verso à terça


Unwearied still, lover by lover,
They paddle in the cold
Companionable streams or climb the air;
Their hearts have not grown old;
Passion or conquest, wander where they will,
Attend upon them still.

W.B. Yeats, in The Wild Swans at Coole

e agora o elo que faltava à grande cadeia da história

Por muito que se pretenda dar ao conceito de passado um estatuto intelectualmente bonificado, será sempre à conta do futuro que se produzem as maiores avalanches ejaculatórias. Apesar da má fama do projecto, todos queremos produzir uma ou outra verdadita antes do tempo, todos queremos ter o nosso apocalipse pessoal e portátil. Por mais fatalistas que sejamos ninguém enjeita ser secretamente um pequenino fazedor de futuros e restantes providências. Como já não vim a tempo de escrever um Companion da crise, nem mesmo um simples 'desenmerde-se você mesmo em 10 lições', o melhor que posso aqui deixar é um elenco de futuropatias para o amável leitor poder escolher, no remanso da leitura descomprometida, qual se adequa melhor aos seus fluxos e refluxos gástricos; ou outros. (dicionário não ilustrado nas entradas 1387 a 1395)

profecias - Tipo de abordagem do futuro em que este se apresenta protegido por uma película de celofane cósmico só transponível através de bolas de fogo ou messias em brasa.

agoiros - O futuro como algo do qual essencialmente nos precisamos de proteger. No fundo trata-se de conseguir fazer com que uma blitzkrieg de consciência se possa transformar numa mera moinha no estômago.

prospectivas - Basicamente a realidade futura constrói-se em torno de 4 elementos básicos: dados, relações, imprevistos e consequências. Uma diarreia é uma consequência, uma cereja é um dado. Um quilo delas comido de enfiada é uma relação. A falta de papel higiénico é o exemplo dum imprevisto. A existência de olho do cu é uma benção do sistema.

astrologias - Todos temos de escolher algo que nos condicione, se essa escolha recair sobre um conjunto de calhaus gigantes que cabriolam e rodopiam airosamente entre si dividindo forças, poeiras e gazes, acabamos por assentar numa opção esteticamente com algum potencial.

utopias - Se o futuro puder ser um lugar que não existe garantiremos sempre, pelo menos, poupança em deslocações e estadas.

determinismos - No ângulo morto entre o eterno retorno e o materialismo dialéctico será sempre possível encontrar uma ultrapassagem segura, e que nos permita dizer serena e alegremente adeus ao caos que se arrasta pelas bermas. Depois, a melhor forma de nos protegermos do embate do futuro é irmos preparados com uma quimera nos cornos.

revelações - Para parirmos um anjo com estudos basta não termos alergia a frases pomposas e tratar com algum cuidado as articulações. Os nossos joelhos podem transformar-se em verdadeiras dobradiças de pandora.

adivinhas - Para evitarmos a desagradável situação da bola de cristal ficar sem pilhas no momento em que os sinais começassem a dar de si, a opção mais eficaz é assumirmo-nos nós próprios como os sinais e levarmos o 'conhece-te a ti mesmo' às ultimas consequências.

premonições - nesta categoria, subsidiária duma espécie de panteísmo da 3ª geração, o futuro não é mais do que a manifestação retardada dum qualquer fenómeno que já hoje percorre o nosso espírito. Ou seja, tudo começa numa comichão: uns detectam-na, outros não.

Reverso à terça



Sócrates - (...) o prazer não é a felicidade, nem a dor a infelicidade, de modo que o agradável resulta distinto do bem.

Platão, in Górgias (trad. ed 70)

verso à terça (*)

Com alma, ideias, tempo, luta
Componho um homem, sou sujeito:
Penso-me livre numa gruta
Como pretérito imperfeito
                             
De era se faz o meu futuro,
Será será o meu passado
Como da hera se faz o muro
Mais que de pedra levantado.

