blocogamia


De todos os grandes temas do momento, designadamente, o video-do-marcelo, as declarações-da-jonet, a visita-da-angela-doroteia, e o novo casal-do-bloco, apenas este último me parece de real importância. Não se trata, como aparentemente se poderia supor, de uma liderança bicéfala, (aliás, é até aos homens, isoladamente considerados, a quem geralmente é atribuída essa qualidade de pensar com duas cabeças) trata-se antes, e  numa primeira análise, de uma tentativa de re-hormonização do poder. Face à carga erótica que geralmente está acometida a qualquer liderança, o bloco de esquerda enveredou por dessexualizar o exercício do poder e fê-lo precisamente: sexualizando-o. Face à herança hermafrodita de Louçã não seria fácil encontrar uma solução que não esta de amancebar heterosexualmente dois espíritos de esquerda num único casulo trotskista. E é assim que se traz para o maravilhoso mundo da termodinâmica homem-mulher uma nova e empolgante categoria. Face a relações menos ortodoxas entre um homem e uma mulher, que geralmente dão origem às explicações tipo: a) ah, são apenas amigos; b) ah, são apenas sócios num negócio; d) ah, têm apenas os filhos no mesmo colégio; e) ah, foram apenas colegas desde o infantário; f) ah, apenas tiram fotografias juntos; g) ah, são apenas vizinhos, junta-se agora o h) ah, são apenas co-líderes. A co-liderança é, assim, uma relação meta-sexual em que tudo funciona em vasos comunicantes, sendo que a troca de fluidos é substituída por uma comunhão de ideais de esquerda partisanica, também conhecidos como trostkosterona. Esta hormona revolucionária, produzida pelas glândulas quando funcionam em bloco, é a responsável pela orientação do organismo para todas as causas desfavorecidas, permitindo-lhe a adesão à polémica incontinente e à abolição de todas as indulgências aos consagrados. Assim, o bloco-casal (que enche um chouriço diferente da sicasal) tem ao seu alcance proporcionar todo um tipo de sensações de libertação e empatia com o mundo em geral até hoje apenas verificáveis em ambientes de espiritismo ou amor livre, mas agora numa confluência de energias propiciadora de revolução, serenidade e compreensão mútua.

Deixo então aqui, aquele que será o novo hino do bloco, numa adaptação do êxito de Lara Li ('Telepatia')

Blocogamia, revolução e calma,
Feitiçaria na nossa alma
Passo a passo, sem ter medo
Abrímos, soltámos o nosso segredo

E a sorrir, devorámos o mundo
Num abraço tão profundo.

6 comentários:

maria disse...

delirante!!! :)

aj disse...

Ainda não paga imposto :)

O faroleiro disse...

Up behind the bus stop in the toilets off the street
There are traces of a killing on the floor beneath your feet
Mixed in with the piss and beer are bloodstains on the floor
From the boy who got his head kicked in a night or two before.

Blokophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these
Blokophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these

In the pubs, clubs and burger bars, breeding pens for pigs,
Alcohol, testosterone and ignorance and fists
Packs of hunting animals roam across the town
They find an easy victim and they punch him to the ground.

Blokophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these
Blokophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these

The siren of the ambulance, the deadpan of the cops,
Chalk to mark the outline where the boy dropped
Beware the holy trinity: church and state and law
For every death the virus gets more deadly than before.

Blokophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these
Homophobia-the worst disease
You can’t love who you want to love in times like these

aj disse...

ena ena, Mr faroleiro, isso anda animado aí pelo promontório!

Anónimo disse...

Não sai mais Leffe para a mesa do faroleiro!

aj disse...

bela cervejola, olha lá!