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Não perdendo tempo, mandou a dupla Amado e Anita Gomes para o aeroporto entrevistar os prisioneiros alegadamente alqaedeanos aquando da sua entrada no país, e assim aferir em directo e a cores das suas capacidades de colocação.
Prisioneiro – Razia el-Tuinetauer, um seu criado, ex-fervedor de água para chás em Istambul.
Amado – Interessante; quais foram então as experiências que mais o traumatizaram na abominável prisão das Caraíbas?
Prisioneiro – Confesso-lhe que quando me enfiavam ferrinhos em brasa pelo cu acima, perguntando-me o número do telemóvel do camarada Bin, dava-me um certo ardor na próstata.
Amado –Desagradável de facto; e qual pensa ser a sua real e mais profunda vocação?
Prisioneiro – Tirando hoje o meu maior sonho ser conseguir mijar de jacto e sem ficar a pingar no fim, julgo que me integraria bem num programa de avaliação forçada a professores.
Amado – Perfeito, vou integrá-lo no grupo que fica a dormir na arrecadação da mme Lurdes, com direito a duas refeições quentes diárias e a prémio de desempenho pago em estagiárias - também quentes - de línguas clássicas.
Anita Gomes – Próximo!
Prisioneiro – O meu nome é Marmonides del Extremoz e era ladrilhador de palácios no Casaquistão.
Anita Gomes – Curioso; e que me conta sobre as terríveis torturas a que foi sujeito?
Prisioneiro – A que mais me marcou foi obrigarem-me a decorar os posts do ‘Portugal Contemporâneo’ sobre o Bem Comum se eu não lhes desse o pin do Bin.
Anita Gomes – Experiências limite, compreendo, e nem lhe davam bolachinhas de água e sal?
Prisoneiro – Nada, cheguei a implorar por aquela coisa do afogamento que faziam aos que só sabiam ler o Corão.
Anita Gomes –Menos penoso, de facto. E que poderemos nós fazer para lhe extirpar tamanhas e medonhas memórias?
Prisioneiro – Gostava de voltar a ladrilhar sem me gritarem «agarra que é ladrilhão»!
Anita Gomes – Calha bem, porque o camarada Pinto Ribeiro anda a remodelar a casa de banho do ministério da cultura - que lá tinha sido deixada pelo bárbaro Carrilho - com umas faianças que sobejaram da exposição do Hermitage na Ajuda e que os russos não quiseram levar de volta porque os ratos tinham lá mijado dentro.
Amado – Outro!!
Prisioneiro - O meu nome é Rute Suleimano e era travesti de saias largas em Jericó.
Amado – E o que me conta o amável torturado das sevícias por que tem passado?
Prisioneiro – calcule o querido que me faziam cócegas com as plumas até eu dizer a password do Hotmail do Bin.
Amado – Que desfaçatez. Conseguiu resistir?
Prisioneiro – Impossível amor, a password era 'aicredo' e descobriram à primeira, foi assim que ainda foram a tempo de abortar o atentado aos croquetes que engasgaram o Bush!
Amado – bem… e como e onde pensa poder realizar-se aqui no nosso país?...
Prisioneiro – O meu sonho era ter um talco-show…
Amado – Como assim?...
Prisioneiro – Então… eu, por exemplo, convidava os deputados do PP, e eles vinham ainda tenrinhos e humidozinhos e eu secava-os em directo…
Amado – Não sei se isso será possível, mas julgo que podemos colocá-lo num programa de apoio à indústria automóvel a polir tubos de escape na garagem do Mano el-Pinho, se lhe convier.
Anita Gomes – O seguinte!
Prisioneiro – O meu nome é John al-everage e antes do degredo vivia em Bay Lout a gerir fortunas.
Anita – E como se deu pela ilha com as terríveis torturas e privações que lhe impuseram? E ainda para mais depois de ter sobrevoado ilegalmente países livres onde se podia comer bitoque com ovo e arroz basmati sem nos perguntarem onde é que o Bin se abastecia de roupa interior e palitos de la reine?
Prisioneiro – Um pavor! Chegaram a obrigar-nos a preencher as fichas de avaliação da dra milurdes sem poder ver a telenovela!