Vitorino Nemésio, in O Verbo e a Morte

(*) despachado logo à segunda

adoro-vos

leitores queridos, este será sempre o vosso blogue de companhia. Podeis estar a fazer uma sopa de espinafres ou a estender uma roupinha, aqui encontrareis sempre um tempero amigo, uma brisa morna e duradoira. Podeis estar a fazer a vossa ginástica matinal ou a soprar um incómodo pavio, aqui encontrareis sempre um algodão fofo e macio. Podeis estar a preparar o veneno para limpar o sebo de quem vos aborrece, aqui encontrareis sempre uma visão serena do mundo, algo que nem o aquece nem arrefece. Podeis estar a fazer uma respiração boca a boca, ou a medir a tensão, aqui encontrareis sempre um coração que lateja mas não fraqueja. Podeis estar preparar um verso para o manjerico ou mesmo a tomar balanço para saltar uma fogueira, aqui encontrareis sempre uma rima discreta ou mesmo o motivo para uma boa bebedeira. Podeis estar a preparar a presidência dum partido ou a dar o lustro a alguma secretária, aqui encontrareis sempre uma interjeição purificadora ou uma pepineira sem malária. Podeis estar a limar as unhas ou a despachar um amante, aqui encontrareis sempre um bálsamo suave ou uma praga purgante. Podeis estar a preparar um discurso lacrimejante ou um sermão à maneira, aqui encontrareis sempre uma metáfora urgente ou uma natureza morta sem varejeira. Podeis estar a rezar um terço ou a descascar uma romã aqui encontrareis sempre a mão que embala um berço ou um carinho para com o Louçã. Podeis estar a cheirar o corrimento ou a preparar uma mezinha para aquela tosse cavada, aqui tereis sempre um perfume inebriante ou uma bela xaropada. Podeis estar a escolher um ministro para as finanças ou a pintar uma aguarela, aqui encontrareis sempre umas palavras mansas ou o aconchego duma boa flanela. Podeis estar a fazer uma urgência, ou a acabar um plantão, aqui encontrareis sempre frases belas e sem senão. Podeis estar a ouvir um carrilho ou um pacheco, aqui encontrareis sempre um narciso sem espelho nem eco.

perverso à terça



A borboleta que poisou

no teu mamilo perdeu

vontade de voar

Jorge de Sousa Braga, in Fogo sobre Fogo

Antes de maquilhar aplicar bem o DeSKapante

Não tendo nada de relevante a dizer sobre a extinção do bloco de esquerda, e menos ainda sobre o estranho desaparecimento da anti-matéria por alturas do big bang, ou mesmo a grande pepineira do Reno, tenho obrigatoriamente de me debruçar sobre as questões de índole antropológica que irão sobrevir no famoso caso judicial: camareira desconhecida preta vs hóspede famoso branco. Em primeiro lugar haverá que definir sinteticamente os contornos da caracterização técnica do comportamento do macho humano  face à respectiva fêmea numa geração pós diluviana e liliputiana como a nossa. O dicionário não ilustrado nas suas entradas 1378 a 1386.

libertino - tipo de macho que orienta a sua enorme sensibilidade para a compreensão da volúpia que emana do universo feminino.

sedutor - tipo de macho que se distingue pela interpretação minimalista do comportamento passivo do intérprete sexual feminino.

conquistador - tipo de macho que aborda a silhueta feminina num ambiente de cartografia recreativa.

atrevido - tipo de macho que gosta de partilhar a forma iluminada com que encara os desígnios obscuros da criação.

lúbrico - tipo de macho que só cria a expectativa depois da concretização.

guloso - tipo de macho que escolhe o tempero antes de escolher a carne.

predador - tipo de macho que prefere uma arranhadela na savana a uma massagem na capoeira.

perverso - tipo de macho que considera a frente uma antecâmara do verso.

insaciável - tipo de macho coperniquiano que leva muito a peito a Terra ser feminina, redonda, e que não deve parar de rodar.

Receita infalível em 5 passos

para esquecermos para sempre que o sócrates existiu

1º fase - centrifugação : ao colocarmos todo o passado a girar muito rapidamente haverá uma separação natural das memórias mais pesadas.

