Wordofilia



Esta coisa da hipervalorização do “silêncio” como técnica depuradora da nossa “condição de consternados”, continua a deixar-me próximo do incómodo – hoje – estado de pura risibilidade. Os minimalismos “possidónicos” das imagens despojadas de textos, revelam geralmente incompetência. Esta secreção que convencionámos chamar palavras, serve é para ser espremida, e se não o conseguimos é por mera debilidade: não o disfarcemos confundindo-a com um sofisticado estado de alma. Eu até acho que já disse isto aqui, mas reforço: o silêncio como estado de pureza mística não será uma total fraude, mas roça-a. É comovedor fazer das fraquezas forças, mas topa-se à légua. Um homem a fugir e a desencantar-se do seu palavrejar é como um cavalo a ter medo de dar coices, parece um Bambi ou uma Lassie. Não abusemos da nobre e falsa erudição feita parcimónia verbal, pois corremos o risco de viver apenas nadando bruços.

De facto, a palavra feita circunstância, produz mais felicidade que a palavra feita conceito. Banalizemos as palavras antes que elas o façam connosco. Abençoados os prolixos. Ámen.

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