Anita – Revoltante! Como poderemos compensá-lo dessa experiência degradante?...
Prisioneiro – O meu sonho era poder escrever um grande romance sobre a decadência da sociedade de opulência e consumo e inclusive a oscilação da euribor.
Anita Gomes – Está no país certo. Aqui apenas uma sobrinha estrábica dum sapateiro ali aos Anjos é que ainda não editou um romance. Fica então por cá e arranja-se-lhe de certeza uma quartinho no salão de cabeleireiro do dr Amado.
Amado – Venha o último!
Prisioneiro – Judas Ex-cariotes, prisioneiro e traidor profissional de judeus hesitantes.
Amado – Não esperava vê-lo por aqui…mas… que nos pode contar que possa descrever a sua experiência?
Prisioneiro – É uma longa história, mas ultimamente o meu ‘beijo de judas’ caiu um pouco em desuso e costumam usar mais antrax, ogivas e outras brincadeiras. Fui-me adaptando.
Amado – Mas que torturas especiais lhe infringiram?...
Prisioneiro – Bem… eu era infiltrado sabe… fazia de ex-bombista, - mas aquele fato alaranjado por dentro era do mesmo material que as tshirts do Cristiano Ronaldo – e tentava sacar aos outros o código do pacemaker do bin laden…
Amado – Judicioso, de facto…. Nem sei bem como encaixá-lo na nossa comunidade de fraternal harmonia que é Portugal, reino de beatos e leais condestáveis.
Prisioneiro – Deixem lá, não há problema, em fico bem em qualquer cantinho, uma mesa corrida e uns paposecos chegam-me para continuar a fazer história.
Amado – Bem, só se for lá no conselho de ministros…mas, espera lá, o avozinho das finanças pediu-me um tipo para ir pôr óleo de fígado de bacalhau naquelas pevides que o Medina Carreira parece estar sempre a mastigar nas entrevistas…
Prisioneiro – Não sei… agora na Grécia estão a pagar melhor… se calhar vou antes especializar-me em queijo feta!
Amado - pois.. e para concorrer com o Partenon... o mais parecido que temos é o novo cais das colunas; compreendo.
Sócrates tinha deixado fugir Ex-cariotes por falta de verba, mas mesmo assim era agora a vanguarda na recuperação de ex-pseudo-terroristas com o programa Guantanasmus; e com Chavez sem graveto para pagar o material informático, sabendo-se dos mais elegantes do mundo, e com a Bruni eventualmente a cansar-se de Nicolau... enfim, o mundo dá muitas voltas.
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Maçada
Outrora coincinerador compulsivo, hoje estadista e reformador credenciado, depois de nos libertar úteros e pulmões, falem-lhe agora apenas do que realmente importa; Portugal está a ficar uma grande Vilar de Maçada, pontilhada aqui e acolá por casinos, golfes e etares.
O estado deficitava, não era? Ele resolveu; os professores andavam folgados, não andavam? Ele resolveu; o metro afundava-se no Terreiro do Paço, não era? Ele resolveu; ninguém receitava remédios de linha branca, pois não? Ele resolveu; queriam um restaurante com um estrelinha no Michellin, não queriam? Ele arranjou; o pinhal ardia todo, não ardia? Ele resolveu; andava tudo na bisga na estrada, não andava? Ele resolveu; queriam o Leonard Cohen ao vivo, não queriam? Ele tratou; que maçada, digam-lhe só onde está o problemazinho que ele resolve ou manda resolver, mas, se querem pormenores, perguntem ao Pinho, Manuel, se quiserem rir, ou à Ferreira Leite, Manuela, se quiserem chorar. Essencial: agora que já saiu definitivamente de Vilar de, não o macem.
O próprio mundo poderá estar a ficar perigoso e José, ex Maçada, Vilar de, Sócrates, terá agora coisas mais importantes que fazer; Guterres, Barroso e Obama não podem ficar a tratar disto sozinhos; e Portugal já maça muito. Até a Madonna se vem cá repetir. Não tarda até queremos cá a Nossa Senhora a aparecer outra vez; ainda a SIC tinha de ir arranjar uns pastorinhos à pressa.