2º fase - decantação :  canalizar essas memórias pesadas para a bateria de filtros mecânicos - como fodasses ou mesmo um ou outro puta-que-os-pariu - permitindo assim a sua segregação mais rápida e indolor.

3ª fase -  filtração: as memórias pesadas deverão ficar retidas em bolsas de nitrogénio, decoradas com imagens do Senhor dos Passos e devidamente instaladas na zona do bolbo raquidiano mais próximas do escape, ou purga, mental.

 4ª fase - remoção:  as partículas mnemónicas já devidamente inertizadas serão então removidas com a ajuda de terceiros habilitados para o seu tratamento, como taxistas ou cabeleireiras.  

5ª fase - certificação: Guardem as guias de transporte dos resíduos, pela vossa rica saúde, o seguro costuma morrer de velho.

Trata-se dum processo pensado para um período nunca superior a uma semana. Se não produzir os efeitos desejados repetir até três vezes. Se ainda assim não obtiver resultados satisfatórios pense nas vantagens da vida monástica.

música à 6ª

Amália Rodrigues, Fandangueiro. Letra de Pedro Homem de Mello e música de Alain Oulman.

[O design do video é péssimo mas a gravação sonora é bastante aceitável.]

Os sonhos de José

Este impasse a definir substituto para strauss-kahn deve-se ao forte desejo internacional de que seja josé sócrates a ocupar o cargo. Sócrates seria assim uma espécie de guterres para os refugiados maus. Tudo isto porque na semana passada josé sócrates conseguiu entrar num sonho de carla bruni (bastante sensível na sua nova prenha condição) e fez-lhe ver que se ele estivesse nos destinos do fmi o seu rebento iria sair loirinho, alto e com voz de barítono napolitano. Em paralelo, durante um sonho de josé, este conseguiu através dum pepino desinfectado penetrar no subconsciente de Angela e aproveitou para lhe deixar ao lado dum recalcamento relacionado com glândulas mamárias a indicação de que com ele no fmi seria instituído o menage à troika no qual todos os apetrechos seriam feitos à base de latex do Reno. A habilidade de sócrates em fazer de cada buraco uma nova oportunidade, onde até a minhoca fica a falar francês, em transformar um povo de anjinhos num povo de pombinhos, não passou ao lado de nenhum líder europeu que, depois de verem Dominique sucumbir algemado às graças duma camareira, só confiam agora em quem conseguiu algemar um povo inteirinho sem este sequer ter percebido de que lado vinha o bafo. Sócrates está bastante sensibilizado com esta escolha e já fez saber que só aceita se o magalhães for considerado património mundial, seja onde for, na pior das hipóteses no vaticano, a fazer de relicário. Mas toda a comunidade internacional, de G8's a 80's, alimenta bastantes expectativas com esta nomeação, pois é largamente consensual a opinião de que com Sócrates à frente daquela instituição se reganhará um novo fôlego no apoio à recapitalização das economias mais poli-traumatizadas, com este a vender peque-quatro's (em duas versões, spray ou pomada) que posteriormente se multiplicarão em escala geométrica passando a ser o 'peque' a nova moeda de intervenção monetária, acabando de vez com as crises do euro, de sinusite e de espasmos lombares depois de joggings matinais. Sócrates encontra-se neste momento a sonhar a meias com Berlusconi, com este a garantir-lhe o apoio incondicional e inclusive dizendo que a Ruby está de prevenção para servir de camareira onde for necessário, tendo ambos chegado à conclusão que o diabo está nos pentelhos.

verso à terça

You worry that I will leave you.
I will not leave you.
Only strangers travel.
Owning everything,
I have nowhere to go.

