sublime», 'dasse!, 'o poder' é uma coisa do urbanismo da cidade dos homens, na cidade de deus só há aquilo que se pode sintetizar por ...
Nullum est vitium sine patrocinio
Então como é para o Dragão , vou mostrar o meu lado mais delicodoce, aquele lado que, ao ser olhado de esguelha poderá atingir o leitor com raios vindos do Poderíssimo Altíssimo, mas, ao ser observado de frente, poderá transformá-lo em pedrinhas da calçada pois todos temos o direito a sonhar com os poderes da medusa antes de nos cortarem os tom..., vá, a cabeça. Então o desafio, ai credo um desafio, é: como olhar para a fragilidade, para a fraqueza, a baixeza, o desprezível, a mediocridade humana aos olhos daquilo que o cristianismo iluminou, ou seja, do homem destapado, descoberto, pelo fenómeno historico-literário, mas real, da Redenção, e confrontá-lo com o Deus que Jesus também revelou em simultâneo. Escolherei a rota pelo termo 'fragilidade' porque é mais abrangente, eloquente, e suave, como o português; e tentando não repetir miudezas rudimentares. 1. a fragilidade como condição - O homem tem uma tendência irreprimível para se definir e para ajustar a sua definição à s...
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