Sai uma gran cruz da ordem do bambino d’oiro
Sócrates – Sr Provedor julgo que ficávamos todos mais sossegados se o meu nome pudesse já entrar para a história, estou a ver a coisa preta e não tarda o meu lugar ainda é ocupado pela Maddie ou pelo Cristiano Ronaldo.
Provedor dos leitores de livros de história – Sr Sócrates, para uma primeira análise, quais são as suas principais realizações , algo que o distinga mais que o Mário Crespo, ou o Nuno Rogeiro, ou o Nicolau Breyner, por exemplo?
Sócrates – Bem, em primeiro lugar eu consegui manter o Manuel Pinho mais tempo em ministro do que 10 períodos máximos para interrupções voluntárias da gravidez e sem ter de o pôr num frasquinho de liquido amniótico…
Provedor – Parece-me obra, sim senhor, mas repare que até o manchester united aguentou o Carlos Queirós mais de 3 anos…
Sócrates – Olhe, por exemplo, em menos de uma legislatura, ganhar um referendo ao César das Neves e à Laurinda Alves, fechar o Galeto, pôr o Sousa Tavares a fumar no passeio e praticamente levar os paneleiros ao registo civil, já é coisa ao nível duma padeira de Aljubarrota, ou ainda não?...
Provedor – Bem, para começo de conversa já me parecem atributos válidos, mas assim ao nível das façanhas mais imprevisíveis, o que me destaca o caro candidato a figura de livro de história?
Sócrates – Tirando o facto do Mário Soares que já era um vaca sagrada e que eu transformei numa múmia de companhia da Clara Ferreira Alves, julgo que pôr o Armando Vara administrador da Caixa e depois do BCP é uma façanha ao nível dos descobrimentos, ou mesmo do pastel de nata, não acha?
Provedor – Confesso que estou quase a confundi-lo com o Diogo Cão depois de dobrar o Bojador…
Sócrates – Se fosse agora já nem era preciso dobrar primeiro o Bojador: ia logo tudo a eito, tipo circunvalação-simplex, aliás, faltou-me destacar o Simplex! é verdade, valha-me Deus, e inclusivamente ainda vão beatificar o Nuno Alvares Pereira! Já não tenho nada a provar à história, repare que há anos que andam para tentar beatificar uns putos a quem até Nossa Senhora apareceu e eu agora em três tempos estou quase a conseguir fazer beatificar um gajo que só era conhecido por arrear nos espanhóis!
Provedor – Humm, e diga-me, ao nível daquelas reformas que marcam uma geração, o que tem para apresentar?
Sócrates – Ainda bem que me dá esta oportunidade porque nesse domínio eu fui verdadeiramente inovador: eu inventei as Reformas moulinex…
Provedor – Como tal…
Sócrates – Repare, é assim: arranja-se primeiro um problema estrutural, género a saúde, ou a educação; depois, por exemplo, pega-se na avaliação dos professores, junta-se a segurança à paisana nas escolas, e acrescenta-se uma pitada de coeficientes de aproveitamento e: um-dois-três, bzzzzzás, já está! É um instantinho! Olhe, destas já fiz uma dúzia, só me falta a justiça, mas aí se calhar tenho de ir para a Bimby porque o Marinho Pinto tem muita cartilagem.
Provedor – E diga-me, sr Sócrates, tem algum pecadilho negacionista no seu currículo?
Sócrates – Houve de facto um caso relacionado com um exame ao domicílio de inglês técnico, e tenho de lhe confessar, depois desta confusão, já nem eu próprio sei se sou engenheiro, mas, pelo sim pelo não, já mandei fazer um aeroporto, um tgv, um hotel ao pé da torre de Belém e um jazigo na rua de s. Caetano à Lapa, o Duarte Pacheco ao pé de mim vai parecer um Presidente da Junta.
Provedor – E agora que lembra, o que tem mais a destacar de especial no que concerne ao património que nos vai legar?