Prince Leonard, in The spice-box of earth

Troika de MOU's (3/3)

O pior serviço que a demagogia politica prestou ao desenvolvimento humano foi a introdução abusiva e banalizadora na agenda retórica corrente do maravilhoso mecanismo da vitimização. Criar vítimas foi desde que há registos uma actividade absolutamente fundamental no estabelecimento do equilíbrio entre o homem e o que o rodeia, e sempre foi a forma mais digna deste se relacionar com a adversidade, com a imprevisibilidade e a ininteligibilidade do mundo que são, registe-se, as suas características principais. Ao contrário das suas outras companheiras de troika, a vitimização não vive apenas de prerrogativas da mente e exige competências, digamos, técnicas ou mesmo artísticas. Vitimizar não é apenas um mecanismo para chamar a atenção, a vitimização é o acto mais perfeito da mitificação humana.  A vitima é o mito mais completo. Uma generalização bem feita mesmo seguida da criação duma excepção cirúrgica, se não desencadear o processo de criação duma vítima, devidamente chorada, comiserada e sacrificada, será sempre um processo incompleto. Mas a verdadeira vítima nunca é o resultado dum expediente de chantagem emocional, isso é uma vítima-peluche, a vítima-mito é uma verdadeira categoria da mente que a deixa irredutivelmente condicionada, e lhe permite concentrar todas as suas forças, que geralmente correm o risco de se dispersar nos denominados 'os lados bons da vida', verdadeiros hinos ao perfil burlesco da criação. Quando puderam façam este exercício: peguem num falhanço banal, criem uma regra simples em torno dele, excluam-se por qualquer razão prosaica, guardem em ambiente húmido, e quando começarem a aparecer os primeiros pontos de bolor digam para convosco: «não fui eu o escolhido». Por cima dum subentendido há sempre um entendido.

Troika de MOU's (2/3)

Associada à nossa capacidade de generalização está outra das pérolas da nossa psique: a capacidade de criar excepções. Poderá mesmo dizer-se, sem causar estranheza certamente, que quem melhor generaliza é quem melhor excepcionaliza. Criar uma excepção, seja tirar alguém de uma norma, seja desviar um pressuposto para uma conclusão diferente, seja fazer um pinheiro membro de pleno direito dum eucaliptal, estamos sempre ao nível do compromisso psicológico. Se generalizar é um acto de liberdade plena, algo que surge da força telúrica do livre arbítrio, a excepção resulta sempre duma necessidade secundária, duma elaboração de prós e contras. Excepcionalizar é quase sempre conferir uma vantagem, é o grande padrinho do polvo das discriminações mentais. O primeiro acto de excepcionalização foi da serpente quando escolheu Eva e a maçã para tentar Adão, até aí tudo era a mesma coisa, até a falta da costela neste já não se distinguia no resto do esqueleto, até a maçã era uma manga mais empapelada e menos fibrosa, até a serpente era um lagarto maneta maneta. Esse momento nobre da mente em que esta cria excepções é chamado o momento da fuga e a maior glória é quando nós próprios somos o objecto da excepção. Quando puder façam este exercício: Pegue numa generalização que lhe desagrade, force a entrada de alguém que lhe desagrade, ponha a marinar, quando o sabor a amargo se sobrepuser ao salgado diga de si para si: eu não sou como eles. Is there a lie always underlying.

Troika de MOU's (1/3)

Uma das capacidades mentais que mais nos aproxima da perfeição é a generalização. Aquilo que poderia apresentar-se como um mero expediente para nos defendermos da ditadura do caso particular revela-se uma verdadeira varinha mágica para lidar com as arestas da realidade - uma máquina de fazer verdades. De forma quase elixírica a generalização é um local refrescante, onde a estupidez se encontra com o génio, ou até a lucidez com a demência. Serve para banalizar mas também serve para sofisticar, e tanto fornece estigmas como camuflagens. Apesar de serem mais famosas as generalizações de género e de carácter, as mais interessantes são as generalizações de circunstância, aquelas que conseguem quase parecer-se a deduções e que permitem o cérebro conviver pacificamente com mentiras, ilusões, e quaisquer outro tipos de enganos diversos. Alivia sempre. Pegar numa andorinha e fazer uma primavera é o maior dom depois dos que decorrem da graça de Deus. Hoje faça este exercício: pegue numa expectativa, junte-a a um receio, ponha em lume brando e quando ouvir um estalido metálico diga de si para si: nascemos para sofrer. Todos temos direito aos nossos subentendidos essenciais.