Sócrates – Aí sim, tenho de confessar, nos legos nunca fui muito forte, mas carrego uma espinha atravessada na garganta, tentei eleger para as novas maravilhas do mundo umas marquises em azulejos ali prós lados da Guarda mas foram preteridas para umas merdas do machu picchu, ou lá o raio que é aquilo que nem faz esquadria, nem nada.
Provedor – E não há mais nada que gostasse de destacar e que julgue determinante para a decisão sobre a sua inclusão nos livros de história?
Sócrates – Eu julgo que a questão do jogging devia ser devidamente valorizada… Um dia podemos precisar todos de cavar daqui para fora e depois não digam que eu não falei do cardio fitness. No fundo, 'Fia-te nessa e não corras' foi sempre o meu lema para enfrentar as crises e as manuelas.
Vou directo ao assunto: Passos Coelho devia pôr os olhos em António Guterres. O seu sonho juvenil de marcar território com uma mijadela neo-liberal não o leva a lado nenhum. No poder está uma emulação cavaquista e, olhando para o passado, a fórmula de sucesso, já testada, de sheltox para cavacos é o guterrismo. (Santana e Ferreirinha serão obvias pêras doces para Sócrates)
A memória do Guterrismo é de tempos de anestesiamento e felicidade, juros e petróleo barato, diálogo e medidas transversais. Ora o que é que todos queremos hoje?: precisamente um sossego transversal, uma longa epiduralização da existência, um 'fodam para aí essa merda toda mas não me chateiem'. E isso só o guterrismo pode prometer e cumprir. Sem stresses nem ansiedades, e um ar porreiraço entre o bonacheirão e o sacristão; entrada de lago com patinhos e saída de pântano para chernes.
Guterres deve pois ser o modelo para onde Passos deve olhar. Ir para Sócrates de falinhas mansas mas sincopadas, ameaçando-o com o inferno por não respeitar a paz interior da nação, entremear com um empolgamento vangelisco e deixar acamar com um olhar de ternura.
A entrada pelo nicho comuna deverá fazê-lo pelo método Pacheco-pereirianoo, oferecendo vouchers de cabeleireira para todas as mulheres desempregadas têxteis, devendo igualmente piscar o olho à dentadura de Manuel Monteiro, e entregar-lhe generosamente a canela de Portas.
Finalmente, a iconografia é o esquema do costume: agrisalhar a zona das patilhas, dar a saber que tem um primo afastado que é paneleiro, e ser conhecido por ter ajudado a pagar o restauro da pia benta duma paróquia de mães solteiras.
Prometer, prometer, apenas a felicidade.
No mesmo dia em que Sócrates diz que «um hospital não se compra no supermercado» (mas já não se referiu no que concerne a diplomas universitários) e que o «planeamento se deve fazer com muitos anos de antecedência», soube-se que no hospital de s.joão houve favorecimento na ‘redução e aumentos’ mamários de funcionárias (desconhece-se, no entanto, se houve também esticamento de pilas a maqueiros). Para que não haja aborrecimentos no futuro, a selecção de enfermeiras para 2013 deveria começar hoje.
Ora a mama certa para a funcionária hospitalar é o correspondente a uma copa C. É um tamanho de mama que não interfere no ritmo respiratório do paciente aquando da colocação da algália, mas já dá algum aconchego na altura de medir a tensão, ou a tirar os pontos. A mama de copa C no bloco operatório é também o mais aconselhado, pois, em caso de perigo de espirramento de sangue podem ser protegidas suplementarmente com a touquinha, mas sem apertar muito para não trilhar. Nos serviços de fisioterapia a copa C é também bastante adequada para a recuperação de lesões que tenham afectado pulsos e falangetas avulsas, mas já pode ser algo agressiva no tratamento de paralisias faciais (daí ser importante para um hospital contratar também duas ou três copas B). A mama de copa C apresenta-se igualmente com enorme potencial de relaxamento para exames mais intrusivos, foram inclusivamente relatados casos em que, durante uma colonoscopia, o paciente perguntou se não queriam pesquisar também qualquer coisinha no pâncreas, que por ele tudo bem desde que a enfermeira se mantivesse na mesma posição; poderá até reflectir-se nalguma poupança, como se constata.
Eu até estava a gostar disto mas agora vou ter de parar porque a minha mulher apanhou-me a ver o site da victoria’s secret e já está a perguntar se eu ando com algum problema. Já nem deu tempo para pôr aqui uma fotografiazinha. Só contrariedades.
A capa do Expresso deste sábado dizia que «Sócrates dá tudo por Lurdes» o que, antes de tudo, me parece uma enormíssima desfeita para com Fátima, tanto mais que esta possui um santuário muito mais adaptado ao jogging, arte esta que é, como se sabe, a par do ladrilho sépia e da recuperação da cassete como arma política, o principal legado deste grande socialista da coincineração para as gerações vindouras. No entanto, o que me ressalta com mais clareza da audição – ontem – do debate entre Zapatero e Rajoy, e me enche de orgulho, é que o nosso Sócrates é muito melhor que o deles.
Dizem que é um governo subprime
Ministro de Substituição
Primeiro Ministro de Favor: procura-se
Sócrates começando a constatar que estava a gerar fortes incompatibilidades com o país que superiormente dirigia, mas, ainda assim, sabendo-se portador dum desígnio que levaria o seu povo mais alto que o Penedo da Saudade, decidiu que teria de passar um pouco mais para a sombra e encontrar alguém que desse a cara e o currículo por ele, mantendo o povo e os jornalistas de turno mais amansados. A primeira e mais natural escolha seria o seu amigo Vara, só que este agora estava ocupado com a esfregona a lavar offshores, chegou a pensar numa catequista que teve em criança e que lhe tinha ensinado que não se devia invocar o nome dos poderosos em vão, mas acabou por escolher um duovirato que tão bons resultados já lhe tinha propiciado: 'Pinho & Lino'. Apesar de aparentarem uma marca de pronto a vestir, desde que esta dupla se tinha calado e baixado o nível técnico de gaffes que, ele, Sócrates, nunca mais tinha tido descanso. A ausência das calinadas de Pinho & Lino mostrara-se fatal para Sócrates, que agora moribundava entre as urgências de Anadia, as ambulâncias de Alijó e as vivendas de Rapoulas. O país precisava inquestionavelmente dele, mas aparentemente exigia alguém que tivesse feito a primeira comunhão, a profissão de fé, limasse as unhas, e soubesse distrair o circo nos tempos mortos entre os leões e os trapezistas. Sócrates, que já tinha entregue a sua assinatura ao sacrifício da alta engenharia, deveria agora também ter direito aos seus primeiros ministros de favor, para assim poder continuar a fazer o seu jogging sem que ninguém o incomodasse a pedir autógrafos.
Uma asae nunca vem só
Nun’s, a madre superiora da Congregação das Irmãs para o Bom Estado de Conservação dos Cariles e dos Escabeches, seguindo as instruções do perfeito para a causa dos tupperwares bem vedados, Frei Sócrates, decidiu ir averiguar do modo como andavam a ser atribuídos os diplomas de engenharia civil. Conferiu que o vácuo tinha sido em geral respeitado, mas, para seu espanto, descobriu vários gatos mortos numa panificação universitária de inglês técnico desactivada ali para os lados da feira do relógio. Após a selagem da instalação, Nun’s, zeloso, foi seguir o rasto a algumas fornadas, no santo intuito de ainda ir a tempo de estancar alguma gastroentrite, mas já não foi a tempo. Um país inteiro já tinha engolido um desses paposecos duma ponta a outra ( papodry em inglês) e estava com a digestão a meio; agora, o melhor que lhe podia acontecer era, ou meter a mão à boquinha, ou rezar para que o divertículo não inflamasse.
Aparentemente o acordo de jardinagem horto gráfica irá marcar este novo ano pelo fim das ‘consoantes não pronunciadas’. Acabará assim uma das marcas simultaneamente mais aristocrática e mais mística da portugalidade, esse ter coisas que não serviam rigorosamente para nada - as nossas consoantes mudas, que tanta falta nos irão fazer.