Tracking Poll

Espantará certamente muita gente, incluindo franjas da população geralmente bem informadas sobre assuntos do aquém e do além, quando eu vos trouxer ao conhecimento (vai ser agora) que Deus Nosso Senhor também utiliza tracking polls para aferir da Sua posição relativa no coração dos homens face aos concorrentes clássicos, como o poder, o dinheiro, os batidos de frutos tropicais ou as mini-saias. Como se sabe, a quem o homem mais mente é a Deus, inclusive uma sondagem telefónica recente revelou que se mente mais a Deus do que às próprias finanças. Ou seja, (eu estou sempre a abusar dos ou-sejas, foda-se) uma das mais importantes mutações da psique humana foi a que se deu ao nível da zona que dialoga com o Criador. Como Este não quer facilitar, nem quer ser apanhado no juízo final com uma acumulação de processos sem prova provada, vai levando a cabo baterias de tracking polls nos momentos em que a humanidade se parece estar a transformar em gás metano; se há coisa que Deus detesta é que isto se torne num cheirete insuportável.

Ultimamente as tracking polls têm estado a revelar tendências contraditórias. Se por um lado parece haver um empate técnico entre Deus e o Haxixe, há uma clara orientação da alma humana para o Deus útil, com a esquerda a fixar-se no caviar e a direita no cartão visa. Geralmente introduzem-se variáveis inesperadas nestas tracking polls para averiguar se com elas há movimentos ocultos a contrariarem a tendência, técnica conhecida na gíria como 'a sondagem do recalcado'. Assim, recentemente, Deus fez passar a informação de que também havia lugar (tipo plafond) para alguns paneleiros no reino do Céus. Com duas ou três semanas desta informação a germinar no coração dos homens, começaram então a aparecer indicações de que a Bancarrota estava a começar a entrar na franja dos deuses alternativos e com forte possibilidade de fazer coligações viáveis (os scores de Bancarrota com Visa apontam para maiorias confortáveis face a Deus).
Conclusão: vive-se um momento de incerteza nos planos da criação: ou mais terramotos (lobi dragão & zazie) ou apostar nas bancarrotas (lobi medina & louçã).

Vive la Tranche

Aparentemente Portugal, superiormente representado pelo descoberto bancário do ministério das finanças, terá recebido anteontem a 1ª tranche da famosa ajuda externa. De forma substantiva eu venho aqui porque não podia deixar de dizer ao amável, e inclusivamente estimável (amar e estimar são conceitos afins mas diferentes) público que aprecio imenso a palavra tranche. Desde logo porque é uma palavra plena (repleta também se aplicaria) de carnalidade, e qualquer homem que se preze tem de se assumir sem rodeios como um tal carnal. Por outro lado, uma bela tranche de mulher poderá ser inclusive a base da defesa de um tal Domenico Avestruz que se viu algemado há dias - confesso envergonhadamente que me comoveria tal argumento - e , convenhamos, é uma fórmula bastante mais decente que naco, seja ele de mulher, de alcatra, ou seja ele de swift bancário. Já antevejo a mobilização vascular que sentiremos ao saber que estarão à nossa disposição mais umas quantas tranchadas nos próximos anos, sem uma admoestação, sem uma recriminação, nem sequer uma palavra amarga, e muito menos uma devolução. Acho que recebendo o dinheiro em tranches nos devolve também bastante dignidade, muito mais que em parcelas, ou gominhos, e de estilo infinitamente mais sofisticado que fracções (seria degradante), para já não falar em prestações o que nos colocaria ao nível duma menstruação atrasada. Obrigado por nos tratarem assim, e quando for da próxima tranche-ferência, não se esqueçam da aguinha-benta pela vossa rica saúde, senão ainda nos entusiasmamos e o gastamos todo nalgum tranche-siberiano.