Eram verdadeiras consoantes de companhia; sóbrias, educadas, discretas, nunca mais se fazem consoantes assim e estaremos destinados a viver com ‘tês empinados. Essas consoantes que souberam dedicar a sua vida para outras sobressaírem, deixam-nos agora sem glória e, pior, criam um vazio que não está ao alcance de nenhum acento, por mais circunflexo que seja, preencher. A nossa língua precisa dessas consoantes que souberam trabalhar na sombra, que deram sentido aos actos e aos factos, e que facilitaram a vida a muita vogal que, assim, conseguiu sobreviver num mundo dominado por uma maioria ruidosa de consoantes que não olham a meios.
A consoante de companhia mereceria pelo menos um lugar no panteão, ou aparecer num quadro da Paula Rego a fazer de camareira gaga, ou, pelo menos, fazerem com ela uns brincos de filigrana para pôr nas orelhas da Marisa, para ver se ela fica com um ar decente de fadista e deixa de parecer um kiwi albino.
Compreendo que, se já não vai ser possível medir a tensão arterial às duas da manhã em Anadia, ou parir em Elvas, também já não haja verba para as consoantes não pronunciadas, contudo, acho que deviam fazer uma moratória, não sei, um período de adaptação, pois não vai ser nada fácil para essas consoantes arranjarem assim do pé para a mão uma ocupação digna. E não acho que seja próprio irem fazer de hífen e muito menos de apóstrofo para as virilhas dum vocabulário qualquer; isso seria lexicarem-nas completamente. Será para além disso um péssimo sinal para as cedilhas que ainda podem ficar a pensar que são as que vão a seguir; e então um país sem cedilhas seria meio caminho para voltarem os ss.
Sócrates, que também tem tido bastante sucesso com ministros não pronunciados, aliás quando proibiu que alguns se pronunciassem foi quando eles começaram a render mais – o Pinho até começou a ajudar na lida da casa e tudo – devia olhar para este problema, e sendo um homem, e, antes de mais, um engenheiro, das beiras, sabe bem que o interior das palavras vai ficar mais pobre sem estas consoantes, que disseram presente quando a língua precisou delas, coisa que muita vogal, nem gaguejada, algum dia fará.
Há um pouco mais de 10 anos encontrávamos (por exemplo) esta meia dúzia no primeiro governo de Cavaco…
Álvaro Barreto
Leonor Beleza
Mário Raposo
Miguel Cadilhe
Mira Amaral
Eurico de Melo
…mas nos finais de Cavaco já poderíamos encontrar disto…
Carlos Borrego
Falcão e Cunha
Arlindo de Carvalho
António Duarte Silva
Marques Mendes
Braga de Macedo
… nos princípios de Sócrates, temos disto…
Manuel Pinho
Alberto Costa
Nunes Correia
Vieira da Silva
Severiano Teixeira
Isabel Pires de Lima
… então… agora é só fazer as contas para a remodelação.
Deus nos livre
Sempre dissemos que éramos uma nação que confiava, e depois se desiludia, demasiado com os sebastianismos. Mas a história recente mostra-nos que não são tanto os sebastianismos que moveram o nosso povo sufragante, e sim antes o que-nos-livraísmo. Soares livrava-nos dos comunistas, Cavaco livrava-nos de Soares, Guterres livrava-nos de Cavaco, Barroso livrava-nos de Guterres, Sócrates livrava-nos de Santana Lopes, Cavaco voltava para nos livrar de Sampaio, enfim…a democracia livrava-nos da grande noite, a CEE livrava-nos da indigência, o diálogo livrava-nos da surdez arrogante, a tanga livrava-nos do pântano, o reformismo livrava-nos do ramram, Os ingleses dos franceses, o Nuno Alvares Pereira dos Espanhóis, O D.Pedro dos absolutistas, o camarão de Espinho dos caracóis, o Rui Veloso dos fadistas, a Mª José Morgado do Pinto da Costa, o salmão fumado do bacalhau em posta, a liberalização livrava-nos do crime, bem, perdi-me.
«Quero ser uma oposição tronco e não uma oposição pica pau» (acho que foi mesmo assim) Ribeiro e Castro, agorinha mesmo no ‘frente a frente’ com P.Portas, na RTP1
